Menina de 12 anos morreu após dois goles de milkshake contaminado em Londres

Menina de 12 anos com reação alérgica fatal - Internet Foto: Menina de 12 anos com reação alérgica fatal - Internet

O inquérito sobre a morte da estudante Mia Shay St Hilaire, de 12 anos, apontou contaminação cruzada em um liquidificador como a causa da reação alérgica fatal sofrida pela jovem em Londres. A conclusão foi oficializada pela assistente de legista Briony Ballard, do Tribunal de Inner South London, na quinta-feira (8 de outubro de 2026), ao encerrar as apurações formais sobre o óbito da menina britânica.

Mia, que morava no distrito de Sydenham e tinha alergia grave a nozes e castanhas, sofreu anafilaxia fulminante depois de ingerir apenas dois goles de um milkshake sabor Twix. O copo do aparelho elétrico continha resíduos de avelã deixados pelo preparo anterior de uma bebida sabor Kinder Bueno, elaborada minutos antes no mesmo equipamento da cafeteria Pop Inn Cafe, situada na Southwark Park Road, no bairro de Bermondsey.

Imagens registradas pelo circuito interno de segurança do comércio revelaram que o operador e proprietário do estabelecimento, Baris Yucel, preparou o pedido da estudante sem realizar a lavagem ou desinfecção do liquidificador. A assistente de legista registrou no veredicto narrativo que a menina apresentou um quadro de choque anafilático de evolução acelerada antes de desmaiar na residência da tia, momento em que sofreu paradas cardíacas.

Socorrida com urgência, a estudante foi internada no Evelina London Children’s Hospital, onde permaneceu sob cuidados intensivos até ter o suporte de vida desligado em 30 de agosto de 2023, após a constatação de falência múltipla de órgãos. O episódio que desencadeou a crise alérgica fatal havia acontecido em 27 de agosto de 2023, quando a jovem informou aos familiares que sentia gosto de nozes logo após o segundo gole.

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Responsabilização de Baris Yucel e penalidades na Justiça britânica

A apuração conduzida pelas autoridades locais revelou que a cozinha da Pop Inn Cafe não possuía procedimentos operacionais para conter a contaminação cruzada entre alimentos. Além da ausência de barreira física ou rotina de higienização, os fiscais sanitários constataram a falta de advertências ou sinalizações sobre a presença de ingredientes alergênicos no cardápio oferecido aos clientes.

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O processo penal sobre o caso tramitou na Justiça do Reino Unido e terminou antes da conclusão do inquérito do legista. No dia 2 de dezembro de 2024, Baris Yucel declarou-se culpado no tribunal Croydon Magistrates Court de seis acusações formais por descumprimento das leis britânicas de segurança e higiene alimentar. Em 24 de janeiro de 2025, o empresário foi condenado a pagar uma multa no valor exato de £ 18.000 e a cumprir 100 horas de prestação de serviços comunitários.

Durante a audiência formal iniciada na manhã de 5 de outubro de 2026, Briony Ballard destacou a rapidez do quadro clínico ao declarar, em tradução livre: “Ela desenvolveu anafilaxia de progressão rápida e mais tarde desmaiou na casa de sua tia”. O relatório técnico confirmou que a omissão na limpeza foi o fator determinante para a transferência das partículas de avelã para a bebida servida à jovem.

Repercussão do caso Mia Shay St Hilaire e cobrança por normas no Reino Unido

A decisão final do inquérito legista mobilizou os familiares e entidades civis que atuam na proteção a pessoas com hipersensibilidade alimentar. Em pronunciamento conjunto, os pais da estudante, Adrian St Hilaire e Chanel Spence, manifestaram a dor contínua pela perda da filha ao afirmarem, em tradução livre: “Mia era, e é, profundamente amada e nunca será esquecida”.

Representada pela advogada Michelle Victor, da banca Leigh Day, a família recebeu o apoio de Tanya Ednan-Laperouse, fundadora da Natasha Allergy Research Foundation, entidade criada após a morte de sua filha por reação alérgica a um sanduíche, caso que gerou a legislação conhecida como Natasha’s Law em outubro de 2021. Tanya Ednan-Laperouse defendeu maior rigor fiscal no território britânico ao declarar, em tradução livre: “Como este caso ilustra, ainda há muito mais a fazer para manter seguras as milhões de pessoas no Reino Unido com alergias alimentares”.

A Fundação Natasha e os parentes de Mia reivindicam agora que a agência governamental Food Standards Agency e as autoridades distritais criem um selo obrigatório e independente focado exclusivamente no controle de alergênicos para restaurantes e cafeterias em todo o território britânico.

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