A Academia Nacional de Engenharia (ANE) realiza a terceira edição do seminário anual O Futuro da Engenharia no Brasil nos dias 5 e 6 de novembro de 2026, no Auditório Milton Fett da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), em Florianópolis. O encontro reúne representantes de universidades, da indústria, do governo e estudantes em seis painéis temáticos para formular propostas de atração, retenção e capacitação de engenheiros para a próxima década.
O presidente da ANE, Mário Luiz Menel da Cunha, conhecido como Mário Menel — que também preside a Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia (ABIAPE) e o Fórum das Associações do Setor Elétrico (FASE) —, afirmou que a qualificação técnica é indispensável para as metas econômicas do país. “O Brasil decide nesta década sua matriz energética, seu lugar na corrida dos minerais críticos e a produtividade da sua indústria. Nenhuma dessas decisões se sustenta sem engenheiros com boa formação. Sairemos de Florianópolis com propostas, não só com diagnóstico já conhecido”, declarou.
Seis painéis do Seminário ANE 2026 abordam inteligência artificial e terras raras
A programação de debates está dividida em seis eixos considerados estratégicos para a economia nacional: inteligência artificial e robótica na manufatura, exploração sustentável de terras raras, matriz elétrica e transição energética, avanços da bioindústria e biofertilizantes, o futuro da engenharia no país e a modernização do ensino. Esses setores enfrentam demanda direta por mão de obra especializada para garantir o aumento da produtividade industrial, a soberania mineral e a produção de alimentos.
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Os debates contam com a participação de pesquisadores, executivos e representantes de órgãos técnicos. No painel sobre terras raras, Luiz Gonzaga Trabasso, representante dos Institutos SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) de Inovação, dividirá a bancada com os professores da Universidade de São Paulo (USP) Fernando Landgraf e Laurindo Leal, que também é acadêmico da ANE. O encontro também terá a presença de Mariangela Hungria, pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Soja), acadêmica da ANE e vencedora do World Food Prize 2025, premiação internacional voltada a avanços na alimentação e na agricultura; Sumara Ticom, assessora executiva da Diretoria de Planejamento; Nelson Martins, coordenador do Comitê de Energia da ANE e acadêmico da instituição; Gabriel Mann, diretor da empresa de energia Engie; e Humberto Bicca, analista de extensão da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) e coordenador do Plano de Ação Estadual ABC+ de Santa Catarina, iniciativa voltada à agricultura de baixa emissão de carbono.
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Modernização do ensino e atração de jovens no Seminário ANE 2026
A retenção de estudantes e a atualização dos currículos universitários terão um painel específico no dia 6 de novembro de 2026. Intitulado Formação dos Engenheiros e Engenheiras do Futuro, o debate será moderado por Sérgio Gargioni, acadêmico e coordenador do Capítulo Santa Catarina da ANE, e contará com José Roberto Boisson, coordenador do Comitê de Ensino da entidade, Adriana Maria Tonini, presidente da Associação Brasileira de Educação em Engenharia (ABENGE), e o acadêmico Emílio Matsuo, que atua em duas frentes no encontro: além de integrar a mesa de debates sobre redução da evasão, apresentará casos de boas práticas na área.
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Durante a programação voltada à educação, o acadêmico Flávio Grynszpan apresentará o projeto Embaixadores da ANE, criado para conectar estudantes universitários à entidade e permitir que a representem dentro de suas faculdades. A pauta inclui ainda o projeto de continuidade das ações da instituição, desenvolvido pelo acadêmico Carlos Alberto Schneider, e o programa Nós da ANE – Mulheres na Engenharia, no qual integrantes da academia compartilham suas trajetórias profissionais para incentivar o ingresso e a permanência de mulheres no setor.
Mercado de tecnologia em Santa Catarina e histórico da ANE
Esta é a primeira vez que o evento anual itinerante ocorre na região Sul, após a edição de lançamento no Rio de Janeiro, em 2024, e a segunda edição realizada em São Paulo, em 2025. “O Seminário ANE consolida o compromisso da nossa instituição em formular propostas concretas para o Estado brasileiro. Chegar a Santa Catarina em 2026, após edições tão produtivas no Rio de Janeiro e em São Paulo, nos permite conectar o conhecimento científico às vocações de um dos estados mais inovadores e industrializados do país”, afirmou Mário Menel, que assumiu a presidência da entidade em 2023 e foi reconduzido ao cargo em dezembro de 2025 para o biênio 2026–2028.
O coordenador do Capítulo Santa Catarina da ANE, Sérgio Gargioni, explicou o objetivo da organização local com o encontro. “Mais do que receber o Seminário ANE em Florianópolis, o Capítulo SC está organizando esta edição para criar um espaço vibrante de integração entre nossas universidades, centros de pesquisa e a indústria com as grandes diretrizes nacionais”, disse.
Segundo dados atribuídos ao Observatório da Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE), Santa Catarina forma uma estimativa anual de 9 mil profissionais nas áreas de ciências, tecnologia, engenharia e matemática, enquanto o setor de tecnologia do estado projeta uma estimativa de 100 mil vagas acumuladas até 2027. Esses dois números constam apenas no material de divulgação inicial do evento e ainda não foram confirmados de forma independente em outros documentos abertos da entidade.
Fundada em 25 de abril de 1991 e sediada no Rio de Janeiro, a Academia Nacional de Engenharia é uma associação civil sem fins lucrativos que reúne 200 membros titulares de diferentes especialidades e atua como consultora independente para o poder público, a indústria e a sociedade. Em Florianópolis, o evento é organizado pelo Capítulo Santa Catarina da ANE, com patrocínio do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Santa Catarina (CREA-SC), da FIESC, da Teltec Solutions, da Ailos Cooperativa Unilos e da Engie, além de apoio governamental do Governo do Estado de Santa Catarina e apoio institucional da Associação Catarinense de Engenheiros (ACE), do Centro Tecnológico da Universidade Federal de Santa Catarina (CTC/UFSC), da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), do Centro Universitário SENAI (UniSenai), da ACATE, da Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras (Fundação CERTI), do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), da Epagri, da Fundação de Ensino e Engenharia de Santa Catarina (FEESC) e da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (FAPESC).
Cronograma confirmado dos painéis do Seminário ANE 2026 na FIESC
O seminário ocorre no Auditório Milton Fett da FIESC, em Florianópolis, nos dias 5 e 6 de novembro de 2026. Os horários de Brasília e os integrantes já definidos para a abertura e o encerramento dos trabalhos são os seguintes:
- 5 de novembro de 2026, às 10h30: Painel 01 (O Futuro da Engenharia no Brasil), com moderação de Mário Menel e participação de Alvaro Prata, presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e membro titular da ANE; José Domingo Pérez, presidente da Academia Pan-Americana de Engenharia (API); e José Carlos Aleluia, engenheiro, professor e ex-deputado federal.
- 5 de novembro de 2026, às 14h: Painel 02 (IA e Robótica – Aplicação Industrial e Competitividade), com moderação de Ernesto Heinzelmann, presidente da Heinzelmann Consultoria e membro titular da ANE, e participação de Gil Giardelli, fundador da Gaia Creative / 5 ERA; Tiago Longhi, chefe da área de Digital, Robótica e Inteligência Artificial para Manufatura da fabricante de equipamentos elétricos WEG; e Renato Simão, coordenador de Inovação do Instituto SENAI de Inovação em Sistemas Embarcados.
- 6 de novembro de 2026, das 15h40 às 17h: Encerramento com a apresentação do documento de posicionamento da ANE e o Ato Solene de Reconhecimento.
Na sessão final, entre 15h40 e 17h do dia 6 de novembro de 2026, a diretoria da ANE divulgará o documento oficial de posicionamento com as diretrizes para a formação de engenheiros na próxima década, cujo conteúdo será compilado em um livro digital, e entregará o Diploma Oficial de Reconhecimento numerado às empresas e instituições que aderirem à Aliança pelo Futuro da Engenharia no Brasil.
