Inteligência artificial guia investimentos corporativos até 2027

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Análise de negócios com inteligência artificial - khunkornStudio/ shutterstock.com Foto: Análise de negócios com inteligência artificial - khunkornStudio/ shutterstock.com

Levantamentos da PwC, da Cloudera e do IBM Institute for Business Value (IBV, braço de pesquisas corporativas da IBM) indicam que a adoção de inteligência artificial nas empresas está saindo da fase de testes para se concentrar em escala, controle e retorno financeiro até 2027. De acordo com o estudo da PwC realizado com mais de 300 executivos seniores nos Estados Unidos, 79% das companhias já adotam agentes de IA e 88% planejam aumentar seus orçamentos de tecnologia nos próximos 12 meses impulsionadas por essas ferramentas.

A transição do ambiente experimental para a rotina de trabalho se apoia em quatro movimentos simultâneos: a entrada dos agentes autônomos na operação, a IA embutida nos sistemas principais, a estruturação de regras de governança e a qualificação das equipes. “Para CIOs e CTOs, o desafio agora é escalar sistemas de IA que operam de forma contínua e autônoma, muitas vezes dentro de modelos de governança e arquiteturas projetados para um ambiente muito mais lento e previsível”, afirmou Matt Lyteson, diretor de informação (CIO) da IBM, em tradução livre.

Operação com agentes de IA e integração aos sistemas em 2026

Os agentes de IA são sistemas programados para planejar e executar uma sequência de tarefas com pouca intervenção humana, indo além de apenas responder a perguntas para analisar pedidos, consultar estoques e enviar respostas a clientes. Na prática corporativa, as áreas de atendimento, finanças e logística concentram os primeiros usos dessas ferramentas, a exemplo da conciliação de notas fiscais, processo em que o software cruza documentos, identifica divergências e encaminha somente os casos duvidosos para a revisão de um funcionário.

Segundo a PwC, 66% das organizações que adotam esses agentes relatam ganhos mensuráveis de produtividade, mas a confiança dos gestores varia conforme o risco da atividade: apenas 20% dos executivos confiam altamente na tecnologia para realizar transações financeiras, contra 38% quando a função é análise de dados e geração de informações. Nas tarefas de maior risco, a supervisão humana permanece obrigatória.

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O avanço operacional ocorre em paralelo à incorporação da tecnologia nos programas que os trabalhadores já utilizam no dia a dia, como planilhas, correio eletrônico, plataformas de gestão de clientes e sistemas de gestão empresarial. Esses softwares passaram a resumir reuniões, sugerir respostas e projetar vendas sem exigir que o usuário saiba programar, cabendo ao funcionário revisar o material entregue. Na avaliação de Sergio Gago, diretor de tecnologia (CTO) da Cloudera, a expansão exige atualização técnica das companhias: “Muitas empresas estão descobrindo que as arquiteturas construídas para análises tradicionais não foram projetadas para a escala, a governança e a flexibilidade que a IA exige atualmente”.

inteligência artificial
inteligência artificial – tadamichi/Shutterstock.com

Números dos relatórios da Cloudera e do IBM Institute for Business Value

Os dados sobre a infraestrutura tecnológica e as projeções de crescimento dos agentes autônomos foram consolidados nas pesquisas globais da Cloudera e da IBM divulgadas até junho de 2026:

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  • Amostra da Cloudera: cerca de 1.500 líderes corporativos de tecnologia da informação em 14 países ouvidos no relatório The Future of Enterprise AI Agents.
  • Ritmo de adoção: 57% dos líderes entrevistados pela Cloudera implementaram agentes de IA nos dois anos anteriores à pesquisa, sendo 21% apenas no último ano.
  • Sistemas e plataformas: 60% das empresas usam recursos de agentes já incluídos em seus sistemas principais existentes e 66% constroem agentes sobre plataformas corporativas de infraestrutura de IA.
  • Expansão prevista pela Cloudera: 96% das organizações pesquisadas planejam ampliar o uso de agentes nos 12 meses seguintes.
  • Projeção da IBM até 2027: estudo divulgado em 9 de junho de 2026 com 2.000 diretores de tecnologia (CIOs e CTOs) prevê alta de 38% no número de agentes implantados, enquanto 77% relatam que a adoção já supera a capacidade atual de governança.

Barreiras de governança na IA desde 2025 e exigências da LGPD

O crescimento no uso de sistemas autônomos contrasta com o ritmo de reorganização interna das companhias para definir quem responde pelas decisões tomadas pelas máquinas. Os dados da PwC, originados no levantamento AI Agent Survey divulgado em maio de 2025 com 308 executivos norte-americanos, mostram que apenas 45% das empresas que utilizam agentes estão repensando fundamentalmente seu modelo operacional e 42% redesenham processos em torno da tecnologia. No Brasil, a estruturação de regras sobre quais dados o sistema pode acessar, quem aprova cada etapa e como as decisões são registradas também responde às exigências da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD, legislação brasileira que regula o tratamento de informações pessoais).

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As dificuldades técnicas e estruturais aparecem nos levantamentos históricos do setor desde abril de 2025, quando os participantes do estudo da Cloudera apontaram como principais barreiras para os agentes a privacidade de dados (53%), a integração com sistemas existentes (40%) e os altos custos de implementação (39%). Em 12 de maio de 2026, o relatório Agentic AI workflows and enterprise operations, elaborado pelo IBM Institute for Business Value com mais de 2.000 executivos de alto escalão em 16 países e 17 setores, indicou que 82% apontam o isolamento entre áreas da mesma empresa como um bloqueio para a geração de valor da IA. Já em agosto de 2026, outra pesquisa global da Cloudera com 1.500 arquitetos corporativos e líderes de infraestrutura revelou que 95% das organizações atrasaram ou cancelaram ao menos um projeto de IA no período de um ano devido a falhas de governança de dados, conformidade ou regulação.

Mudanças nas competências de trabalho projetadas até 2027

A delegação de tarefas repetitivas aos softwares altera os critérios de contratação nas empresas, que passam a exigir dos funcionários a capacidade de formular instruções precisas, avaliar a qualidade das respostas, identificar erros e reconhecer os limites dos sistemas. Em processos de recursos humanos que utilizam inteligência artificial para a triagem de currículos, por exemplo, cabe ao analista verificar possíveis vieses antes de encaminhar a lista final aos gestores.

Essa reconfiguração do mercado reflete a projeção do relatório Future of Jobs 2025, do Fórum Econômico Mundial, segundo o qual 44% das competências exigidas dos trabalhadores devem mudar até 2027 em decorrência do avanço da inteligência artificial, da automação e da transformação digital. Para os profissionais acompanharem o ritmo de adoção tecnológica nos próximos meses, os indicadores diretos dentro das organizações são o orçamento destinado à área, a revisão das rotinas operacionais e a oferta interna de treinamento.

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

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