Bolsa Família eleva piso nacional para R$ 691 a partir de outubro

Bolsa Família Foto: Bolsa Família - Gabriel Lyon/ MDS/ Gov.br

O programa Bolsa Família eleva o piso nacional para R$ 691,00 por mês na folha de pagamentos de outubro de 2026, após a oficialização de um reajuste de 15,04% sobre os benefícios. A recomposição atende famílias com renda mensal de até R$ 218,00 por integrante e eleva o benefício médio nacional para a marca estimada de R$ 777,00 por família.

A atualização foi formalizada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, por meio do Decreto nº 13.120, assinado em 17 de setembro de 2026, com efeitos financeiros iniciados em 1 de outubro de 2026. O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, afirmou que “a atualização dos valores contribui para manter a capacidade de proteção de renda do programa e assegurar às famílias condições para atender necessidades essenciais.”

Novos valores do Bolsa Família e adicionais por dependente

Calendario Bolsa Familia
Foto: Calendario Bolsa Familia

O valor recebido por cada grupo familiar é formado pela combinação de benefícios básicos e adicionais conforme o perfil dos integrantes. Com a aplicação do índice de 15,04%, todas as modalidades que integram a cesta de pagamento tiveram os valores unitários corrigidos para novos patamares.

O Benefício de Renda de Cidadania (BRC), transferido a cada pessoa da composição familiar, subiu de R$ 142,00 para R$ 164,00. As faixas adicionais voltadas à infância, gestação e adolescência também foram corrigidas e incidem diretamente no cálculo da folha mensal.

  • Piso nacional por família: R$ 691,00 por mês (anteriormente R$ 600,00)
  • Benefício de Renda de Cidadania (BRC): R$ 164,00 por pessoa (anteriormente R$ 142,00)
  • Benefício Primeira Infância (BPI): R$ 173,00 por criança de zero a 7 anos incompletos (anteriormente R$ 150,00)
  • Benefício Variável Familiar (BVF): R$ 58,00 por gestante, nutriz e jovem de 7 a 18 anos incompletos (anteriormente R$ 50,00)
  • Benefício Complementar (BCO): valor variável calculado para assegurar o piso de R$ 691,00 sempre que a soma dos demais repasses for inferior a essa quantia

Simulações do Bolsa Família para famílias com filhos

A estrutura de transferências estabelece montantes distintos de acordo com a quantidade de dependentes e as respectivas idades. Em um lar composto por mãe e um filho de até 6 anos, a soma do Benefício de Renda de Cidadania dos dois membros totaliza R$ 328,00, à qual se acrescenta o adicional de R$ 173,00 da Primeira Infância, alcançando R$ 501,00. Como a soma fica abaixo da garantia legal, o sistema adiciona R$ 190,00 de Benefício Complementar para entregar os R$ 691,00 estabelecidos em norma.

Caso esse único filho tenha idade entre 7 e 17 anos, a família reúne R$ 328,00 de base e R$ 58,00 do Benefício Variável Familiar, somando R$ 386,00. O complemento governamental cobre a diferença de R$ 305,00 para assegurar o piso de R$ 691,00.

Para núcleos familiares com dois filhos, os totais podem superar a base mínima do programa. Quando a mãe reside com duas crianças de até 6 anos, o cálculo une R$ 492,00 referentes ao BRC de três integrantes com duas cotas de R$ 173,00 da Primeira Infância, perfazendo um repasse mensal de R$ 838,00, sem necessidade de complemento.

Se o grupo familiar tiver um filho de 4 anos e outro de 10 anos, a quantia final soma R$ 492,00 da cota básica individual, R$ 173,00 da Primeira Infância e R$ 58,00 do adicional variável, totalizando R$ 723,00 por mês. Já no caso de ambos os filhos terem entre 7 e 17 anos, a soma gera R$ 492,00 do valor por pessoa e R$ 116,00 de duas parcelas variáveis, alcançando R$ 608,00. Nesse formato, o Benefício Complementar injeta R$ 83,00 para fechar a transferência nos R$ 691,00.

Cálculo da inflação e impacto orçamentário de R$ 5,8 bilhões

A correção acumulada de 15,04% tem como base a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) apurada entre março de 2023 e agosto de 2026. Trata-se da primeira recomposição inflacionária autorizada desde a publicação da Lei nº 14.601, em março de 2023, legislação que recriou a estrutura do programa e autorizou o Poder Executivo a promover revisões em intervalos de até 24 meses, com a proibição expressa de qualquer redução nominal nos valores transferidos.

Nas contas públicas federais, a recomposição dos benefícios tem impacto orçamentário previsto em R$ 5,8 bilhões para o exercício de 2026, com projeção de despesa situada entre R$ 22 bilhões e R$ 22,7 bilhões ao longo de 2027. Diante dessas estimativas financeiras, o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União protocolou um pedido formal de esclarecimentos e suspensão cautelar para analisar as fontes de custeio e a regularidade orçamentária das despesas adicionais vinculadas ao decreto assinado pelo presidente e chancelado pela equipe governamental, na qual atua o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti.

Pagamentos do Bolsa Família em outubro e canais de consulta

Os beneficiários têm acesso às parcelas corrigidas por meio das contas operadas pela Caixa Econômica Federal. Para receber os recursos, o grupo familiar deve estar regularmente inscrito no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) e manter renda mensal individual de até R$ 218,00, além de cumprir os requisitos de frequência escolar e acompanhamento do calendário de vacinação.

A liberação dos recursos da folha de outubro de 2026 começa em 19 de outubro de 2026, data em que os saques ficam disponíveis para os titulares com Número de Identificação Social (NIS) de dígito final 1. O cronograma segue de forma escalonada até o atendimento dos beneficiários com NIS de dígito final 0 nos dias úteis subsequentes.

As famílias cadastradas podem verificar os valores exatos da folha, a composição dos adicionais e a situação do benefício por meio dos canais oficiais do governo federal:

  • Aplicativo Bolsa Família em aparelhos celulares
  • Aplicativo Caixa Tem para movimentação bancária e saques
  • Central de atendimento telefônico Disque Social pelo número 121

O processo de repasse permanece sob avaliação do Tribunal de Contas da União, que analisa a representação ministerial sobre os recursos orçamentários enquanto os pagamentos são executados pela Caixa Econômica Federal a partir de 19 de outubro de 2026.

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