A equipe Williams de Fórmula 1 ingressou com uma ação no Tribunal Superior do Reino Unido para exigir a devolução de um chassi do modelo FW23 ou o pagamento de indenização superior a £ 1 milhão. A medida judicial cobra o empresário Peter Thorpe após o sumiço do monoposto histórico, que havia sido cedido para exibição em uma oficina mecânica no território britânico.
O processo judicial teve detalhes conhecidos na quarta-feira (7). Em manifestação protocolada na corte em Londres, o advogado Richard Clegg, que representa a escuderia, afirmou que o veículo integra o acervo histórico da companhia. “O carro faz parte da coleção única de carros históricos da requerente, cujo uso ou venda ela controla rigorosamente, entre outros aspectos, para garantir na medida do possível que sejam preservados”, declarou Clegg, em tradução livre.
Empréstimo do Williams FW23 e encerramento da Autotech
O chassi em litígio foi entregue em 2015 à empresa Autotech Performance Ltd, sediada em Telford, no condado de Shropshire, por meio de um termo de cessão com a finalidade de atuar como peça de exibição na oficina da companhia. O exemplar é um dos nove chassis produzidos pela Williams para o campeonato mundial de 2001, disputado pelos pilotos Ralf Schumacher e Juan Pablo Montoya.
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As complicações para reaver o bem surgiram após o fechamento do estabelecimento comercial, ocorrido em 30 de junho de 2021. Em outubro de 2021, representantes da escuderia solicitaram formalmente a inspeção presencial do monoposto e formalizaram o cancelamento da cessão com o objetivo de reintegrá-lo ao acervo particular da organização, mas não obtiveram resposta. A Autotech entrou em processo de liquidação voluntária e teve sua dissolução definitiva registrada no órgão empresarial Companies House em 22 de novembro de 2023, período em que a escuderia alegou não ter conseguido localizar o patrimônio emprestado.
Os advogados da Williams sustentam perante o tribunal que Peter Thorpe declarou indevidamente a um avaliador de ativos da liquidação ser o legítimo proprietário do automóvel. Conforme a petição inicial, o réu teria organizado a retirada do monoposto das instalações da garagem sem autorização prévia da equipe.
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Defesa de Peter Thorpe contesta avaliação financeira em Londres
A defesa apresentada por Peter Thorpe, de 58 anos, contesta as acusações e sustenta desconhecer a localização atual do veículo. Os representantes do empresário afirmam que ele jamais declarou ser dono do monoposto diante do avaliador patrimonial “porque sabia que isso não era verdade”, em tradução livre. Thorpe informou que esteve no prédio pela última vez em 8 de agosto de 2021 para acompanhar a avaliação de bens e sustentou que o carro ainda permanecia no local.
Os representantes do réu argumentam também que Thorpe sofre com lapsos de memória e prejuízos cognitivos em decorrência de um acidente vascular cerebral sofrido em outubro de 2018. Além disso, a defesa rebate a quantia pretendida pela Williams e afirma que o veículo emprestado constituía apenas uma peça estática de exibição desprovida de motor e câmbio, contrariando a avaliação de mercado sustentada pela escuderia, estimada em £ 750.000 para a peça.
Dados do processo e do Williams FW23 de 2001
- £ 1 milhão: valor financeiro mínimo solicitado pela Williams caso o monoposto não seja restituído;
- £ 750.000: avaliação de mercado estimada pela escuderia para o exemplar do monoposto FW23;
- 9: total de chassis do modelo FW23 fabricados pela equipe inglesa para a temporada de 2001;
- 4: total de vitórias obtidas pelo modelo no Mundial de 2001, com três de Ralf Schumacher e uma de Juan Pablo Montoya;
- 22 de novembro de 2023: data de extinção definitiva da empresa Autotech Performance Ltd no registro britânico.
Histórico esportivo do modelo FW23 na Fórmula 1
Equipado com o motor BMW V10 na temporada de 2001, o Williams FW23 garantiu à escuderia o terceiro lugar no Mundial de Construtores, em um ano marcado por vitórias de Ralf Schumacher nos GPs de San Marino, Canadá e Alemanha, além da primeira vitória de Juan Pablo Montoya na Fórmula 1, obtida no GP da Itália. Ao final daquele campeonato, Schumacher encerrou a disputa na quarta colocação entre os pilotos, enquanto Montoya terminou no sexto posto.
Menções ao nome do piloto Ayrton Senna associadas à equipe dizem respeito exclusivamente aos vínculos históricos da construtora britânica. O tricampeão brasileiro disputou suas três primeiras provas pela Williams em 1994 e morreu em 1º de maio de 1994 após colisão no Grande Prêmio de San Marino, em Imola, sem qualquer relação funcional com o chassi FW23 de 2001 ou com a demanda iniciada perante os tribunais britânicos.
Situação do caso na Suprema Corte britânica
O paradeiro exato do chassi Williams FW23 permanece ignorado tanto pela diretoria da equipe quanto pela defesa de Peter Thorpe. O Tribunal Superior do Reino Unido ainda não marcou data para o julgamento definitivo do processo.
