Fuzilamento de autor de massacre com 13 mortos terá transmissão ao vivo nos EUA

Pete Hegseth - Instagram

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O ex-major e psiquiatra do Exército americano Nidal Hasan terá sua execução por pelotão de fuzilamento transmitida ao vivo pela internet em 3 de dezembro de 2026, após determinação oficial das Forças Armadas dos Estados Unidos. A medida ocorre após a condenação do militar pela morte de 13 pessoas e por deixar outras 32 feridas durante um ataque a tiros ocorrido na base militar de Fort Hood, no Texas, no ano de 2009.

A confirmação sobre a transmissão em tempo real ocorreu na quinta-feira (8), em Washington, por porta-vozes do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. O plano foi anunciado inicialmente pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, na quarta-feira (7), a bordo do porta-aviões USS Abraham Lincoln. O presidente Donald Trump assinou formalmente o decreto de aprovação da pena capital em 2 de outubro de 2026, acolhendo recomendação direta de Hegseth.

O titular da Defesa declarou publicamente a intenção de abrir o procedimento militar aos cidadãos. “Garantiremos que as pessoas possam assistir, que seja público”, afirmou Pete Hegseth, em tradução livre. Questionado por jornalistas se Hasan havia apresentado pedidos finais à administração militar antes da fixação dos procedimentos, Hegseth rechaçou o diálogo: “Não me importo. Nos veremos em 3 de dezembro”, disse, também em tradução livre.

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Transmissão de Nidal Hasan rompe histórico de execuções fechadas nos EUA

A exibição em tempo real de uma execução militar é um procedimento sem precedentes na história moderna dos Estados Unidos. No âmbito civil, tribunais federais barraram tentativas anteriores de emissoras de televisão que pretendiam transmitir a aplicação da pena de morte. Especialistas em direito internacional apontam que não há registro de outra nação democrática contemporânea que veicule execuções legais pela televisão ou por plataformas digitais.

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A última execução pública legalmente permitida em território americano ocorreu em 1936, ocasião em que milhares de pessoas compareceram ao enforcamento de um homem negro no estado do Kentucky. Já no sistema de justiça das Forças Armadas, a execução mais recente por pelotão de fuzilamento foi aplicada em 1945, enquanto a última morte ordenada por corte marcial aconteceu em 1961, pelo método de enforcamento. Atualmente, existem 4 condenados no corredor da morte militar norte-americano.

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O anúncio da transmissão pública provocou críticas imediatas de organismos multilaterais e juristas. Representantes ligados à Organização das Nações Unidas apontaram que exibições públicas de execuções contrariam os padrões internacionais de proteção contra a tortura e violam a dignidade humana. O governo federal americano, contudo, não ratificou os protocolos internacionais da entidade que vetam categoricamente espetáculos públicos com sentenças capitais.

Especialista de Yale analisa legalidade da ordem contra Nidal Hasan

O professor da Faculdade de Direito de Yale e especialista em direito militar Eugene Fidell avaliou que a decisão presidencial encontra amparo nas regras internas da hierarquia militar americana, embora represente uma ruptura nos costumes jurídicos do país.

“Independentemente de qual seja a opinião das pessoas sobre o caso do major Hasan ou sobre a pena de morte em geral, a ideia de realizar um espetáculo público é realmente muito lamentável, e gostaria de acreditar que o governo reconsideraria essa decisão”, disse Eugene Fidell.

Fidell destacou que execuções públicas remetem a séculos passados e aproximam a imagem do país de regimes autoritários. O jurista explicou ainda que o sentenciado poderia ingressar com um pedido de habeas corpus na Justiça comum para contestar o fuzilamento, o que teria potencial de paralisar a execução por anos, embora Hasan não tenha apresentado recursos extensos em etapas processuais anteriores.

Ataque em Fort Hood e os critérios do Código Uniforme de Justiça Militar

O crime que resultou na sentença ocorreu em 5 de novembro de 2009, no Centro de Processamento de Prontidão de Soldados da base de Fort Hood. Naquela data, Hasan sacou uma pistola semiautomática com mira a laser e abriu fogo contra militares desarmados que passavam por exames médicos antes do envio ao exterior. O tiroteio vitimou 12 soldados em serviço e um militar aposentado, além de causar ferimentos em dezenas de presentes.

Atingido por disparos efetuados por policiais civis da base durante o cerco, Hasan sofreu ferimentos na coluna que o deixaram parcialmente paralisado, passando a se locomover em cadeira de rodas. Em agosto de 2013, uma corte marcial o considerou culpado por 45 acusações de homicídio premeditado e tentativa de homicídio premeditado, sentenciando-o à morte por votação unânime do júri militar.

Pelas regras do Código Uniforme de Justiça Militar, nenhuma sentença de pena capital imposta pelas Forças Armadas pode ser executada sem a autorização expressa e direta do presidente dos Estados Unidos, condição que foi preenchida com a assinatura formal de Donald Trump no início do mês.

Debate sobre pelotão de fuzilamento e indefinições técnicas no Pentágono

A escolha do pelotão de fuzilamento ocorre em um momento de debates acentuados sobre as opções de execução nos Estados Unidos. A discussão ganhou intensidade após um procedimento com injeção letal falhar no estado do Tennessee em 30 de setembro de 2026, quando a detenta Christa Pike sobreviveu à aplicação de duas doses de pentobarbital e precisou ser encaminhada a uma unidade hospitalar sob suporte avançado de vida.

O porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, e o secretário interino do Exército, Adam Telle, foram encarregados de alinhar os preparativos logísticos do ato em Fort Hood. Parnell afirmou publicamente que os atos preparatórios avançam e sustentou que o cumprimento da pena atende às famílias dos militares mortos.

Até o momento, o Pentágono não divulgou qual servidor ou plataforma digital transmitirá o sinal de vídeo da execução, nem se haverá restrições etárias, cadastros obrigatórios de telespectadores ou barreiras técnicas de acesso. A defesa de Hasan também não informou publicamente se planeja acionar tribunais federais antes do dia 3 de dezembro de 2026.