Saúde mental nas empresas atinge segundo maior índice da série

Ansiedade, depressão Foto: Ansiedade, depressão - Ake Ngiamsanguan/ Istockphoto.com

O índice de atenção corporativa à saúde mental nas empresas brasileiras atingiu 8,02 pontos em 2026, em uma escala que vai até 16. O resultado representa o segundo maior patamar de toda a série histórica do indicador, ficando abaixo apenas da marca apurada no ano anterior, quando alcançou o recorde de 8,19 pontos.

Os dados constam na 4ª edição do Anuário Saúde Mental nas Empresas, elaborado pelo Instituto Philos Org e divulgado neste sábado (10), data em que se celebra o Dia Mundial da Saúde Mental. O levantamento analisa relatórios de sustentabilidade e relatos integrados divulgados publicamente pelas próprias companhias para mensurar o nível de comprometimento institucional com o bem-estar psicológico das equipes.

Setor financeiro lidera índice corporativo de 2026

Na divisão por segmentos econômicos, o setor financeiro garantiu a liderança setorial no anuário pelo segundo ano consecutivo. O topo do levantamento setorial reflete uma movimentação mais consolidada de bancos e instituições em programas de assistência psicológica e monitoramento de rotinas internas, ao passo que as menores pontuações ficaram concentradas nas áreas de alimentos e bebidas, com 6,09 pontos, e no agronegócio, que obteve 5,78 pontos na avaliação geral do instituto.

A série histórica do estudo mostra oscilações acentuadas nos últimos quatro anos de medição. Em 2023, o indicador geral começou marcando 5,40 pontos, caiu para 5,06 pontos em 2024 e teve um salto expressivo até chegar a 8,19 pontos em 2025, antes do leve recuo de 0,17 ponto verificado na apuração fechada em 2026. A metodologia adota exclusivamente documentos oficiais das companhias para estruturar as notas setoriais.

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Afastamentos pelo INSS batem recorde histórico

O nível de atenção das companhias ocorre em meio a um quadro de pressão sobre o sistema previdenciário e os custos operacionais. O número de afastamentos de trabalhadores motivados por transtornos mentais e comportamentais no Brasil atingiu cerca de 546 mil pessoas em 2025. Esse total representou o maior patamar já registrado em toda a série histórica do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), indicando que um em cada sete afastados formais no país deixou temporariamente o posto por questões emocionais e psíquicas.

Mãos, ansiedade, nervoso, estresse
Foto: Mãos, ansiedade, nervoso, estresse – PeopleImages/Shutterstock.com

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O desgaste emocional no ambiente corporativo também transparece em sondagens clínicas do setor privado. Um levantamento feito pela empresa de saúde Starbem com 1.868 trabalhadores apontou que 72% dos profissionais brasileiros afirmam operar em modo de sobrevivência, estágio associado a altos níveis de estresse e tensão aguda. Além disso, 58% dos entrevistados relataram qualidade de sono classificada como ruim ou péssima durante a rotina produtiva.

O impacto atinge diretamente a capacidade produtiva do país em um momento de estagnação. Segundo indicadores apurados pelo FGV Ibre e divulgados em 16 de junho de 2026 pelo pesquisador Fernando de Holanda Barbosa Filho, a produtividade brasileira calculada por horas efetivamente trabalhadas recuou 0,5% no primeiro trimestre de 2026 na comparação direta com o mesmo período do ano anterior. No plano internacional, estimativas da Organização Internacional do Trabalho (OIT) apontam que depressão e ansiedade causam a perda de 12 bilhões de dias de trabalho por ano no mundo, gerando prejuízo anual calculado em US$ 1 trilhão.

Como a NR-1 altera as obrigações sobre saúde mental?

O cenário de esgotamento e custos elevados acelerou medidas regulatórias que impactam o dia a dia administrativo das companhias. Desde 26 de maio de 2026, a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) obriga empresas de todo o país a incluírem formalmente a gestão de riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Com essa exigência legal, temas como assédio, metas excessivas, sobrecarga de horários e pressão psicológica passaram a ter tratamento obrigatório equivalente aos riscos físicos, químicos e biológicos no ambiente de trabalho.

“A partir do momento em que a norma exige um olhar estruturado para os riscos psicossociais, as empresas passam a ter mais condições de identificar padrões antes do esgotamento, agindo preventivamente para tratar a raiz do problema, e não apenas os seus sintomas”, afirmou Amanda Bittencourt, gerente de unidade de negócios da Care Plus Ocupacional.

Dados do Anuário Saúde Mental nas Empresas de 2026

  • Índice geral registrado em 2026: 8,02 pontos em uma escala máxima de 16 pontos
  • Índice apurado em 2025: 8,19 pontos, patamar recorde da série
  • Afastamentos registrados pelo INSS em 2025: cerca de 546 mil trabalhadores
  • Data de divulgação do anuário: sábado, 10 de outubro de 2026
  • Vigência da nova exigência da NR-1: desde 26 de maio de 2026

A íntegra com a ordem individual das companhias avaliadas pela 4ª edição do estudo ainda não teve confirmação unificada nos relatórios preliminares abertos do Instituto Philos Org, que devem detalhar nos próximos dias as métricas corporativas por segmento.

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