Residência de Putin em Sochi é reconstruída sob sigilo militar

Vladimir Putin - Octavio Hoyos / Shutterstock.com

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A residência oficial de Vladimir Putin em Sochi foi totalmente demolida e passa por uma reconstrução ampliada sob sigilo de Estado. O complexo de Bocharov Ruchey, localizado no Krai de Krasnodar, às margens do mar Negro, teve suas estruturas históricas derrubadas em 2024 para dar lugar a edificações consideravelmente maiores, protegidas por uma zona de segurança de mais de 3 km².

O projeto ocorre sob a coordenação do Serviço Federal de Proteção (FSO), órgão responsável pela custódia das principais autoridades russas, mesmo após as visitas do líder russo à região costeira caírem de 24 vezes em 2021 para apenas 2 registros anuais em 2024 e 2025, reflexo do alcance ampliado de drones ucranianos.

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Contrato militar e obras em Bocharov Ruchey

As intervenções no terreno de Bocharov Ruchey foram formalizadas por meio de um contrato estatal sigiloso de compras de defesa identificado pela sequência numérica de 25 dígitos 2327202903572000000000000. Os primeiros algarismos indicam a vigência do acordo entre 2023 e 2027, enquanto a sequência intermediária 202 aponta o registro do FSO como entidade contratante. A principal executora das obras é a empresa TSI Group, vinculada à Transstroiinvest e registrada na Crimeia anexada, sob controle do empresário Alexei Fomenko, de 47 anos, associado ao bilionário Arkady Rotenberg.

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A demolição começou discretamente em 2024, sem manifestações públicas do governo, abrindo espaço para escavações profundas constatadas em setembro de 2025. No outono de 2026, imagens de satélite registraram coberturas finalizadas em edifícios que superam a metragem do complexo original. Documentos de litígios judiciais entre subempreiteiras detalham que orçamentos parciais variaram de 90 milhões a 500 milhões de rublos, envolvendo reparos de falhas estruturais em paredes da casa principal e atrasos no cronograma por parte do instituto Voenmorproekt-30, sediado em Sebastopol.

Como a residência de Putin opera o recrutamento em Sochi?

Bandeira da Russia – Nick NA/shutterstock.com

O recrutamento de operários para as obras de Bocharov Ruchey ocorreu por meio de anúncios virtuais em redes sociais e páginas de empregos, oferecendo pagamento em dinheiro, alimentação diária e acomodação com piscina. As convocações exigiam aprovação prévia em verificações de antecedentes criminais conduzidas pelas autoridades de segurança interna da Rússia. Os comunicados explicitavam as condições de trabalho: “Uma residência está sendo construída”, “Bocharov Ruchey — acesso controlado” e “A instalação é estratégica”. Outra publicação informava aos interessados que “a fiscalização técnica não é rígida. Os serviços de segurança interna da Rússia acompanham o fluxo de dinheiro, então tudo é correto e transparente”.

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As contratações abrangeram equipes para edifícios de dois a quatro andares, inicialmente limitadas a cidadãos russos e depois estendidas a trabalhadores de Belarus, Cazaquistão e Quirguistão. Em 2026, o foco dos canteiros de obras migrou para a fase de acabamento interno, gerando novos anúncios para funções de encanamento, colocação de portas e instalação de luminárias. Naquele período, um responsável pela seleção de mão de obra ressaltou a dimensão do projeto: “O volume de trabalho é muito grande, precisamos de muita gente, mas tem que ser gente especializada”.

Dados da reconstrução de Bocharov Ruchey

  • Localização da obra: Sochi, Krai de Krasnodar, Federação Russa
  • Código de identificação do contrato militar de defesa: 2327202903572000000000000
  • Período de vigência do contrato sigiloso: de 2023 a 2027
  • Área do perímetro de segurança delimitado pelo FSO: mais de 3 km²
  • Empreiteira principal: TSI Group, ligada ao empresário Alexei Fomenko e à Transstroiinvest
  • Edifício preservado no complexo: Bocharov Ruchey-2, erguido em 2014

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Histórico de Bocharov Ruchey desde a era soviética

Erguida no período soviético, a residência de Bocharov Ruchey serviu de refúgio de verão para governantes como Nikita Khrushchev e Leonid Brezhnev, além de Boris Yeltsin após o colapso da União Soviética. Vladimir Putin utilizou as instalações pela primeira vez em 1 de maio de 2000, poucos dias antes de sua cerimônia de posse presidencial. A formalização da propriedade como residência oficial ocorreu em 1 de janeiro de 2008, garantindo prerrogativas detalhadas por Vladimir Kozhin, então chefe do Departamento de Administração de Propriedades da Presidência russa, que definiu a área como local para o mandatário “se hospedar, trabalhar, morar e exercer todas as suas funções, inclusive a de comandante supremo das Forças Armadas”.

O complexo preservou o edifício autônomo Bocharov Ruchey-2, construído para atender aos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi em 2014. A estrutura continuou sendo o endereço de despachos e encontros diplomáticos do governo russo durante a fase de escavações e reconstrução, sediando reuniões como a realizada em 6 de março de 2024 entre Putin e o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi. O histórico da empreiteira TSI inclui ainda 54 contratos no montante de US$ 330 milhões, o equivalente a cerca de R$ 1,65 bilhão, entre 2022 e 2025 para a remodelação do centro infantil Artek, na Crimeia, além de serviços em outra residência presidencial em Oliva e no cinema Pobeda, em Mariupol.

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O custo global do contrato militar de Bocharov Ruchey não é público devido à classificação de segurança máxima imposta pelo governo da Rússia, assim como a finalidade específica dos novos blocos e a presença de eventuais estruturas subterrâneas não puderam ser verificadas pelas análises orbitais. O porta-voz da Presidência russa, Dmitry Peskov, os representantes da Transstroiinvest, Alexei Fomenko e Arkady Rotenberg não responderam às solicitações de esclarecimento sobre o projeto, cujas obras têm encerramento previsto para 2027.