Regras da FIFA impedem Argentina de aposentar a camisa 10 de Messi

A camisa 10 de Lionel Messi não poderá ser aposentada em definitivo pela Associação do Futebol Argentino nas competições oficiais chanceladas pela entidade máxima do esporte. O regulamento da FIFA impõe uma sequência contínua de numeração de 1 a 26 para todas as seleções inscritas em torneios oficiais, como a Copa do Mundo e as Eliminatórias, o que inviabiliza a exclusão definitiva do número nas listas formais do país.

O plano da confederação sul-americana era retirar a numeração dos gramados internacionais assim que o capitão se despedisse da equipe. O presidente da Associação do Futebol Argentino, Claudio Fabián Tapia, já havia declarado a intenção institucional de homenagear o atacante: “A camisa número 10 da seleção nacional será retirada assim que Messi terminar sua carreira internacional”, afirmou o dirigente, em tradução livre. Contudo, as normas desportivas globais limitam essa autonomia a compromissos não oficiais.

Normas da FIFA exigem numeração estrita de 1 a 26 para seleções

O manual de competições da entidade desportiva máxima estabelece critérios fixos para a identificação dos elencos em torneios mundiais e continentais. Caso uma associação decida inscrever o limite de 26 atletas permitidos pelo regulamento, é obrigatório preencher cada número de forma sequencial, sem lacunas. Dessa maneira, a exigência de numeração contínua impede a federação argentina de deixar o número 10 vago em competições oficiais.

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A federação nacional dispõe de liberdade administrativa para deixar a camisa 10 de fora apenas em partidas amistosas, ocasiões em que a organização local possui flexibilidade para distribuir os uniformes entre os atletas convocados. Em qualquer disputa chancelada pela FIFA ou pela Confederação Sul-Americana de Futebol, a comissão técnica liderada por Lionel Scaloni terá de relacionar um atleta com o número 10 impresso na camisa e registrado na súmula da partida.

Despedida de Lionel Messi reuniu 85 mil torcedores no Monumental

A discussão burocrática ganhou força imediata após o encerramento do ciclo internacional do atacante pela equipe nacional. Lionel Andrés Messi disputou seu último confronto pela seleção argentina na terça-feira, 6 de outubro de 2026, aos 39 anos de idade, diante de 85 mil torcedores que esgotaram os ingressos no Estádio Monumental de Núñez, em Buenos Aires.

Acompanhe: Lionel Messi encerra ciclo de 126 gols pela Argentina aos 39 anos

Naquela partida festiva, a Argentina venceu a seleção de Benin pelo placar de 3 a 0, com um gol de pênalti e duas assistências registradas pelo camisa 10. O resultado encerrou o ciclo do atacante com a camisa clássica da seleção principal, iniciada oficialmente em 28 de março de 2009.

  • 208 partidas oficiais disputadas por Lionel Messi pela seleção principal
  • 126 gols marcados pelo atacante com a equipe argentina
  • Títulos conquistados com a 10: Copa América em 2021 e 2024, Finalíssima em 2022 e Copa do Mundo em 2022
  • Campanha de vice-campeão mundial na Copa do Mundo de 2026
  • Amistoso final: Argentina 3 a 0 Benin, em 6 de outubro de 2026, em Buenos Aires

Precedente da FIFA vetou homenagem a Diego Maradona em 2002

Esta não é a primeira vez que os dirigentes argentinos tentam imortalizar o uniforme mais emblemático de sua história futebolística e encontram barreiras nas regras internacionais. Em 2002, a federação comandada pelo então presidente Julio Grondona tentou aposentar a numeração em homenagem a Diego Armando Maradona, falecido em 2020. A intenção da federação era inscrever os 23 jogadores convocados para o Mundial da Ásia utilizando as camisas de 1 a 24, pulando o número consagrado pelo ídolo argentino.

No dia 26 de maio de 2002, o Comitê Executivo da FIFA formalizou a rejeição do pedido apresentado pelos dirigentes sul-americanos. A entidade máxima determinou que a relação de jogadores continha uma irregularidade formal e alertou que a vaga só seria validada se o número 10 estivesse em campo. Diante da imposição disciplinar, o meia Ariel Ortega herdou o uniforme na Copa do Mundo disputada na Coreia do Sul e no Japão.

Transição da camisa 10 na seleção de Lionel Scaloni

O técnico da seleção argentina, Lionel Scaloni, já havia antecipado que a gestão do uniforme exigiria cautela técnica e respeito ao processo de renovação do grupo. Em declaração concedida durante a preparação da equipe, o comandante detalhou o plano imediato da comissão técnica para a distribuição das camisas entre os atletas convocados.

“Nestes jogos, ninguém usará a 10, não temos obrigação. Não vamos dar a ninguém até o jogo do Leo, depois veremos. A ideia é que um jogador fique com ela”, afirmou o técnico Lionel Scaloni, indicando a necessidade de transferir a responsabilidade simbólica a outro nome do elenco nos compromissos oficiais seguintes.

Nomes da nova geração argentina, como Nico Paz, Franco Mastantuono, Alexis Mac Allister e Thiago Almada, surgem entre os cotados para utilizar o número histórico nos próximos compromissos da equipe nacional. A Associação do Futebol Argentino e a comissão técnica ainda não definiram oficialmente qual jogador vestirá a camisa 10 na próxima rodada das Eliminatórias.

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