FMI eleva previsão de alta da economia global com avanço da IA

Mãos de humano e robô, inteligência artificial

Mãos de humano e robô, inteligência artificial - Summit Art Creations/shutterstock.com

O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou a previsão de crescimento da economia global em 2026 para 3,1%, impulsionado pelos investimentos em inteligência artificial (IA). O novo índice representa uma alta de 0,1 ponto percentual em relação aos 3,0% projetados em julho de 2026 e consta no relatório Perspectivas Econômicas Mundiais (World Economic Outlook, no nome oficial em inglês), divulgado nesta terça-feira (13) em Bangkok, na Tailândia.

Durante painel realizado na segunda-feira (12) nas reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial na capital tailandesa, a diretora-gerente do Fundo, Kristalina Georgieva, afirmou que o volume de capital aplicado em infraestrutura tecnológica mantém a expansão mundial próxima de 3%. Segundo a dirigente, esse movimento compensa parte da pressão gerada pelo choque na oferta de energia decorrente do conflito no Oriente Médio. O documento oficial da instituição, intitulado “Resiliência sob pressão, escolhas urgentes” (“Resilience under Strain, Urgent Choices”, em tradução livre), é coordenado pela conselheira econômica e diretora do Departamento de Pesquisa do FMI, Silvana Tenreyro, e pela vice-diretora do mesmo departamento, Petya Koeva Brooks.

Como a inteligência artificial pode aumentar o PIB global?

Foto: inteligência artificial – Digineer Station/Shutterstock.com

A avaliação técnica do FMI divide o impacto econômico da inteligência artificial em duas etapas distintas ao longo do tempo, separando o gasto imediato de capital dos resultados práticos de eficiência. Na primeira fase, a construção da infraestrutura física, que inclui centros de processamento de dados (data centers), fabricação de semicondutores e aquisição de equipamentos, gera demanda direta por energia, maquinário e serviços especializados, movimentando o PIB antes mesmo que as ferramentas entreguem ganhos reais aos seus usuários. Na segunda etapa, a expansão sustentada depende do aumento da produtividade, exigindo que empresas e trabalhadores consigam produzir mais utilizando os recursos disponíveis.

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Em discurso proferido em Dublin, na Irlanda, a diretora-gerente detalhou o tamanho desse efeito esperado sobre a capacidade produtiva das nações. “Estimamos que a IA possa elevar o crescimento potencial anual global em cerca de 0,1 a 0,8 ponto percentual eventualmente, com pesquisas futuras confirmando que a Europa pode e deve aspirar a estar na metade superior dessa faixa”, declarou Kristalina Georgieva, em tradução livre. O Fundo ressalta que essa margem não tem data única para se materializar e alerta para o risco de desaceleração econômica caso as expectativas de retorno financeiro dos investimentos em tecnologia não se confirmem.

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Concentração dos ganhos da inteligência artificial e corte no PIB do Brasil

Os benefícios gerados pela cadeia tecnológica não se espalham de maneira uniforme pelo planeta. Estados Unidos e China concentram juntos mais de três quartos da demanda líquida mundial por importações de semicondutores e equipamentos ligados à IA. Na Ásia e na América Latina, países como Coreia do Sul, Malásia, Tailândia e México também registram ganhos por integrarem as cadeias de produção desses componentes.

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O relatório aponta que apenas 32 economias respondem por 95% da expansão mundial em outubro de 2026, uma redução frente às 54 nações que compunham essa fatia em abril de 2026. Além disso, 47% das economias avaliadas sofreram revisões para baixo em suas expectativas desde abril. Na contramão da alta global, o FMI cortou a estimativa de avanço do PIB do Brasil, justificando a revisão pelos juros restritivos, pela retirada gradual de estímulos fiscais e pelas incertezas no cenário externo.

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As taxas projetadas pelo relatório do FMI para o Produto Interno Bruto e para a inflação nos diferentes blocos e países são as seguintes:

  • PIB global: crescimento de 3,5% registrado em 2025 e projeção de 3,4% para 2027 (mantendo a previsão anterior para o ano).
  • PIB do Brasil: redução na estimativa de 2026 de 2,4% (previstos em julho) para 2,2%, e corte na projeção de 2027 de 2,2% para 1,9%.
  • Economias avançadas: expansão de 2,1% em 2026 e de 1,8% em 2027, com os Estados Unidos avançando 2,3% em ambos os anos e a zona do euro crescendo 1,1% em 2026 e 1,2% em 2027.
  • Economias emergentes e em desenvolvimento: desaceleração de 4,5% em 2025 para 3,7% em 2026, seguida de recuperação para 4,4% em 2027, com a China registrando alta de 4,5% em 2026 e de 4,0% em 2027.
  • Inflação mundial: taxa projetada em 4,7% em 2026 (ante 4,1% em 2025) e recuo estimado para 4,1% em 2027, pressionada pelo preço do petróleo, cuja média é calculada em US$ 96 por barril.

Mercado de trabalho tem 40% das vagas expostas à inteligência artificial

Embora a adoção de sistemas automatizados eleve a capacidade produtiva e o retorno financeiro dos proprietários do capital, a transição tecnológica altera a estrutura de empregos e salários. Os cálculos do FMI mostram que cerca de 40% dos postos de trabalho em todo o mundo estão expostos à inteligência artificial, índice que sobe para aproximadamente 60% dentro das economias avançadas. Essa exposição significa que as ocupações podem ser complementadas pelas ferramentas digitais, mas também correm o risco de sofrer rebaixamento salarial ou eliminação.

Ao comentar os efeitos da automação sobre os trabalhadores em Bangkok, Kristalina Georgieva comparou o avanço das ferramentas digitais a um desastre natural gradual. “É um tsunami em câmera lenta, mas ainda assim um tsunami”, afirmou a diretora-gerente do FMI, em tradução livre. A executiva destacou que os jovens em início de carreira formam o grupo mais vulnerável, uma vez que os programas de IA já reduzem a necessidade de tarefas rotineiras e repetitivas que tradicionalmente funcionam como porta de entrada no mercado profissional.

Para que os países consigam absorver os ganhos de eficiência e evitar o aumento da desigualdade entre nações ricas e pobres, o Fundo recomenda investimentos diretos em fornecimento confiável de eletricidade, infraestrutura digital, formação profissional, programas de requalificação de mão de obra e redes de proteção social.

Cronograma das reuniões do FMI e declarações sobre inteligência artificial em 2026

As discussões e publicações oficiais do Fundo Monetário Internacional sobre o impacto econômico da tecnologia em 2026 seguem o calendário abaixo:

  • 19 de setembro de 2026: discurso de Kristalina Georgieva em reunião informal de ministros de Assuntos Econômicos e Financeiros em Dublin, na Irlanda, apresentando a estimativa de impacto no crescimento potencial.
  • Segunda-feira, 12 de outubro de 2026: abertura das reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial em Bangkok e realização do painel sobre infraestrutura tecnológica e mercado de trabalho.
  • Terça-feira, 13 de outubro de 2026, às 9h (horário de Bangkok): publicação oficial da íntegra do relatório Perspectivas Econômicas Mundiais de outubro.
  • Domingo, 18 de outubro de 2026: encerramento das reuniões anuais de 2026 do FMI e do Banco Mundial na Tailândia.