NASA localiza na Lua a cratera McGetchin de 222 metros de largura

cratera na Lua - NASA Goddard/Intuitive Machines Foto: cratera na Lua - NASA Goddard/Intuitive Machines

Imagens captadas pelo satélite artificial Lunar Reconnaissance Orbiter, administrado pela NASA, confirmaram a existência de uma cavidade de 222 metros de extensão provocada pela queda de um cometa ou asteroide no solo lunar. O evento cósmico aconteceu entre abril e maio de 2024, dando origem ao maior relevo de choque recente registrado no corpo celeste.

O local recebeu a denominação oficial de McGetchin, em homenagem ao pesquisador norte-americano Thomas McGetchin por suas contribuições aos estudos geológicos lunares. A União Astronômica Internacional aprovou o batismo formal da formação após a consolidação dos dados científicos obtidos em órbita.

Nasa divulga imagem inédita de Marte com paredões esculpidos - Globo
Foto: Nasa divulga imagem inédita de Marte com paredões esculpidos – Globo

Cavidade atinge 43 metros de profundidade e supera área de arenas históricas

Com 43 metros medidos do topo ao fundo, a depressão apresenta profundidade equivalente à altura de três ônibus escolares enfileirados na vertical. A extensão transversal se equipara ao espaço ocupado pelo Coliseu de Roma, o que demonstra a magnitude do evento. De acordo com as análises matemáticas da equipe orbital, o fragmento rochoso responsável pelo choque media o mesmo que um prédio residencial de três a seis andares.

Choques astronômicos com essa intensidade energética são raros e costumam acontecer no satélite natural somente uma vez por século. O intervalo médio estimado para um impacto desse porte alcança cerca de 130 anos, tornando o registro uma oportunidade científica singular para a observação de terrenos recém-modificados.

Dispersão de poeira provoca resfriamento noturno e afeta camada superficial

A força mecânica da colisão lançou detritos e poeira fina a distâncias superiores a 100 quilômetros da borda principal. Em um perímetro de 7 quilômetros ao redor do ponto de queda, os sensores constataram que as temperaturas caíram cerca de 9 °C no período noturno. O fenômeno ocorreu porque a perturbação descompactou o regolito, o manto rochoso superficial do astro, diminuindo a capacidade de retenção térmica natural do terreno.

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Os pesquisadores organizaram um relatório detalhado com os desdobramentos físicos imediatos resultantes do impacto na crosta lunar. O levantamento técnico catalogou variações térmicas, geológicas e mecânicas:

  • Redução de calor noturno em raio aproximado de 7 quilômetros ao redor da depressão
  • Manto de regolito mais solto e com densidade reduzida
  • Dispersão de fragmentos rochosos em área superior a 100 quilômetros
  • Alterações nas condições de atrito para o deslocamento futuro de veículos exploratórios robóticos

O professor David Paige, vinculado à Universidade da Califórnia em Los Angeles, comparou o efeito da colisão cósmica a um processo agrícola de aragem do solo. “Agora estamos pensando nos impactos como uma forma de cultivar o regolito — revolvendo os sedimentos e colocando na superfície material que normalmente fica abaixo dela”, afirmou o docente.

Especialista encontrou mancha luminosa incomum em checagem de mapas orbitais

A localização inicial da depressão foi conduzida pelo especialista Robert Wagner durante uma conferência rotineira de arquivos fotográficos espaciais acumulados pela missão. Ao identificar uma luminosidade anômala com bordas escuras nos mosaicos cartográficos, o analista decidiu suspender as demais atividades para examinar as coordenadas. Esse procedimento de comparação visual entre registros permitiu isolar o ponto exato da alteração recente no terreno.

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O pesquisador descreveu o instante em que percebeu a anomalia: “Eu simplesmente parei, larguei tudo e comecei a investigar o que era aquele ponto”. A conferência detalhada dos dados enviados pela câmera de alta definição do equipamento orbital garantiu separar a estrutura verdadeira das variações de sombra e brilho que costumam provocar alarmes falsos nas rotinas automáticas de triagem.

Frequência de meteoritos orienta o planejamento de abrigos humanos permanentes

Desde 2009, a sonda Lunar Reconnaissance Orbiter já registrou mais de 1.000 cavidades inéditas e perto de 100 mil modificações na topografia causadas pelo impacto de meteoritos. Os levantamentos indicam que os primeiros 2 centímetros de poeira lunar se renovam a cada 80 mil anos. Essa movimentação contínua demonstra que as pegadas históricas dos astronautas do programa Apollo não ficarão preservadas indefinidamente.

Os parâmetros de fragmentação e dispersão de rochas servem de referência para equipes de engenharia espacial no projeto de abrigos tripulados mais resistentes a choques mecânicos. A mensuração detalhada dessas colisões orienta o desenvolvimento de proteções adequadas para futuras estruturas operadas por missões humanas na superfície.

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