Inteligência artificial opera em só 20% das empresas, diz PwC

Inteligência Artificial

Inteligência Artificial - Foto: Owlie Productions/ Shutterstock.com

A adoção de inteligência artificial (IA) nas empresas enfrenta um distanciamento entre o planejamento executivo e a aplicação prática, especialmente no setor de energia elétrica e serviços essenciais. Dados apresentados por Daniel Martins, sócio da consultoria estratégica PwC Strategy& Brasil, em um encontro promovido pela CNEX e divulgados nesta terça-feira (13), mostram que a maioria das lideranças reconhece o valor da ferramenta, mas uma parcela reduzida mantém projetos ativos.

O levantamento foi detalhado durante o evento da CNEX, plataforma brasileira de transformação e desenvolvimento executivo que integra o ecossistema da Atitus Educação e atua em parceria com o MIT Sloan Management Review Brasil e a Harvard Business Publishing Education. Para Douglas Souza, diretor-executivo (CEO) da CNEX, o segmento de serviços essenciais (conhecido pelo termo em inglês utilities, que abrange fornecimento de energia, água e gás) vive um momento de seleção de projetos. “A adoção da IA está entrando em uma etapa de priorização. Em utilities, o potencial da tecnologia não está apenas em automatizar tarefas, mas em apoiar decisões mais rápidas e precisas, melhorar a eficiência operacional e ampliar a capacidade das empresas de responder a um ambiente cada vez mais complexo. O próximo passo é transformar o interesse em casos de uso capazes de gerar impacto mensurável para o negócio”, disse Souza.

Indicadores da PwC Strategy& sobre inteligência artificial e mercado de trabalho

Foto: inteligência artificial – amgun/ shutterstock.com

Os dados expostos por Martins no encontro da CNEX e os levantamentos globais da rede PwC demonstram o estágio atual de maturação tecnológica nas corporações e o impacto direto nas contratações do setor:

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  • 94% a 96%: percentual de líderes empresariais que reconhecem a importância da inteligência artificial para suas operações corporativas.
  • 20%: fatia de executivos que afirmam possuir iniciativas de IA efetivamente em funcionamento nas suas empresas.
  • 2,4%: participação global de vagas ligadas à IA no total de anúncios de emprego do setor de Energia, Utilities e Recursos em 2025, segundo o relatório 2026 Global AI Jobs Barometer da PwC.
  • 1,6%: índice registrado em 2024 para a mesma categoria de vagas com exigência de habilidades em IA no setor, indicando crescimento gradual na busca por funções técnicas e operacionais.
  • 14,2%: participação total do segmento de Energia, Utilities e Recursos no volume global de vagas de emprego analisadas pelo relatório da PwC.

Como a inteligência artificial reduz custos no setor de energia?

A análise conduzida por Daniel Martins, que acumula 15 anos de experiência em consultoria estratégica nos ramos de geração, transmissão, distribuição de energia elétrica, gás natural, combustíveis, saneamento, infraestrutura e práticas ambientais, sociais e de governança (ESG), aponta que energia e infraestrutura figuram entre os segmentos menos expostos a ganhos diretos de produtividade do trabalho pela simples automação de tarefas. Por essa característica estrutural, as oportunidades de retorno financeiro e operacional nessas indústrias concentram-se na eficiência de ativos físicos, no suporte à tomada de decisões complexas e na execução de processos internos.

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Dois exemplos práticos relatados durante o encontro da CNEX ilustram a aplicação direcionada da tecnologia. Em um dos casos, uma companhia de serviços essenciais com cerca de 2 mil colaboradores registrou aumento de produtividade após colocar 20 assistentes virtuais de IA em operação para dar suporte direto às equipes de trabalho. Em outra frente analisada, o emprego de ferramentas de inteligência artificial nas rotinas de programação e especificação funcional gerou uma redução de 60% nos custos de projetos de tecnologia ao longo de um período de seis meses.

Os nomes das duas empresas citadas nos casos práticos de implementação dos 20 assistentes virtuais e de corte de 60% nos custos de tecnologia não foram revelados na divulgação do encontro, assim como a data exata e a cidade em que o evento presencial da CNEX foi realizado.

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Gargalos de capacitação em IA e regulação de modelos no setor elétrico

As discussões técnicas do encontro apontaram que os limites da automação e a exigência de capacitação profissional formam os principais gargalos para a expansão da tecnologia nas concessionárias e operadoras. O diagnóstico apresentado aos executivos indica que a simples substituição ou automação de rotinas não elimina a necessidade de intervenção humana nem garante melhora imediata no atendimento ao consumidor. A entrega de softwares de IA às equipes, sem treinamento estratégico alinhado às demandas específicas do negócio, mostra-se insuficiente para elevar a produtividade.

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Em paralelo às discussões do setor privado sobre eficiência operacional e uso de algoritmos na tomada de decisão, o governo federal iniciou um processo de revisão das ferramentas tecnológicas que regem o sistema elétrico do país. Em 13 de outubro de 2026, o Ministério de Minas e Energia (MME) abriu uma consulta pública para aprimorar a governança e orientar o desenvolvimento e a atualização dos modelos computacionais utilizados pelo setor elétrico brasileiro.

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Oficializada pela Portaria MME nº 941/2026, que foi publicada no Diário Oficial da União em 9 de outubro de 2026, a medida estabelece um prazo de 20 dias para o envio de contribuições sobre os programas empregados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) no planejamento da expansão da rede, no cálculo de garantia física das usinas e na formação dos preços de energia.