Epic Games adia jogo da Disney e impõe produção focada em IA

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Epic Games - daily_creativity / Shutterstock.com Foto: Epic Games - daily_creativity / Shutterstock.com

A produtora norte-americana Epic Games adiou o lançamento de seu jogo de tiro ainda não anunciado em parceria com a Walt Disney Co., que reúne personagens das franquias Marvel e Star Wars. A empresa determinou que a equipe de desenvolvimento em Cary, na Carolina do Norte, nos Estados Unidos, passe a adotar um modelo de produção focado em inteligência artificial, sem códigos escritos por humanos.

O projeto tinha previsão interna de estreia para março de 2027, mas sofreu atraso após a companhia subestimar o tempo e a quantidade de funcionários necessários para o trabalho. Em mensagem interna enviada à equipe, um dos diretores do título ordenou que “não haverá mais código escrito à mão”, em tradução livre, e que toda a arte visual do jogo seja gerada por fluxos completos de inteligência artificial.

Diretrizes da Epic Games e reação dos desenvolvedores ao uso de IA

A mudança na rotina de trabalho foi comunicada aos funcionários durante uma chamada de vídeo realizada na primeira semana de outubro de 2026. Pela nova diretriz corporativa, os programadores e artistas devem priorizar o modelo chamado de “IA em primeiro lugar”, operando ferramentas como o sistema Claude, desenvolvido pela empresa Anthropic, sob supervisão humana para criar cenários, objetos e personagens básicos.

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O anúncio deixou parte dos desenvolvedores chocados e céticos quanto à viabilidade técnica da exigência no dia a dia do estúdio. Durante as discussões internas, profissionais questionaram como a equipe lidará com falhas e erros gerados pela própria ferramenta automatizada, mantendo a expectativa de que a direção da empresa reverta a ordem caso a tecnologia não entregue os resultados esperados para o projeto.

Posicionamento de Tim Sweeney sobre a mudança na Epic Games

Na segunda-feira (12), em 12 de outubro de 2026, o diretor-executivo (CEO) e fundador da Epic Games, Tim Sweeney, confirmou na rede social X que a companhia passa por uma reformulação estrutural. Segundo o executivo, a empresa está realocando profissionais internamente para acelerar ao máximo a aplicação de inteligência artificial em seus processos criativos e operacionais.

“Temos uma grande mudança em andamento aqui na Epic, movendo desenvolvedores para reestruturar visando a aceleração máxima de IA. O objetivo não é fazer as mesmas coisas com menos pessoas, mas permitir que todos aqui construam mais e melhores coisas, e levar os benefícios a todas as equipes que usam a Unreal”, declarou Tim Sweeney, em tradução livre, referindo-se ao motor gráfico da empresa.

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Procurada oficialmente para comentar a decisão, a desenvolvedora também confirmou a nova diretriz por meio de seu departamento de relações públicas. “Estamos abraçando o desenvolvimento acelerado por IA, liderado por desenvolvedores da Epic que são os visionários e motores criativos de tudo o que fazemos”, afirmou o diretor de comunicação da Epic Games, Jake Jones, em nota oficial traduzida livremente.

Cronologia e dados do projeto entre Epic Games e Walt Disney Co.

the walt disney company
the walt disney company – nikkimeel/Shutterstock.com

O jogo de tiro é o primeiro grande título planejado a partir do acordo firmado entre as duas empresas para criar um universo conectado ao ecossistema de Fortnite. Os principais marcos e números da parceria envolvem os seguintes registros:

  • Investimento inicial: aporte de US$ 1,5 bilhão feito pela Walt Disney Co. para adquirir participação acionária na Epic Games e financiar múltiplos jogos.
  • Data do acordo: anúncio da parceria financeira ocorreu em fevereiro de 2024.
  • Corte de pessoal: demissão de aproximadamente 1.000 funcionários na Epic Games em março de 2026.
  • Previsão anterior de estreia: janela interna apontava para março de 2027, agora cancelada.
  • Sede da operação: estúdio principal da desenvolvedora em Cary, no estado da Carolina do Norte, nos Estados Unidos.

Demissões na Epic Games em 2026 e uso de IA na indústria

A pressão por produtividade ocorre meses após uma redução no quadro de pessoal da companhia norte-americana. Em março de 2026, a Epic Games demitiu cerca de 1.000 trabalhadores sob a justificativa de corte de custos, afirmando na ocasião que as despesas operacionais superavam as receitas diante de uma desaceleração no engajamento de jogadores dentro da plataforma Fortnite.

Antes da determinação atual para o projeto da Disney, Tim Sweeney já defendia publicamente o uso de inteligência artificial generativa no setor e chegou a criticar a plataforma de distribuição Steam, pertencente à empresa Valve, por exigir rótulos de aviso em jogos criados com a tecnologia. Planos anteriores da Epic Games para inserir ferramentas automatizadas na criação de personagens em Fortnite também geraram atritos comerciais, levando o estúdio independente Poncle, criador do jogo Vampire Survivors, a cancelar uma parceria com a empresa. No mercado, outras produtoras utilizam o recurso de forma pontual: a Electronic Arts aplica a tecnologia para reproduzir feições de atletas em títulos como EA Sports FC e EA College Football, enquanto a Sandfall Interactive, do jogo Clair Obscur: Expedition 33, usou o sistema para gerar elementos visuais provisórios que depois foram substituídos manualmente por sua equipe.

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Apesar das confirmações da liderança da Epic Games sobre o novo formato de trabalho, o nome oficial do jogo de tiro com personagens da Marvel e de Star Wars e a identidade do diretor que proibiu códigos manuais ainda não foram revelados. A empresa também não definiu uma nova janela de lançamento nem divulgou informações sobre preços ou plataformas, e a Walt Disney Co. não respondeu aos pedidos de comentário sobre o adiamento do projeto.

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

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