O empresário Elon Musk acusou magnatas das telecomunicações na Índia de travarem a expansão da Starlink para manter o controle monopolista sobre os serviços de internet do país. O executivo mirou diretamente o bilionário Mukesh Ambani, controlador da operadora Reliance Jio, questionando publicamente sua influência política sobre a concessão de licenças para provedores estrangeiros.
A tensão ganhou novos contornos nesta sexta-feira (9), quando Elon Musk voltou à rede social X para intensificar os ataques contra o empresário indiano. Em publicação em tom irônico, o diretor-executivo da SpaceX tratou Mukesh Ambani como chefe de governo: “Caro Primeiro-Ministro Ambani, por favor, aceite minhas humildes desculpas por não perceber que você é o verdadeiro chefe da Índia. Naturalmente, você preferiria manter sua exploração monopolista do grande povo da Índia, mas mesmo assim consideraria permitir que a Starlink competisse?”, escreveu Musk, em tradução livre.
Elon Musk contesta atraso na autorização da Starlink
A ofensiva de declarações começou na quinta-feira (8), momento em que Elon Musk apontou que a Starlink já obteve autorização legal para operar em mais de 165 países e cumpre há cinco anos todas as determinações técnicas estabelecidas pelas autoridades indianas. O empresário alegou que grupos locais atuam nos bastidores para impedir o ingresso de sua operadora satelital e perguntou abertamente se Mukesh Ambani exercia o comando real do país asiático. O entrevero provocou oscilações financeiras no mercado indiano, com as ações da Reliance Industries fechando em queda de 1,1% na quinta-feira.
O Ministério das Comunicações e o Departamento de Telecomunicações da Índia responderam às afirmações de Elon Musk assegurando que a legislação local voltada para o segmento satelital é justa, transparente e não discriminatória. Segundo o governo indiano, os protocolos de segurança nacional são aplicados uniformemente a todas as empresas interessadas em fornecer conectividade no território nacional, afastando qualquer hipótese de privilégio para conglomerados indianos em detrimento de companhias estrangeiras.
Empresas autorizadas no segmento satcom na Índia
A regulação de comunicações via satélite na Índia contempla três consórcios empresariais que possuem licença preliminar para operar a tecnologia no território nacional, mas nenhum deles iniciou a distribuição comercial aos usuários finais:
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- Starlink: braço da fabricante aeroespacial SpaceX, de Elon Musk
- Jio Satellite Communications: divisão controlada pelo conglomerado Reliance Industries, de Mukesh Ambani
- Eutelsat OneWeb: operadora satelital que conta com participação acionária da indiana Bharti Airtel, presidida por Sunil Bharti Mittal
Por que a Starlink ainda não funciona na Índia?
A pendência regulatória da Starlink envolve exigências rígidas coordenadas pelos órgãos de inteligência e segurança vinculados ao Ministério do Interior da Índia. Em junho de 2026, essas agências congelaram etapas decisivas da análise técnica da fornecedora americana para auditar procedimentos de segurança nacional e mecanismos de rastreamento de dados em território indiano. Embora detenha licença básica para satcom, a divisão da SpaceX necessita da liberação dessas agências e da designação formal de espectro para ligar os sinais aos aparelhos dos consumidores.
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O retrospecto das conversas institucionais também inclui episódios de atrito direto entre a empresa americana e o governo indiano. Em 2021, o Ministério das Comunicações advertiu formalmente a Starlink por realizar a pré-venda antecipada de planos de internet sem dispor das credenciais exigidas. Em contrapartida, durante congresso do setor de telecomunicações realizado em Nova Délhi na quarta-feira (7), a vice-presidente de operações comerciais da Starlink, Lauren Dreyer, destacou o empenho da empresa na adaptação de sua malha técnica: “Estamos prontos para atender a Índia. Quando a Índia estiver pronta”, declarou Dreyer, em tradução livre.
Números e presença estrutural das telecomunicações na Índia
A disputa entre as companhias envolve uma das maiores populações conectadas do planeta e mobiliza investimentos pesados em infraestrutura terrestre e redes sem fio:
- 910 milhões de clientes de banda larga somados entre as operadoras Reliance Jio e Bharti Airtel
- Mais de 80% de participação de mercado controlada conjuntamente por Jio e Airtel na Índia
- 20 estações terrestres de recepção equipadas com centenas de antenas construídas pela Starlink no solo indiano
- 5 anos de tramitação da Starlink junto aos órgãos governamentais indianos
Repercussão política e próximos passos da Starlink
O embate entre os magnatas transbordou para o campo político do parlamento indiano. Rahul Gandhi, líder da bancada de oposição na câmara baixa do parlamento (Lok Sabha), reagiu às queixas de Elon Musk com um comentário irônico: “Espere até descobrir o outro cara”, escreveu o parlamentar, em tradução livre, insinuando a proximidade de grandes empresários indianos com a administração do primeiro-ministro Narendra Modi.
A Reliance Industries prepara neste mês de outubro de 2026 a oferta pública inicial de ações da Jio Platforms, transação avaliada no mercado como potencialmente a maior da história financeira do país. Até o momento, Mukesh Ambani e porta-vozes da Reliance Industries não divulgaram declaração formal em resposta às postagens de Elon Musk. Não existe previsão oficial das agências do Ministério do Interior e do órgão regulador de telecomunicações para a conclusão dos laudos de segurança e a eventual liberação da Starlink.
