Olho biônico devolve visão funcional a 81% dos pacientes em teste clínico

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Novos sistemas de olhos biônicos e interfaces conectadas ao sistema nervoso avançaram na restauração da visão de pessoas com cegueira provocada por degeneração retiniana. Os dados mais recentes apontam a liberação comercial do chip sub-retiniano Prima em 30 países europeus e o agendamento do primeiro ensaio clínico em seres humanos da prótese cerebral desenvolvida pela ReVision Implant para outubro de 2026.

As inovações representam um salto em relação aos modelos rudimentares do passado ao devolver a capacidade de leitura para pacientes com atrofia geográfica decorrente de degeneração macular relacionada à idade. Segundo o cirurgião vitreorretiniano Mahi Muqit, do Moorfields Eye Hospital, em Londres, os resultados clínicos marcam uma transformação no tratamento oftalmológico. Em declaração documentada nos estudos da área, o médico afirmou que pacientes cegos conseguem de fato obter uma restauração significativa da visão central, algo que nunca havia sido realizado antes, em tradução livre.

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Resultados clínicos do implante Prima na atrofia geográfica

O sistema Prima utiliza uma tecnologia fotovoltaica sem fio inserida cirurgicamente sob a retina danificada. Pacientes utilizam óculos especiais equipados com uma microcâmera, que captura o ambiente e projeta imagens infravermelhas diretamente para o microchip ocular. Esse componente converte a luz em impulsos elétricos que ativam as células nervosas ainda vivas na estrutura ocular, transferindo a informação luminosa ao cérebro por meio das vias ópticas preservadas do próprio indivíduo.

Olhos visão
Foto: Olhos visão – Jo Panuwat D/ shutterstock.com

Nos ensaios clínicos multicêntricos conduzidos sob a liderança do médico Frank Holz, chefe do Departamento de Oftalmologia do Hospital Universitário de Bonn, o implante registrou resultados consistentes em pessoas diagnosticadas com degeneração macular relacionada à idade em estágio avançado de atrofia seca. Os voluntários alcançaram um ganho médio de acuidade visual de 25,5 letras na tabela oftalmológica padronizada após 12 meses de acompanhamento, o que representa uma melhora prática de aproximadamente cinco linhas inteiras de leitura. A pesquisa demonstrou que 81% dos pacientes recuperaram visão central funcional ou ganho clinicamente significativo de acuidade, enquanto 84% dos participantes relataram o uso rotineiro do aparelho em suas próprias casas para identificar letras, números e palavras impressas.

A tecnologia foi adquirida pela empresa norte-americana Science Corporation e obteve a marcação de conformidade CE em 22 de julho de 2026, emitida pela certificadora DEKRA sob a regulação europeia de dispositivos médicos. Esse certificado abriu caminho para a comercialização do sistema em 30 nações da Europa, mirando uma condição clínica que afeta mais de 5 milhões de pessoas ao redor do planeta.

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ReVision Implant prepara teste direto no córtex visual

Enquanto o dispositivo Prima atua diretamente sobre o tecido retiniano remanescente, a startup belga de neurotecnologia ReVision Implant estruturou uma alternativa voltada a contornar lesões integrais nos olhos e no nervo óptico. O projeto batizado de Occular transmite os dados visuais captados externamente de forma direta para o córtex visual occipital, a região cerebral posterior responsável pelo processamento das imagens percebidas pelo ser humano.

O diretor-executivo da ReVision Implant, Frederik Ceyssens, ressaltou o descompasso histórico entre as soluções auditivas e visuais ao justificar o foco em interfaces cérebro-computador. Ceyssens declarou que, enquanto os implantes cocleares transformaram o tratamento da perda auditiva, ainda não existe uma solução neuroprotética amplamente disponível para restaurar a visão, em tradução livre. O projeto obteve a designação de dispositivo inovador da agência reguladora norte-americana em 9 de março de 2026, e a equipe médica programou o primeiro procedimento experimental agudo em um paciente humano para outubro de 2026, durante uma intervenção cirúrgica neurológica já planejada.

Números e parâmetros técnicos dos implantes visuais

  • Aprovação comercial do implante Prima: 30 países do continente europeu com o selo CE.
  • Participantes do estudo multicêntrico PRIMAvera: 38 pacientes operados em 17 hospitais de cinco países.
  • Ganho médio na acuidade visual com o Prima: 25,5 letras na tabela aos 12 meses de uso.
  • Matriz de estimulação retiniana do pioneiro Argus II: 60 eletrodos implantados no fundo do olho.
  • Duração média da cirurgia do antigo chip Retina Implant AG: 8 horas de procedimento operatório.
  • Pessoas diagnosticadas com atrofia geográfica no mundo: mais de 5 milhões de indivíduos.

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Antecedentes da tecnologia e desafios mecânicos superados

As pesquisas em torno de próteses visuais eletrônicas enfrentaram duas décadas de frustrações técnicas e limitações biológicas graves antes dos sucessos observados nos projetos mais recentes. Os primeiros aparelhos comerciais desenvolvidos no mundo exigiam procedimentos invasivos com alto risco de complicações e proporcionavam aos usuários apenas percepções luminosas muito limitadas, descritas clinicamente como pequenos clarões fosfênicos sem definição de contornos.

O implante pioneiro criado pela empresa alemã Retina Implant AG demandava uma cirurgia de cerca de oito horas para acomodar o chip sob a retina, abrir uma cavidade no crânio atrás da orelha para abrigar um receptor de energia e passar a fiação condutora por baixo da pele. A fabricante encerrou definitivamente suas atividades operacionais em 2019, após constatar que a durabilidade do produto era prejudicada pela corrosão acelerada em contato com os fluidos salinos dos olhos e pelos constantes movimentos oculares espontâneos. No mesmo ano de 2019, o dispositivo norte-americano Argus II, que utilizava óculos com câmera e uma matriz com 60 eletrodos estimuladores aprovada em 2013 pela agência norte-americana, também teve a comercialização suspensa devido ao baixo ganho prático para os usuários.

Dilemas cirúrgicos na retina e concorrência com células-tronco

O professor de Pesquisa da Retina no King’s College London, Tim Jackson, apontou em análise técnica sobre o setor que a aplicação de próteses em pacientes com degeneração macular relacionada à idade envolve decisões médicas criteriosas. A forma seca da doença costuma destruir as células receptoras da mácula central, mas preserva a visão periférica intacta. Uma intervenção cirúrgica invasiva no globo ocular traz o perigo real de danificar as áreas remanescentes saudáveis caso ocorram complicações cirúrgicas ou hemorragias graves durante a introdução do chip sub-retiniano.

Paralelamente às próteses artificiais de titânio e silício, grupos de pesquisa trabalham no cultivo de células-tronco biológicas em fases iniciais de estudos em humanos. A abordagem busca regenerar e substituir os fotorreceptores mortos por novos tecidos biológicos viáveis integrados à estrutura nativa dos olhos, o que pode no futuro dispensar a instalação de microprocessadores e baterias externas.

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A data precisa do primeiro procedimento cirúrgico comercial com o implante Prima em clínicas da Alemanha não foi revelada até o momento pela empresa responsável pela distribuição. O dia exato em que a ReVision Implant realizará o teste clínico com a sonda cortical na Hungria em outubro de 2026 também permanece sob sigilo médico das instituições hospitalares envolvidas.

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