Mineração Rio do Norte inicia expansão de R$ 5 bilhões no Pará

A Mineração Rio do Norte iniciou a fase de implantação física do Projeto Novas Minas para estender a extração de bauxita no oeste do Pará por cerca de 15 anos. O empreendimento prevê investimentos de R$ 5 bilhões ao longo dos primeiros cinco anos de obras e estabelece uma meta de produção média de 12,5 milhões de toneladas do minério a cada ano.

O avanço das atividades ocorre após a emissão da Licença de Instalação pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, documento concedido em 29 de abril de 2026 que liberou a montagem da infraestrutura. A etapa dá sequência à Licença Prévia concedida pela autarquia ambiental federal em 3 de setembro de 2024, viabilizando a continuidade dos trabalhos industriais que mantêm o abastecimento do insumo base para o alumínio primário no mercado brasileiro e internacional.

Ibama libera frentes de lavra do Projeto Novas Minas

A autorização concedida pelo órgão ambiental permite a abertura de frentes de extração distribuídas em cinco novos platôs geológicos delimitados pela companhia: Rebolado, Escalante, Jamari, Barone e Cruz Alta Leste. As áreas demarcadas para as operações industriais estão localizadas nos territórios dos municípios paraenses de Oriximiná, Terra Santa e Faro, onde a empresa já mantém estrutura de apoio logístico e transporte.

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“A concessão da LI confirma a consistência técnica e jurídica do projeto e o compromisso da MRN com a mineração responsável na Amazônia. Esse avanço é resultado de muito trabalho, planejamento, diálogo e respeito às comunidades e às instituições”, afirmou o diretor de Sustentabilidade e Jurídico da Mineração Rio do Norte, Vladimir Senra Moreira.

Investimentos e geração de postos de trabalho na cadeia do alumínio

O aporte financeiro direcionado ao Projeto Novas Minas tem impacto direto na oferta de trabalho regional durante o cronograma de instalação da infraestrutura minerária e nos contratos de fornecimento industrial. Para o período de obras de engenharia civil e montagem eletromecânica, a projeção oficial da companhia aponta a abertura de 2,3 mil vagas temporárias de trabalho, além de assegurar a preservação de 7,5 mil postos de emprego já mantidos pela operação no estado.

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“O Projeto Novas Minas conecta produção, emprego, desenvolvimento regional e competitividade industrial. Os benefícios começam no território, mas seus efeitos alcançam toda a cadeia do alumínio e diferentes setores da economia do país”, disse o diretor-presidente da Mineração Rio do Norte, Guido Germani.

Especificações operacionais e planejamento do Projeto Novas Minas

A formulação do plano técnico do empreendimento reúne parâmetros de produção mineral, controle de resíduos e investimento financeiro projetados para manter o ritmo de extração da bauxita:

  • Investimento previsto para os cinco primeiros anos de implantação: R$ 5 bilhões.
  • Estimativa de investimento consolidado entre os anos de 2027 e 2041: R$ 9 bilhões.
  • Meta média de lavra de bauxita: 12,5 milhões de toneladas anuais.
  • Extensão estimada do ciclo de vida útil da atividade mineral: cerca de 15 anos.
  • Vagas de emprego estimadas para a fase de implantação: 2,3 mil postos.
  • Empregos diretos e indiretos mantidos com a extensão da operação: 7,5 mil postos.
  • Platôs minerais incluídos no licenciamento ambiental: Rebolado, Escalante, Jamari, Barone e Cruz Alta Leste.

Métodos operacionais e medidas socioambientais em Oriximiná

Para a contenção e destinação do material estéril resultante do beneficiamento, a mineradora adotou o Método de Disposição de Rejeito Seco em Cava, sistema projetado para devolver o resíduo desidratado diretamente às áreas já mineradas sem a necessidade de manter barragens convencionais de lama. O modelo reduz a ocupação superficial do solo e facilita o trabalho de recomposição vegetal das áreas atingidas pela movimentação de terra na Amazônia.

O processo de implantação é acompanhado por exigências do Plano de Gestão Ambiental e pelas diretrizes do Plano Básico Ambiental Quilombola, instrumento obrigatório voltado à mitigação de interferências socioeconômicas e à manutenção de canais de consulta junto às comunidades tradicionais vizinhas aos platôs. As diretrizes buscam assegurar a convivência das comunidades com as frentes de transporte e infraestrutura pesada.

Histórico das reservas e composição acionária da mineradora

O desenvolvimento do Projeto Novas Minas vinha sendo estruturado pela mineradora desde 2018 para contornar o encerramento do ciclo das lavras atuais de bauxita, que tinham previsão técnica de esgotamento a partir de 2027. Sem a liberação dessas novas áreas em Oriximiná, Terra Santa e Faro, a atividade de extração na região enfrentaria paralisação das atividades por falta de frentes ativas de minério de teor comercial.

A Mineração Rio do Norte é controlada por uma estrutura societária composta por grandes grupos internacionais da indústria mineral. A fatia majoritária pertence à Glencore, detentora de 45% das ações da mineradora, acompanhada pela australiana South32, com 33% de participação, e pela anglo-australiana Rio Tinto, que responde pelos 22% restantes do capital do empreendimento mineral paraense.

Dados geológicos oficiais pendentes sobre o Projeto Novas Minas

Embora divulgações do setor façam referência à região como a quarta maior jazida mundial de bauxita, a classificação formal dessa posição carece de ranking geológico oficial discriminado em relatórios da Agência Nacional de Mineração ou do Serviço Geológico dos Estados Unidos. Também persiste variação nas projeções públicas de encerramento do ciclo operacional, com documentos situando o horizonte de lavra entre 2041 e 2042.

O avanço das frentes de trabalho em campo depende agora do cumprimento dos cronogramas de engenharia autorizados pela licença do Ibama e da conclusão das obras de infraestrutura que viabilizarão o transporte da bauxita até o porto da empresa.