Hábito de roer em cães melhora a cognição e exige descarte de ossos cozidos

Cachorro, cão - New Africa / shutterstock.com

Cachorro, cão - New Africa / shutterstock.com

O hábito de roer dos cães representa uma necessidade biológica indispensável para a regulação emocional e a saúde física dos animais domésticos. A constatação integra uma revisão científica da Universidade de Sydney que identificou dez benefícios funcionais na atividade mastigatória, incluindo a queda expressiva nos índices de cortisol associados ao estresse crônico.

A etóloga Gabriela Barrera, professora do Mestrado em Etologia da Universidade Autônoma de Madri, explicou que as transformações evolutivas da domesticação adaptaram o sistema digestivo dos canídeos ao amido e diminuíram o tamanho de suas mandíbulas, mas preservaram o impulso de morder. “Quando um cão rói algo, não é um simples ato de destruição sem sentido. É uma das formas mais antigas e profundas que eles têm de se relacionar com o mundo, de se acalmar, de explorar, afinal de contas, de serem cães”, afirmou a professora, em tradução livre.

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Revisão da Universidade de Sydney aponta dez funções da mastigação canina

Foto: Cão, cachorro – Kinek00/shutterstock.com

Conduzida pela pesquisadora Rimini Quinn e pelo pesquisador sênior Paul McGreevy, da Faculdade de Veterinária da Universidade de Sydney, a investigação analisou o impacto da mastigação na biologia de canídeos domésticos e selvagens. O estudo utilizou os modelos teóricos das Quatro Perguntas de Tinbergen e os Cinco Domínios do bem-estar animal para estruturar como a ação física atua no organismo. Publicado no periódico Frontiers in Veterinary Science em 26 de março de 2025, o levantamento comprovou que a mastigação melhora a higiene bucal, auxilia a saúde digestiva e aprimora a memória de trabalho em cães ansiosos.

As conclusões científicas indicam que a mastigação frequente vai além da saciedade alimentar proporcionada pelas refeições diárias. Enquanto a alimentação convencional preenche o estômago, ela não atende à exigência motora e neural de triturar superfícies, o que pode desencadear comportamentos destrutivos dentro de casa quando o animal não recebe estímulos direcionados.

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Redução de cortisol e regulação emocional na rotina dos cães

O estímulo mecânico prolongado nas mandíbulas ativa respostas bioquímicas que diminuem as concentrações plasmáticas de cortisol durante fases de estresse crônico. Essa desaceleração hormonal equilibra o comportamento diário de cães submetidos a mudanças de ambiente, ruídos intensos ou períodos de isolamento residencial. Ao mesmo tempo, o ato repetitivo de morder e rasgar mantém ativo o sistema cognitivo, oferecendo uma válvula de escape para impulsos ancestrais de predação que não encontram espaço nas dietas industriais convencionais.

Além de atuar sobre a ansiedade, a atividade estimula a salivação contínua, fator que contribui para o equilíbrio enzimático do trato gastrointestinal e previne o acúmulo precoce de resíduos nas superfícies dentárias.

Riscos de gravetos e ossos cozidos segundo diretrizes veterinárias

Diretrizes veterinárias e orientações da American Animal Hospital Association desaconselham o uso de pedaços de madeira colhidos em parques e ossos cozidos de galinha ou outros animais. A literatura técnica registra que lascas de gravetos provocam lesões orofaríngeas severas e perfurações internas no trato digestivo dos canídeos.

No caso dos ossos submetidos a altas temperaturas durante o cozimento, o colágeno perde a maleabilidade, tornando o material excessivamente frágil. A quebra gera pontas cortantes capazes de lacerar o esôfago e o estômago. O mesmo alerta recai sobre itens excessivamente rígidos comercializados como produtos naturais, a exemplo de chifres e galhadas de cervídeos, que geram fraturas mecânicas nos dentes pré-molares e molares dos cães.

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Critérios para escolha de mordedores e opções seguras para cães

A seleção dos objetos de mastigação deve considerar o porte físico, a faixa etária, o desenho craniano e a intensidade com que o animal mastiga:

  • Filhotes em dentição: o uso de cenouras congeladas desinflama as gengivas e alivia a dor provocada pelo nascimento da dentição definitiva, devendo o alimento ser retirado quando amolecer;
  • Raças braquicefálicas: animais como buldogues, pugs e boxers demandam brinquedos mais curtos e espessos para se ajustarem à mandíbula achatada, que apresenta dificuldade no manuseio de hastes longas;
  • Tamanho do produto: peças mastigáveis precisam exceder a abertura bucal máxima do animal para impedir a deglutição acidental do bloco inteiro;
  • Observação nos 10 minutos iniciais: a entrega de um novo material exige acompanhamento direto nos primeiros 10 minutos para medir o ritmo de desgaste e prevenir a ingestão de partes soltas.

Tutores devem inspecionar o estado dos brinquedos ao final de cada sessão e descartar peças desgastadas antes que fragmentos menores sejam engolidos.