O Palmeiras definiu que disputará suas próximas partidas com o espaço de patrocinador máster totalmente vazio na camisa. A determinação passa a valer no confronto diante do Bahia, marcado para a noite desta quinta-feira (8), às 21h30, no Allianz Parque, pela Série A do Campeonato Brasileiro, após a suspensão da exibição da logomarca da casa de apostas Sportingbet.
A suspensão da marca ocorre em cumprimento direto às novas regras federais que vetam a veiculação publicitária e a exploração de empresas de apostas esportivas de quota fixa no território brasileiro. Diante da nova diretriz legal, a direção palmeirense providenciou a retirada física da estampa da parceira dos uniformes de jogo, adotando uma postura institucional de cautela enquanto as discussões jurídicas e regulatórias avançam no país.
Leia também: Flamengo vai ao STF para evitar perda de até R$ 430 milhões com MP das bets
Palmeiras mantém contrato com a Sportingbet sem rescisão imediata
Apesar da ausência do logotipo no peito dos atletas, o vínculo financeiro entre o clube e a empresa permanece ativo. A parceria comercial foi anunciada pelo Palmeiras em janeiro de 2025, encerrando um ciclo de dez anos de exclusividade com a Crefisa, e possui vigência formal estipulada até dezembro de 2027, mantendo ainda a possibilidade de prorrogação contratual por mais uma temporada se houver concordância mútua entre as duas partes.
O acordo prevê o pagamento anual fixo de R$ 100 milhões aos cofres da Sociedade Esportiva Palmeiras, montante sujeito a correções inflacionárias e que pode alcançar um teto de R$ 170 milhões por temporada mediante o cumprimento de metas esportivas. Por causa do impedimento legal de veiculação das marcas, a empresa pontua a diferença entre a titularidade dos direitos assinados e a possibilidade fática de colocá-los em prática nas competições esportivas.
“Um ativo é uma coisa em que a gente pode ativar. E, a partir do momento em que eu não posso ter o meu nome na camiseta e não posso exercer os meus benefícios de patrocinador oficial da Conmebol Libertadores, eu deixo de ter os ativos. Eu tenho os contratos. São coisas diferentes. Essas decisões não estão tomadas”, afirmou Antonio Forjaz, Head da Sportingbet na América Latina.
Palmeiras adota camisa limpa e evita marcas paralelas no uniforme
A decisão de atuar com o uniforme sem nenhum anunciante no peito difere do caminho escolhido por outros concorrentes nacionais impactados pela mesma regra. Clubes como São Paulo e Fluminense optaram por manter relações comerciais ativas ao estampar a logomarca da Superscore, portal de estatísticas pertencente ao mesmo conglomerado econômico da casa de apostas Superbet. O Palmeiras, presidido por Leila Pereira, preferiu não adotar intermediários comerciais nem acionar individualmente o Supremo Tribunal Federal com ações liminares, aceitando atuar com o espaço vazio tanto nos gramados do Campeonato Brasileiro quanto nas disputas da CONMEBOL Libertadores.
Veja também: Defesa de Leila Pereira pede confirmação de indenização de Dudu na Justiça de SP
Para a partida programada para esta quinta-feira (8) na capital paulista, a comissão técnica e os atletas utilizarão o terceiro uniforme da equipe, confeccionado na cor azul. Os modelos que já haviam recebido as aplicações térmicas da empresa parceira passaram por um processo de descaracterização nos vestiários do clube, garantindo que os jogadores entrem em campo rigorosamente alinhados com a legislação vigente.
Datas e detalhes da Medida Provisória nº 1.394/2026
A mudança estrutural no futebol do país foi desencadeada pelo Poder Executivo por meio de publicação legislativa recente que alterou as exigências de publicidade do setor:
- 25 de setembro de 2026: publicação da Medida Provisória nº 1.394/2026, assinada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, proibindo a propaganda de empresas de apostas.
- 5 de outubro de 2026: data final fixada para a retirada completa de propagandas de apostas esportivas de placas, uniformes e peças físicas em todo o Brasil.
- 6 de outubro de 2026: início oficial dos efeitos e da vigência plena das punições e restrições descritas no texto da medida provisória.
- 120 dias: período limite de vigência da norma provisória para ser apreciada e votada pelo Congresso Nacional.
- 14 clubes: contingente de equipes, entre os 20 participantes da Série A do Campeonato Brasileiro, que tinham casas de apostas como patrocinadoras máster antes da ordem governamental.
Situação do Palmeiras e próximos passos no mercado
O impacto do veto governamental segue sob contestação judicial coletiva por entidades representativas do setor. O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável acionou o Supremo Tribunal Federal com o objetivo de reverter os efeitos da medida provisória que paralisou as receitas de patrocínio de quase três quartos dos principais clubes do futebol nacional.
Ainda não está definido se a diretoria do Palmeiras negociará uma marca transitória para ocupar o peito do uniforme caso as restrições impostas às empresas de apostas sejam mantidas em definitivo pelos tribunais e pelo Congresso Nacional. O próximo compromisso do time ocorre na noite de 8 de outubro de 2026 contra o Bahia, no Allianz Parque.
