Digger com Tom Cruise cai 60% e dá prejuízo recorde à Warner

Tom Cruise em 'Digger' - Divulgação

Tom Cruise em 'Digger' - Divulgação

O longa-metragem Digger, estrelado pelo ator e coprodutor Tom Cruise e dirigido pelo cineasta mexicano Alejandro González Iñárritu, registrou queda de 60% na arrecadação em seu segundo fim de semana nos cinemas dos Estados Unidos, conforme dados divulgados no domingo (11). Com o recuo nas vendas de ingressos em Los Angeles e no restante do mercado norte-americano, a produção caminha para gerar um prejuízo estimado em US$ 245 milhões para o estúdio Warner Bros.

O resultado negativo coloca em risco o planejamento da distribuidora para a temporada de premiações de Hollywood. Uma verba adicional de cerca de US$ 15 milhões estava prevista pela Warner Bros. para impulsionar a campanha do filme e de Tom Cruise rumo ao Oscar, mas o investimento deve ser reduzido diante do desempenho comercial e da recepção dividida da crítica especializada.

Queda de 60% na bilheteria de Digger amplia perdas da Warner Bros.

Foto: Tom Cruise interpreta bilionário que causa desastre mundial em 'Digger – Reprodução/IMDb

Na trama de sátira ambiental com humor ácido, onde Tom Cruise interpreta Digger Rockwell, um excêntrico magnata do petróleo cuja perfuração desencadeia uma catástrofe ecológica, o apelo de estrelas de Hollywood como Anne Hathaway, Jane Fonda, Guillermo del Toro e Mandy Patinkin para levar o público às salas de exibição não evitou a retração nas vendas, mesmo contando com um elenco de apoio formado por Riz Ahmed, John Goodman, Sandra Hüller, Michael Stuhlbarg e Jesse Plemons. “Financeiramente, tem de ser considerado um desastre”, afirmou um analista do setor cinematográfico de Hollywood, em tradução livre.

O cálculo para que o longa-metragem dê lucro exige valores distantes da realidade atual das bilheterias, uma vez que as redes de cinema retêm cerca de metade da receita obtida nas vendas de ingressos. Estimativas do mercado apontam que a produção precisaria arrecadar aproximadamente US$ 350 milhões mundialmente para cobrir seus gastos, embora um porta-voz da Warner Bros. conteste o número e declare que o ponto de equilíbrio financeiro é de US$ 300 milhões.

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O valor oficial exato do orçamento final de produção de Digger não foi divulgado pela Warner Bros., sendo calculado por fontes da indústria cinematográfica na faixa entre US$ 160 milhões e US$ 180 milhões devido a atrasos nas filmagens. Os demais valores que compõem o balanço financeiro do projeto incluem:

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  • Orçamento original de produção aprovado: US$ 125 milhões;
  • Investimento estimado em marketing global: US$ 100 milhões;
  • Arrecadação de estreia no primeiro fim de semana (América do Norte e global): US$ 8 milhões e US$ 20 milhões;
  • Faturamento no segundo fim de semana na América do Norte: US$ 3,2 milhões;
  • Acumulado em duas semanas (América do Norte e global): US$ 14,4 milhões e US$ 35,3 milhões;
  • Projeção de arrecadação global ao fim da exibição nos cinemas: US$ 50 milhões.

Prejuízo de US$ 245 milhões supera recordes negativos de Tom Cruise

Antes do segundo fim de semana em cartaz, a Warner Bros. projetava perdas teatrais entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões para a obra, mas revisou a expectativa após a nova queda de público, em um momento no qual a empresa conclui seu processo de fusão com a Paramount Skydance e registra a saída dos executivos de cinema Pam Abdy e Michael De Luca, responsáveis por aprovar o projeto. O rombo estimado coloca a produção no mesmo patamar ou acima de grandes fracassos financeiros da história do cinema, como John Carter: Entre Dois Mundos (2012), A Ilha da Garganta Cortada (1995, com perda ajustada pela inflação de US$ 222 milhões), Mortal Engines (US$ 224 milhões ajustados) e As Marvels (entre US$ 205 milhões e US$ 250 milhões ajustados).

Para Tom Cruise, o desempenho comercial supera os resultados negativos anteriores de sua trajetória nas telas, registrados nos filmes Leões e Cordeiros (2007) e A Múmia (2017). Outro analista do mercado de bilheterias avaliou que o formato da obra limitou o alcance comercial. “Este filme nunca iria fazer o público geral apoiá-lo, certo? Eu não acho que ele tenha sido projetado assim”, disse o especialista, em tradução livre.

Como fica a disputa de Tom Cruise pelo Oscar de 2027?

A recepção dividida da imprensa, que chegou a classificar a obra como “uma sátira exasperantemente superficial, laboriosa e autocomplacente”, enfraquece a tentativa de dar a Tom Cruise sua primeira estatueta competitiva após quatro indicações anteriores: Melhor Ator por Nascido em 4 de Julho (1990) e Jerry Maguire (1997), Melhor Ator Coadjuvante por Magnólia (2000) e Melhor Filme como produtor por Top Gun: Maverick (2023).

Na corrida pela categoria de Melhor Ator no Oscar de 2027, o protagonista de Digger enfrenta concorrentes apontados pelo mercado por outros lançamentos do calendário, cuja cronologia e principais nomes envolvem:

  • 22 de setembro de 2026: pré-estreia mundial de Digger realizada em Leicester Square, em Londres;
  • 2 de outubro de 2026: lançamento comercial do filme nos cinemas dos Estados Unidos;
  • Concorrente direto ao prêmio: Matt Damon, pelo filme A Odisseia;
  • Concorrente direto ao prêmio: John Malkovich, pelo longa Cavalo Selvagem Nove;
  • Concorrente direto ao prêmio: Andrew Scott, pela produção Elsinore.
Jeronimo Santos: Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing
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