O treinador Diego Souza teve o registro profissional cancelado no Boletim Informativo Diário da Confederação Brasileira de Futebol nesta quinta-feira (8). A anulação da inscrição no Joinville ocorreu após a confirmação de que a certificação técnica apresentada em nome do profissional era falsa, sem validação pelas entidades oficiais de ensino esportivo.
A documentação apontava a conclusão da Licença PRO junto à Associação de Técnicos de Futebol da Argentina, mas o órgão confirmou que o ex-jogador de 41 anos não possui histórico de matrícula nem homologação perante a Confederação Sul-Americana de Futebol. Diante do caso, Diego Souza declarou que pretende agir para regularizar a situação na carreira: “O que for preciso fazer para reverter isso, eu farei”.
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Diego Souza e o esquema de intermediação cobrado em moeda estrangeira
A obtenção irregular do certificado ocorreu por meio de contatos com o ex-jogador argentino Alejandro Mancuso, apontado como intermediário na oferta de atalhos documentais para atletas em fase de transição de carreira. Diego Souza realizou o pagamento em 1 de janeiro de 2023, período em que ainda atuava nos gramados como atleta do Grêmio, acreditando na validade do material.
De acordo com os relatos do próprio técnico, a abordagem baseou-se no prestígio esportivo do intermediário e no suposto aval dado a outros atletas brasileiros renomados. “Ele falou que tinha uma licença que ele conseguia para atletas renomados, que daria o direito de trabalhar em tudo quanto é lugar. Quando eu parasse de jogar, eu teria uma licença para seguir no futebol”, disse Diego Souza ao descrever a conversa inicial. Em seguida, completou: “Ele falou: ‘Fulano fez comigo, beltrano fez comigo’. Um cara com todo o histórico que ele tem no futebol, que jogou em grandes equipes, na seleção argentina, e falando de uma maneira bem clara, né? Eu busquei informações com outros jogadores que já tinham recebido os documentos das mãos dele e aquilo fez com que eu acreditasse e tirasse essa licença com ele”.
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Joinville abre apuração e mantém treinador respaldado pela federação local
Apesar da exclusão no cadastro nacional da entidade máxima do futebol brasileiro, Diego Souza permanece à frente do comando do Joinville na disputa da Copa Santa Catarina. Carlos Fernando Crispim, diretor do Departamento de Competições da Federação Catarinense de Futebol, esclareceu que as normas estaduais exigem apenas o registro em carteira profissional de trabalho para a atuação no banco de reservas, dispensando a apresentação da Licença PRO da CBF para o torneio regional.
O Joinville informou que abriu um procedimento de averiguação interna para esclarecer as etapas burocráticas de cadastro do treinador, ocorrido originalmente com vigência a partir de 27 de agosto de 2026. A diretoria busca definir os próximos passos institucionais e assegurar a regularidade de seus procedimentos operacionais enquanto colabora com as instâncias desportivas.
Números e datas do processo de Diego Souza no Joinville
- R$ 100 mil: quantia média cobrada por Alejandro Mancuso pela intermediação dos pacotes de diplomas falsificados.
- US$ 20 mil: valor exigido em moeda norte-americana para a concessão das licenças combinadas nos níveis C, B, A e PRO.
- 5: total de jogos oficiais comandados pelo técnico no Joinville durante a Copa Santa Catarina, com três vitórias e duas derrotas.
- 41 anos: idade de Diego de Souza Andrade ao assumir o Joinville em agosto de 2026, em seu primeiro cargo como treinador.
- 8 de outubro de 2026: data do cancelamento oficial do registro de treinador publicado no sistema eletrônico da confederação.
CBF envia documentação de Diego Souza para órgãos de julgamento
O cancelamento do registro no sistema do Boletim Informativo Diário não encerra as implicações administrativas do episódio dentro da confederação nacional. A diretoria da entidade brasileira remeteu formalmente toda a documentação reunida no processo para averiguação disciplinar na Comissão de Ética e na Câmara Nacional de Resolução de Disputas, órgãos responsáveis por apurar possíveis infrações e aplicar sanções a profissionais e agremiações filiadas.
Ainda não foi confirmado pelas autoridades desportivas se o caso será encaminhado ao Ministério Público para a abertura de inquérito criminal sobre a falsificação e emissão física dos papéis no país. O Joinville também não definiu se escalará um assistente técnico para assinar as súmulas dos próximos compromissos na Copa Santa Catarina caso surjam novas exigências regulamentares.
