CEO da Nestlé defende eliminar tarefas com inteligência artificial

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Philipp Navrati, CEO da Nestlé - LinkedIn/Divulgação Foto: Philipp Navrati, CEO da Nestlé - LinkedIn/Divulgação

O diretor-executivo (CEO) global da Nestlé, Philipp Navratil, afirmou na quinta-feira (8), em Vevey, na Suíça, que apenas saber redigir bons comandos de texto, conhecidos como prompts, para sistemas de inteligência artificial não é suficiente na força de trabalho. No comando de mais de 270 mil funcionários no mundo, o executivo declarou que a habilidade mais importante para os profissionais consiste em compreender o impacto da tecnologia nos negócios e redesenhar fluxos operacionais.

Segundo Navratil, os trabalhadores não precisam dominar todos os aspectos técnicos das ferramentas digitais, mas necessitam de uma visão ampla sobre as capacidades e tendências do setor. “Você precisa entender do que ela é capaz, quais são as tendências, o que está acontecendo, como a inteligência artificial pode mudar qualquer coisa na empresa”, declarou o executivo, em tradução livre. Para o dirigente, “isso é muito mais importante no sentido de ter sucesso ao transformar uma empresa usando inteligência artificial”.

Por que criar bons prompts para a inteligência artificial não basta no trabalho?

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Foto: inteligência artificial IA – Summit Art Creations/shutterstock.com

Prompt é a instrução escrita enviada pelo usuário a um sistema de inteligência artificial generativa, como um robô de conversação, para solicitar uma tarefa. Navratil avalia que redigir esse comando melhora a resposta imediata, mas não define se o resultado atende às necessidades do negócio, pois muitas pessoas tratam a tecnologia apenas como mais uma ferramenta isolada. Quando o recurso é adicionado sobre hábitos e processos já existentes sem alteração no método de trabalho, a prática cria camadas extras de complexidade em vez de simplificar a operação.

Um analista de vendas, por exemplo, pode solicitar ao sistema um resumo sobre clientes, mas, sem conhecer o alcance da tecnologia, deixa de perceber que toda a preparação de reuniões poderia ser refeita. O CEO da Nestlé defende que as equipes revisem a execução de suas rotinas e eliminem etapas desnecessárias para liberar tempo destinado à análise de dados, ao contato com parceiros comerciais e à aceleração na tomada de decisões.

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A mesma posição foi defendida em outubro de 2026 pelo CEO e cofundador da empresa de tecnologia Miro, Andrey Khusid. O executivo afirmou que as companhias devem redesenhar seus fluxos de trabalho do zero em torno da inteligência artificial, em vez de apenas acrescentar os programas às equipes e aos sistemas operacionais em funcionamento.

Adoção do Microsoft Copilot e automação na operação da Nestlé

O diretor de tecnologia e informação (CIO) da Nestlé, Chris Wright, informou que a automação já integra diferentes setores da multinacional suíça. “A inteligência artificial não é um projeto-piloto na Nestlé; ela já está em funcionamento do campo à mesa. A inteligência artificial nos ajuda a levar ideias ao mercado mais rápido, otimizar receitas, fornecer orientações confiáveis sobre nutrição e culinária e criar conteúdo para nossos canais digitais”, afirmou o diretor.

Saiba mais: CEOs debatem impacto da inteligência artificial nos empregos

Além da ferramenta de conversação, a companhia passou a integrar a iniciativa Frontier Firm AI, em parceria com a Microsoft e a Universidade Harvard. O programa é utilizado pela empresa para otimizar desde o ajuste de receitas e a análise de centenas de milhares de contratos de fornecedores até o planejamento e a logística em um sistema único de gestão empresarial (ERP, software que centraliza os dados operacionais e financeiros de uma organização). Há ainda menção a uma assistente virtual de vendas criada após a empresa mapear tarefas demoradas, como reunir dados de produtos e orientações para atender clientes, mas o funcionamento detalhado dessa ferramenta específica não foi confirmado de forma independente pela apuração.

Cortes de 16 mil vagas na Nestlé e meta de 3 bilhões de francos suíços

A exigência por eficiência operacional ocorre após mudanças na liderança e na estrutura de pessoal da multinacional. Philipp Navratil ingressou na Nestlé em 2001 como auditor interno, dirigiu a divisão Nespresso e assumiu o posto de CEO global em 1º de setembro de 2025, logo após o conselho de administração demitir o então diretor-executivo Laurent Freixe devido a um relacionamento não revelado com uma subordinada direta. Em 16 de outubro de 2025, cerca de seis semanas depois da posse de Navratil, a empresa anunciou um plano de reestruturação focado na automação de processos e na redução de despesas até o final de 2027.

Ao comunicar o plano de reestruturação e os cortes de vagas, Navratil declarou que “o mundo está mudando, e a Nestlé precisa mudar mais rápido”. Os números confirmados da operação de tecnologia e do ajuste estrutural da companhia abrangem os seguintes dados:

  • Cerca de 100 mil funcionários da Nestlé utilizam a ferramenta Microsoft Copilot todos os meses;
  • Mais de 40 interações mensais por usuário é a frequência média registrada no uso do Microsoft Copilot Chat dentro da empresa;
  • 16 mil postos de trabalho serão cortados pela companhia ao longo de dois anos, o equivalente a cerca de 5,8% do quadro total de 277 mil empregados registrado na época do anúncio;
  • 12 mil vagas eliminadas pertencem a cargos administrativos e de escritório, enquanto 4 mil cortes ocorrem nas áreas de manufatura e cadeia de suprimentos;
  • 3 bilhões de francos suíços (moeda oficial da Suíça) é a meta total de economia de custos da empresa até o final de 2027, valor ampliado sobre a previsão anterior de 2,5 bilhões de francos suíços.

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Pesquisa da TU Darmstadt aponta treinamento de 15% na Alemanha

O avanço no uso corporativo dessas ferramentas ocorre em ritmo superior ao da capacitação formal dos empregados. Um levantamento conduzido pela universidade alemã TU Darmstadt em parceria com o instituto YouGov, divulgado em 31 de agosto de 2026 sob a coordenação do pesquisador Peter Buxmann, ouviu mais de 2 mil pessoas na Alemanha para medir o preparo das equipes diante das exigências tecnológicas.

O estudo revelou que apenas 15% dos trabalhadores entrevistados receberam algum tipo de treinamento formal em inteligência artificial. O índice foi registrado 18 meses após o início da vigência do Artigo 4 do AI Act (a legislação da União Europeia que regulamenta o uso de inteligência artificial), regra que obriga as empresas, desde 2 de fevereiro de 2025, a promoverem a alfabetização de suas equipes no uso da tecnologia. O levantamento da TU Darmstadt apontou ainda que, entre os entrevistados que possuem alto conhecimento na área, 43% acreditam que os sistemas automatizados poderão assumir seus próprios postos de trabalho em breve.

Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.

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