Os contratos futuros do milho fecharam em alta na Bolsa de Chicago na segunda-feira, 12 de outubro de 2026, registrando recuperação parcial após as fortes quedas observadas no encerramento da semana anterior. O contrato do cereal com vencimento em dezembro de 2026 encerrou o dia negociado a US$ 4,83 por bushel, o que representou uma alta diária de 3,75 pontos na praça norte-americana.
A recuperação pontual ocorreu em resposta direta à desvalorização de sexta-feira (9), quando o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apresentou números de oferta mais amplos do que o esperado pelos operadores, provocando uma correção técnica nos negócios.
Cotações dos contratos futuros do milho na Bolsa de Chicago
- Contrato dezembro de 2026: encerrou a US$ 4,83 por bushel, alta diária de 3,75 pontos
- Contrato março de 2027: encerrou a US$ 4,97 por bushel, avanço diário de 3,00 pontos
- Contrato maio de 2027: encerrou a US$ 5,05 por bushel, acréscimo diário de 3,00 pontos
- Local das operações: Bolsa de Chicago (CBOT), em Illinois, nos Estados Unidos
- Data de fechamento: segunda-feira, 12 de outubro de 2026
Estoques mundiais e relatório do USDA derrubaram mercado na sexta-feira
Na sexta-feira (9), as cotações internacionais da commodity enfrentaram uma forte pressão vendedora em consequência da divulgação do relatório mensal de oferta e demanda do USDA. O levantamento oficial surpreendeu os agentes econômicos ao apresentar elevações nas projeções de produtividade média, de volume total colhido e de estoques finais de passagem nos Estados Unidos. A constatação de um quadro produtivo mais folgado em território norte-americano levou os contratos com entregas mais curtas a operarem perto do limite diário de oscilação negativa, encerrando aquela sessão com baixas severas situadas entre 19 e 21 cents por bushel, o equivalente a um recuo superior a 4% no pregão.
O efeito de baixa foi acentuado pela revisão das reservas internacionais do cereal. O órgão do governo dos Estados Unidos aumentou a previsão para os estoques mundiais de milho em 8,34 milhões de toneladas, alcançando o total de 280,44 milhões de toneladas. Com o dimensionamento de um abastecimento global mais confortável, a sessão de segunda-feira (12) se concentrou em acomodar o choque de oferta enquanto investidores realizavam ajustes financeiros nas carteiras de derivativos.
Safra da Ucrânia e ritmo de colheita nos Estados Unidos amenizam perdas do milho
Além da correção técnica após a desvalorização expressiva, indicações relativas à produção global de grãos forneceram suporte aos preços durante os negócios de segunda-feira (12). A consultoria internacional APK-Inform reduziu em 500 mil toneladas a estimativa para a safra de milho da Ucrânia em 2026, fixando o volume previsto para o país em 31,8 milhões de toneladas
. A redução no leste europeu equilibrou parte do sentimento de excedente internacional gerado pelos números norte-americanos divulgados dias antes.Continue lendo: Projeção do IBGE em julho aponta safra recorde de 353 milhões de toneladas de grãos para 2026
Ao mesmo tempo, as atenções do comércio agrícola continuam voltadas para o andamento dos trabalhos de campo no cinturão produtor norte-americano. No levantamento antecedente divulgado pelo governo dos Estados Unidos, a colheita do milho cobria 23% da área cultivada até o dia 4 de outubro de 2026, patamar inferior à média histórica de 27% registrada para o período do ano. O atraso relativo na retirada do cereal das lavouras manteve os operadores cautelosos quanto à oferta disponível para pronta entrega nos terminais de exportação.
Feriados nacionais alteram cronograma do milho no Brasil e nos Estados Unidos
O volume de negociações na Bolsa de Chicago foi limitado pela comemoração do feriado de Columbus Day nos Estados Unidos na segunda-feira (12). Em decorrência do encerramento temporário de repartições públicas, o USDA transferiu a publicação de seus boletins regulares para a terça-feira (13), incluindo o relatório semanal de embarques para exportação e o levantamento de acompanhamento de lavouras (Crop Progress).
No mercado financeiro brasileiro, a B3 não abriu para negociações na segunda-feira (12) devido ao feriado nacional da padroeira do país, Nossa Senhora Aparecida. Sem o funcionamento dos sistemas locais de compensação, os operadores de milho no Brasil não tiveram referências para a precificação de contratos futuros ao longo da jornada.
Retomada dos negócios na B3 e mercado físico brasileiro de milho
O reflexo financeiro exato da reação externa sobre as cotações nas praças brasileiras ainda não foi confirmado, uma vez que a sessão de negócios de segunda-feira (12) permaneceu fechada. A reabertura dos pregões na B3 na terça-feira (13) deverá alinhar os valores futuros à movimentação observada nos Estados Unidos, dependendo do comportamento da taxa de câmbio entre o real e o dólar, do fluxo de vendas dos produtores locais e da absorção dos dados oficiais que o USDA divulgará sobre o avanço das lavouras.
