Santa Maria une fosseis de 230 milhoes de anos e polo da UFSM

fóssil de dinossauro

fóssil de dinossauro - Danny Ye/Shutterstock.com

O município gaúcho de Santa Maria reúne um dos acervos paleontológicos mais antigos do planeta, com rochas sedimentares e fósseis do período Triássico datados entre 230 e 233 milhões de anos. O território da Região Central do Rio Grande do Sul se consolidou como referência internacional na reconstituição dos primeiros passos da evolução dos dinossauros, combinando os achados de campo ao pioneirismo acadêmico da primeira universidade federal instalada fora de uma capital de estado.

A ligação entre as escavações científicas e o desenvolvimento regional ganhou força institucional com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), estabelecida na década de 1960. O secretário municipal de Turismo de Santa Maria, Ewerton Falk, destacou o valor desse patrimônio pré-histórico para a identidade do município: “Santa Maria é berço do primeiro dinossauro brasileiro, o Staurikossaurus Pricei. Através desta mostra, queremos não só educar, mas também inspirar visitantes a explorar as maravilhas que a nossa terra guarda, promovendo um turismo consciente e valorizando a nossa história milenar”.

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Fósseis de 230 milhões de anos marcam a paleontologia de Santa Maria

Foto: cranio de dinossauro – Allora Empire Art/Shutterstock.com

As formações rochosas que afloram no perímetro urbano e rural de Santa Maria preservam registros biológicos do início da Era Mesozoica. No subsolo local, expedições científicas identificaram exemplares únicos da fauna que habitava a Terra antes da separação dos continentes. O ponto de partida para o reconhecimento internacional ocorreu com a descoberta do Staurikosaurus pricei na Sanga da Alemoa, realizada em 1936 pelo paleontólogo santa-mariense Llewellyn Ivor Price. O animal é catalogado como o primeiro dinossauro descrito no território brasileiro e figura entre os registros mais arcaicos da linhagem desses répteis no mundo.

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Mais de vinte sítios paleontológicos estão mapeados no município, onde camadas sedimentares revelam fósseis de rincossauros e predadores basais como o Gnathovorax, fundamentais para que pesquisadores compreendam a irradiação dos arcossauros primitivos. A relevância geológica do perímetro estende-se pela Região Central, integrando o Geoparque Quarta Colônia, cuja área obteve a chancela oficial de Geoparque Mundial pela Unesco em conferência realizada em Paris no dia 24 de maio de 2023, sob coordenação técnico-científica compartilhada com a UFSM.

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UFSM e a criação da primeira universidade federal do interior

A estrutura de investigação científica da cidade baseia-se no modelo implementado pelo médico e professor José Mariano da Rocha Filho, principal articulador da criação do ensino superior público federal descentralizado. A instituição foi oficialmente criada por meio da Lei nº 3.834-C, promulgada em 14 de dezembro de 1960, e iniciou suas atividades administrativas e acadêmicas em cerimônia de instalação realizada em 18 de março de 1961.

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O campus principal da UFSM, construído no bairro Camobi, ocupa mais de 1.800 hectares e concentra instalações de grande porte que apoiam o trabalho de campo, a extensão comunitária e a pesquisa biomédica e paleontológica. A estrutura do complexo reúne dezenas de cursos de graduação, planetário aberto ao público, hospital veterinário, moradia para estudantes e o Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM). O centro de saúde atua como polo de atendimento de alta complexidade do Sistema Único de Saúde para uma população estimada em mais de 1,3 milhão de pessoas distribuídas por dezenas de municípios da região central gaúcha.

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Quais fatores consolidam a estrutura urbana de Santa Maria?

A ocupação da cidade começou em 1797 com o estabelecimento de um acampamento militar de comissões de Portugal e Espanha encarregadas de demarcar as fronteiras dos impérios coloniais no continente. A localidade conquistou sua emancipação política e administrativa no ano de 1876, passando por uma rápida expansão urbana a partir de 1885, quando a rede de trilhos ferroviários alcançou a região e transformou o núcleo em um entroncamento logístico fundamental para a circulação de passageiros e mercadorias no Rio Grande do Sul.

O reflexo dessa fase de industrialização e transporte persiste na arquitetura da Vila Belga, erguida no começo do século XX pela empresa belga Compagnie Auxiliaire des Chemins de Fer au Brésil para abrigar ferroviários. O conjunto residencial e a Gare da Estação compõem uma mancha urbana protegida por tombamento nas esferas municipal, estadual e federal, abrigando programações comunitárias periódicas que reúnem comércio artesanal e memória histórica.

Marcos históricos, científicos e demográficos de Santa Maria

  • 230 milhões a 233 milhões de anos: idade estimada das camadas de rochas sedimentares que contêm os fósseis do período Triássico na região;
  • 1797: instalação do acampamento demarcador de limites luso-espanhóis que originou a povoação urbana;
  • 1885: início das operações ferroviárias que impulsionaram a imigração e o comércio no centro do estado;
  • 14 de dezembro de 1960: sanção da Lei nº 3.834-C que criou a universidade federal no interior gaúcho;
  • 18 de março de 1961: ato formal de instalação das atividades da UFSM sob a gestão de José Mariano da Rocha Filho;
  • 24 de maio de 2023: reconhecimento internacional do Geoparque Quarta Colônia como Geoparque Mundial pela Unesco;
  • 271.735 moradores: população oficial apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Censo Demográfico de 2022;
  • 282.397 habitantes: contingente populacional projetado pelas estimativas estatísticas do IBGE para o município;
  • 0,784: Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) calculado para a cidade pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD);
  • 290 quilômetros: distância rodoviária aproximada pela malha viária até a capital Porto Alegre.

Gestão pública e análises econômicas em Santa Maria

Não há detalhamento oficial independente validando em tempo real o ranking exato de 2024 a respeito de custos médios de vida em relação a outras cidades médias da Região Sul. Levantamentos regionais tratam a localidade a partir da percepção de custo-benefício econômico impulsionado pelo perfil do comércio varejista, serviços de saúde e ampla oferta de moradias estudantis geradas pela comunidade acadêmica.

O quinto município mais populoso do estado passará por nova etapa administrativa com a posse do prefeito eleito Rodrigo Decimo para a gestão municipal do mandato de 2025 a 2028, responsável pelo planejamento urbano e pela gestão das políticas de preservação do patrimônio histórico e paleontológico local.