O sistema de segurança do iPhone que força o reinício do aparelho após 72 horas de inatividade está sendo neutralizado por forças policiais nos Estados Unidos. Agências de segurança de pelo menos seis estados norte-americanos e o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas utilizam o equipamento Graykey Preserve para impedir a reinicialização automática e manter aparelhos apreendidos acessíveis para investigações criminais.
A tecnologia, desenvolvida pela empresa Magnet Forensics, interrompe a contagem regressiva implementada pela Apple a partir do sistema operacional iOS 18.1. Ao impedir que o telefone reinicie, o equipamento evita que o sistema entre no estágio Before First Unlock, modo de proteção máxima em que as chaves criptográficas são apagadas da memória volátil, o que inviabiliza técnicas convencionais de quebra de senhas.
Como a ferramenta Graykey Preserve atua nos aparelhos apreendidos?
Diferente de sistemas de extração direta, o Graykey Preserve funciona como uma estação de contenção física e digital para o telefone recolhido em ações policiais. O dispositivo isola completamente o aparelho contra conexões externas de rede móvel, Wi-Fi e Bluetooth, garantindo que comandos remotos de apagamento enviados pelo proprietário não cheguem ao sistema operacional.
Leia também: iPhone furtado em Salvador gera mensagens com armas e dados de empresário
Durante essa conexão, o equipamento preserva o estado conhecido tecnicamente como After First Unlock, permitindo que investigadores mantenham intactos conteúdos armazenados temporariamente na memória, como conversas de aplicativos, fotografias recentemente apagadas e históricos de localização em cache. Esse congelamento concede prazo estendido aos peritos criminais até a emissão de autorizações judiciais para perícia profunda em laboratório.
Estados norte-americanos com uso confirmado do equipamento forense
Registros de aquisições públicas e processos criminais revelam a distribuição territorial do equipamento em órgãos de perícia dos seguintes estados norte-americanos:
Saiba mais: Apple, Google e WhatsApp detalham migração gratuita entre sistemas
- Geórgia: unidades policiais locais e estaduais com acesso ao equipamento de contenção.
- Maine: gabinetes policiais e forças-tarefa em investigações de crimes e entorpecentes.
- Missouri: atuação documentada no Departamento de Polícia do Condado de St. Louis.
- Mississippi: divisão pericial com ferramentas forenses ativas em investigações estaduais.
- Nova York: operação pelo Centro de Ciências Forenses do Condado de Onondaga.
- Rhode Island: órgãos estaduais de segurança pública com tecnologia da Magnet Forensics.
Em 15 de dezembro de 2025, a eficácia prática da contenção foi documentada em Westbrook, no estado do Maine, após a prisão de um homem flagrado com quatro iPhones em um carro alugado por violação de liberdade condicional. O sargento-detetive Maurice Drouin, do Gabinete do Xerife do Condado de Androscoggin e membro de força-tarefa do FBI, confirmou a rotina técnica. “Ao preservar o dispositivo, não estamos obtendo nenhuma informação adicional sobre o dispositivo. Nenhum dado é extraído pela ferramenta Preserve. A única coisa que está permitindo é que o estado do dispositivo não mude enquanto se aguarda a extração de dados”, declarou Drouin.
Veja também: Suspeito furta iPhone e exige senha da dona por mensagens na Índia
Contrato federal do ICE e atuação do mercado forense
O Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos oficializou a compra de tecnologia GrayKey por meio de um contrato no valor de US$ 67.501,66 registrado em 11 de agosto de 2026. A expansão motivou críticas de organizações civis. “É preocupante que esse tipo de rastreamento de escopo, fluência de missão e expansão geral do que eles são capazes de fazer, e ser capaz de preservar isso, lhes dê mais tempo para investigar as pessoas”, afirmou a advogada Maria Villegas Bravo, do Centro de Informações sobre Privacidade Eletrônica.
O setor de extração digital movimenta cifras bilionárias no mercado corporativo internacional. A Magnet Forensics, criada pelo ex-policial Jad Saliba, incorporou a desenvolvedora Grayshift e foi adquirida em 2023 pelo fundo de private equity Thoma Bravo por US$ 1,3 bilhão. O setor conta ainda com a concorrente israelense Cellebrite, avaliada em US$ 3 bilhões, que desenvolveu funcionalidade semelhante no sistema Inseyets para pausar o cronômetro da Apple.
O maior volume individual documentado pertence ao Centro de Ciências Forenses do Condado de Onondaga, em Syracuse, com 71 acionamentos registrados. O órgão não detalhou quantas dessas intervenções geraram provas admitidas judicialmente, e a Apple e a Magnet Forensics não responderam aos pedidos de comentário sobre a atuação da ferramenta.
Continue lendo: Apple reduz produção do iPhone 18 Pro em até 20% após demanda fraca
