Saturno em oposição tem imagens captadas diretamente do Sertão da Paraíba

Saturno

Saturno - buradaki/shutterstock.com

O astrofotógrafo amador brasileiro Nyêrdson Ferreira de Souza, de 30 anos, exibiu e processou imagens ao vivo de Saturno diretamente de Cajazeiras, no Sertão da Paraíba, na sexta-feira (9). A transmissão aproveitou o período de maior visibilidade anual do planeta gigante gasoso, registrado logo após a sua oposição em 4 de outubro de 2026.

Durante o fenômeno da oposição, a Terra passa exatamente entre o Sol e Saturno, colocando o planeta na menor distância aproximada em relação ao território terrestre no ano. “Quando está oposto, parece que está longe, mas está mais próximo da gente. É o Sol de um lado, a Terra no meio e o Saturno oposto. Então a gente está exatamente de frente pra ele em relação à incidência solar. E nessa fase a gente vê poucas sombras no planeta, por isso que a gente está vendo também os anéis bem brilhantes, no que chamam de Efeito Seeliger”, disse Nyêrdson Ferreira.

Processamento digital revela a Divisão de Cassini em Saturno

Na transmissão conduzida com o apresentador Marcelo Zurita na sexta-feira, 9 de outubro de 2026, o astrofotógrafo demonstrou em tempo real a técnica de empilhamento digital, um método de pós-processamento de imagem. Ferreira utilizou os programas de computador AutoStakkert! e AstroSurface para corrigir as distorções causadas pela turbulência da atmosfera terrestre e pelos tremores provocados pelo vento no equipamento óptico instalado no município paraibano.

“O planeta está lá dançando no vídeo por conta de tremores de vento e da própria atmosfera. A gente junta o máximo de frames possível e no empilhamento é como se a gente pegasse uma imagem em cima da outra e tirasse uma média. O tremor e as pequenas variações somem, e a média é a imagem real”, afirmou o astrofotógrafo amador durante a demonstração técnica.

O resultado final processado ao vivo expôs detalhes da estrutura atmosférica de Saturno

, incluindo as suas faixas de nuvens e a chamada Divisão de Cassini, uma linha escura que separa os dois anéis mais brilhantes do planeta. Ao longo da exibição, Nyêrdson Ferreira e Marcelo Zurita também comentaram características físicas do astro, como a sua baixa densidade — propriedade física que o faria boiar na água — e o achatamento visível em seus polos, efeito direto de uma rápida rotação que faz o dia em Saturno durar cerca de 10 horas.

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Reconhecimento de Nyêrdson Ferreira na NASA e registros de Júpiter

Júpiter – Allexxandar/shutterstock.com

Além da observação do planeta dos anéis, o paraibano radicou-se na astrofotografia com capturas de outros corpos do Sistema Solar e apresentou durante a transmissão o registro de uma ocultação mútua entre as luas galileanas de Júpiter, ocasião específica em que a lua Calisto encobriu a lua Io diante das lentes. O fenômeno depende de um alinhamento raro entre a Terra e o plano orbital dos satélites naturais jupiterianos.

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“O que vocês estão vendo aí é uma lua passando em frente a outra, esse evento é chamado de ocultação mútua. A cada seis anos o plano orbital das luas coincide com a visão terrestre. Chega um momento em que a lua simplesmente desaparece por ser ocultada. É difícil demais fazer”, declarou Ferreira sobre a captura dos satélites de Júpiter.

Antes da transmissão de outubro, o trabalho feito a partir do Sertão da Paraíba já havia alcançado projeção internacional junto à Agência Espacial Norte-Americana (NASA). Em 25 de julho de 2026, uma fotografia capturada por Ferreira em 28 de junho de 2026 foi escolhida pela agência para o projeto Astronomy Picture of the Day (APOD, a Imagem Astronômica do Dia, em tradução livre), exibindo o Mar da Tranquilidade e o Mar da Serenidade na superfície da Lua por meio da técnica conhecida como Lua mineral, na qual os tons azulados indicam maior concentração de titânio no solo lunar.

“Foi um grande prazer ter sido notado pela Agência Espacial Norte-Americana”, afirmou o astrofotógrafo sobre a seleção de seu trabalho no catálogo da instituição espacial. Natural do município de Aurora, no Ceará, Nyêrdson Ferreira de Souza mora em Cajazeiras desde 2019, atua profissionalmente como supervisor de compras, concluiu a graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) em 2018 e comprou o seu primeiro telescópio apenas em 2022.

Horários e equipamentos para observar Saturno em outubro de 2026

Durante o período próximo à oposição, Saturno surge no horizonte leste logo ao pôr do sol e permanece visível durante toda a noite com o brilho intensificado nos seus anéis de gelo devido à iluminação solar frontal do Efeito Seeliger. Embora o planeta possa ser visto a olho nu ao longo de outubro de 2026 como um ponto brilhante de luz estável e tom amarelado a leste após o anoitecer, a visualização definida do sistema de anéis exige o auxílio de um telescópio.

Para quem pretende iniciar na observação astronômica e no registro de imagens planetárias, o biólogo recomendou parâmetros específicos de equipamento. “Se você está pensando em comprar um telescópio, pense duas vezes não, compre logo, porque eu me arrependo de não ter comprado antes. Comece de baixo, pegue um telescópio de uns 100 mm e vá estudando. Tenha algo que te permita observar e fotografar, isso vai enriquecer o seu conhecimento e te permitir ser muito mais feliz”, disse Nyêrdson Ferreira.

Datas, horários e parâmetros técnicos da observação de Saturno

  • Data da oposição anual de Saturno: 4 de outubro de 2026.
  • Data da captação e processamento ao vivo: sexta-feira, 9 de outubro de 2026.
  • Local da estação de captura das imagens: Cajazeiras, no Sertão da Paraíba.
  • Janela mais indicada para observação no Brasil em outubro de 2026: entre 21h e 1h, quando o planeta atinge posição elevada no céu.
  • Abertura mínima de telescópio recomendada para iniciantes: 100 mm.
  • Duração aproximada do período de rotação (um dia) em Saturno: 10 horas.
  • Intervalo de alinhamento para ocultações mútuas nas luas de Júpiter: a cada 6 anos.