A Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), sediada em Araxá (MG), detalhou em 9 de outubro de 2026 como o desenvolvimento de aços microligados ao nióbio em parceria com siderúrgicas, montadoras e fornecedores tem viabilizado veículos mais leves e resistentes a colisões. O setor automotivo responde por cerca de 33% do volume de negócios da companhia, com maior concentração de aplicações em veículos leves de passeio.
O trabalho conjunto com os diferentes elos da cadeia produtiva busca otimizar processos de fabricação e realizar provas de conceito em aplicações finais, abrangendo testes de estampagem, soldagem e absorção de energia. “A tecnologia do nióbio contribui para ampliar o desempenho dos aços avançados utilizados pela indústria automotiva. Com isso, é possível desenvolver estruturas mais leves e resistentes, com elevada capacidade de absorção de energia em impactos, contribuindo para veículos mais seguros e eficientes. Esse é um exemplo de como a inovação em materiais gera valor para toda a cadeia automotiva e para a sociedade”, afirmou Caio Pisano, gerente sênior de Desenvolvimento Técnico de Mercado da CBMM.
Como o nióbio atua na proteção e redução de peso dos veículos?
A adição de pequenas quantidades de nióbio na composição metalúrgica melhora a microestrutura do aço, o que eleva a resistência mecânica e a tenacidade do material. Essa alteração física permite que as montadoras e os fornecedores automotivos — conhecidos no setor como Tiers — utilizem chapas metálicas mais finas na fabricação das peças sem perda de desempenho estrutural, resultando na diminuição do peso total do automóvel, no menor consumo de combustível ou eletricidade e na queda das emissões de poluentes associadas ao rodízio da frota.
Continue lendo: Honda lança linha City 2027 com versão RS e faróis de LED de série
Em situações de acidente de trânsito, a propriedade do metal atua diretamente na preservação do habitáculo. “Em uma colisão, a melhoria das propriedades do aço com a tecnologia do nióbio contribui para uma melhor distribuição da energia gerada durante o impacto. Com isso, a possibilidade de intrusão na cabine é reduzida, melhorando a segurança dos ocupantes”, declarou Pisano.
Saiba mais: Volkswagen Tukan terá motor 1.0 turbo com sistema híbrido leve
De acordo com a Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM), a utilização do metal em painéis externos melhora a capacidade de estampagem e preserva a qualidade superficial da lataria, dando maior flexibilidade de projeto às montadoras. Nos veículos híbridos e elétricos, a redução de massa obtida com o material é utilizada pela engenharia automotiva para compensar o peso elevado das baterias, mantendo a autonomia e o desempenho nos testes de impacto, os chamados crash-tests.
Veja também: Renault Niagara começa a ser fabricada para disputar mercado com Fiat Toro
Aços com nióbio e componentes estruturais nos carros
As soluções desenvolvidas pela mineradora brasileira são aplicadas em quatro categorias específicas de ligas metálicas e distribuídas em diversas partes estruturais e mecânicas dos automóveis modernos:
Confira também: Frota de eletrificados ultrapassa 1 milhão de unidades no mercado brasileiro
- Aços de Alta Resistência e Baixa Liga (ARBL), Aços Avançados de Alta Resistência (AHSS), Aços de Ultra Alta Resistência (UHSS) e aços para estampagem a quente (PHS);
- Body in White (BIW), termo técnico para a estrutura principal da carroceria antes da pintura e da montagem final, encarregada de garantir a integridade do carro e gerenciar a absorção de energia;
- Componentes de chassi, rodas, além das estruturas internas de assentos e bancos;
- Painéis expostos da carroceria, grupo que inclui portas e capôs;
- Estruturas de proteção e componentes de baterias voltados especificamente para veículos eletrificados;
- Sistemas de exaustão e escapamentos produzidos em aços inoxidáveis, nos quais o metal eleva a resistência a altas temperaturas e a durabilidade das peças, exigência técnica crítica em carros híbridos que operam com exaustão mais quente.
Investimentos da CBMM em pesquisa e liderança de Araxá
O Brasil lidera a produção mundial de nióbio a partir das principais reservas e minas operadas pela companhia no município de Araxá, no interior de Minas Gerais. Para manter o fornecimento de novas ligas e atender às exigências de eletrificação e descarbonização da frota internacional, a empresa mantém um programa contínuo de pesquisa, desenvolvimento e inovação (P&D&I) em parceria com universidades, centros de pesquisa e indústrias.
“As soluções à base de nióbio contribuem para que a indústria automotiva avance em segurança, eficiência energética e desempenho estrutural. Essa combinação tem ampliado o interesse por materiais avançados e orientado o desenvolvimento de novas aplicações para o setor”, disse o gerente sênior da CBMM.
Os números operacionais e financeiros do programa tecnológico da mineradora demonstram a dimensão do atendimento ao mercado externo e doméstico:
- Investimento anual em pesquisa, desenvolvimento e inovação (P&D&I): entre R$ 250 milhões e R$ 300 milhões;
- Iniciativas científicas e industriais: mais de 200 projetos no programa de tecnologia do nióbio;
- Alcance comercial: atendimento a mais de 500 clientes distribuídos em 50 países;
- Presença internacional: manutenção de escritórios e centros operacionais em hubs localizados nos Estados Unidos, Holanda, Suíça e Singapura.
