JAC Motors tem nova recuperação judicial com passivo de R$ 239,5 milhões

JAC Motors Foto: JAC Motors

O Grupo SHC, representante oficial da montadora chinesa JAC Motors no território brasileiro, protocolou um novo pedido de recuperação judicial com passivo declarado de R$ 239,5 milhões. A petição foi distribuída na terça-feira, 6 de outubro de 2026, às 20h12, na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, abrangendo 44 empresas ligadas à estrutura corporativa administrada pelo empresário Sergio Habib.

O novo procedimento ocorre um ano e cinco meses após o encerramento da recuperação judicial anterior da companhia, finalizada formalmente em maio de 2025. Antes de apresentar a nova petição, a direção da empresa buscou alternativas de reestruturação de débitos fora dos tribunais, em negociações que envolveram instituições financeiras e fundos de investimento com garantias atreladas a veículos.

Prazo de 15 dias da Justiça de São Paulo para o Grupo SHC

A juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira determinou que o Grupo SHC apresente documentos no prazo de 15 dias para comprovar que a capital paulista abriga o seu principal centro de decisões executivas. A decisão foi publicada no sábado, 10 de outubro de 2026, às 19h17, e estabelece que, caso a administração não comprove a concentração das atividades de comando em São Paulo, o processo será transferido integralmente para a Justiça do Estado do Rio de Janeiro, comarca onde as 44 pessoas jurídicas arroladas na petição mantêm seus registros formais de sede social.

A definição do foro responsável pela recuperação judicial é mandatória para a validação dos atos processuais e para o processamento do pedido de proteção contra credores. Até o envio das comprovações pelo departamento jurídico da empresa, a tramitação sobre o deferimento da recuperação em São Paulo permanece condicionada ao atendimento dessa determinação da magistrada.

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Passivo de R$ 239,5 milhões e credores financeiros da JAC Motors

O passivo total listado na petição inicial atinge R$ 239,5 milhões, valor distribuído entre compromissos trabalhistas, tributários e obrigações com o sistema financeiro. Durante as tratativas prévias à via judicial, os credores identificaram concentração relevante de compromissos com bancos comerciais, incluindo uma única instituição financeira que concentra mais de R$ 100 milhões a receber do conglomerado empresarial de Sergio Habib.

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Em paralelo às conversas de renegociação, instituições financeiras e fundos credores relataram dificuldades operacionais para localizar e retomar unidades de automóveis da marca chinesa que haviam sido vinculadas como garantias fiduciárias em contratos de crédito corporativo. A execução dessas garantias ficou suspensa com a tentativa de mediação extrajudicial e agora depende da deliberação da vara competente.

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Queda nas vendas da JAC Motors e mercado brasileiro

A petição na Justiça coincide com um ciclo contínuo de encolhimento no volume comercial da marca no país, decorrente da expansão de outras fabricantes asiáticas no segmento de veículos eletrificados. De acordo com registros da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), a JAC Motors comercializou 988 automóveis e comerciais leves no Brasil ao longo de 2025. O desempenho representou uma retração de 51,1% quando comparado ao volume de 2024, exercício em que a marca havia licenciado 2.022 unidades no mercado nacional.

Em meio à redução de lojas físicas e ao encerramento de modelos de passeio tradicionais como o E-JS4 e o E-J7, a operação passou a concentrar esforços na picape Hunter e em caminhões e vans comerciais. Questionada a respeito do fechamento de pontos de distribuição e atendimento, a JAC Motors informou que “há cerca de dois anos, vem desenvolvendo e aprimorando seu modelo de vendas online e vendas a distância”. Clientes da montadora relataram atrasos no fornecimento de veículos elétricos adquiridos na rede, caso de João Paulo Araújo, consumidor de Curitiba que adquiriu um modelo da marca em maio de 2026 e não obteve a entrega do automóvel contratado.

Cronologia das crises financeiras do Grupo SHC desde 2018

Esta é a segunda vez que a controladora da marca recorre à proteção judicial para reestruturar dívidas e evitar a falência. A trajetória corporativa do grupo registra os seguintes marcos processuais:

  • 1º de novembro de 2018: protocolo do primeiro pedido de recuperação judicial do grupo empresarial, com passivo inicial de R$ 517,7 milhões.
  • 1º de setembro de 2019: homologação do primeiro plano de recuperação judicial pela Justiça paulista após aprovação dos credores.
  • 1º de maio de 2025: encerramento formal do primeiro processo de recuperação judicial após o cumprimento das obrigações do plano.
  • 6 de outubro de 2026: ajuizamento da segunda petição de recuperação judicial na comarca de São Paulo, declarando dívida de R$ 239,5 milhões.
  • 10 de outubro de 2026: publicação do despacho da 2ª Vara de Falências concedendo prazo de 15 dias para comprovação do domicílio de comando.

O primeiro processo, iniciado em 2018, ocorreu após o encerramento do contrato de distribuição de 28 anos com a marca francesa Citroën e os impactos das regras automotivas do programa federal Inovar-Auto. O Grupo SHC comanda as operações da JAC Motors no Brasil desde o ano de 2011.

Fatos pendentes de confirmação no processo

Até o momento, os documentos tornados públicos não divulgam o nome da instituição financeira que detém o crédito individual superior a R$ 100 milhões com a empresa. Também permanece em aberto se a ação tramitará de forma definitiva perante a 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo ou se será remetida para a comarca do Rio de Janeiro ao fim do prazo de 15 dias estipulado pelo tribunal.

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