Show de Eric Clapton em Florianópolis completa 36 anos e ganha tributo

A única apresentação do cantor, compositor e guitarrista britânico Eric Clapton em Santa Catarina completou 36 anos na terça-feira (13). Realizado em 13 de outubro de 1990 no Estádio Orlando Scarpelli, em Florianópolis, o concerto da turnê mundial do álbum Journeyman reuniu mais de 25 mil pessoas sob chuva.

Para marcar a data na capital catarinense, músicos locais subiram ao palco do Teatro Ademir Rosa, no Centro Integrado de Cultura (CIC), na quarta-feira (7), às 21h, com o espetáculo Riding With Clapton — Uma Viagem Pela Música do Mestre da Guitarra, produzido pela Confrailha Produtora.

Chuva e público de 25 mil pessoas no show de Eric Clapton em 1990

A passagem de Clapton pelo estádio do Figueirense integrou uma excursão mundial de dois anos e meio, iniciada em 6 de julho de 1989 em Haia, nos Países Baixos, e encerrada em 9 de março de 1991 em Londres, no Reino Unido, somando 165 apresentações. No palco catarinense, o músico britânico tocou acompanhado por Phil Palmer na guitarra, Greg Phillinganes nos teclados e voz, Nathan East no baixo e voz, Steve Ferrone na bateria, Ray Cooper na percussão, além das cantoras de apoio Katie Kissoon e Tessa Niles. No Brasil, a rota também passou por Brasília, levou 30 mil espectadores ao Mineirinho, em Belo Horizonte, em 11 de outubro de 1990, reuniu 15 mil no Ginásio Gigantinho, em Porto Alegre, em 16 de outubro, e atraiu 5 mil pessoas por noite na casa de espetáculos Olympia, em São Paulo, entre 19 e 21 de outubro daquele ano.

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A jornalista Cláudia Repsold, que em outubro de 1990 era estudante da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e cobriu o evento para o jornal laboratório semanal Zero, relatou na época a reação imediata da plateia logo na abertura do repertório. “Quando o mágico do blues subiu ao palco e tocou os primeiros acordes de ‘Pretending’, som que abriu o show, a galera já estava delirando”, escreveu a repórter, mencionando também a execução de uma versão mais lenta de I Shot the Sheriff, de Bob Marley, ao lado de Running on Faith, Layla, No Alibis e Cocaine.

Mais de três décadas após a cobertura universitária, a profissional recordou as condições climáticas e a estrutura montada no gramado. “Lembro que chovia, mas isso não atrapalhou em nada a animação do público. Clapton era um dos primeiros artistas internacionais a tocar na cidade. O palco meio ‘tupiniquim’, parecia apertado. Além da banda super competente, ele era acompanhado por duas (cantoras) backing vocals que deram um show à parte”, afirmou Cláudia.

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Os registros históricos da apresentação no Estádio Orlando Scarpelli confirmam 15 canções executadas naquela noite de sábado, incluindo faixas que não foram citadas no relato da imprensa universitária da época:

  • White Room
  • Can’t Find My Way Home
  • Bad Love
  • Before You Accuse Me
  • Old Love
  • Badge
  • Wonderful Tonight
  • Cross Road Blues
  • Sunshine of Your Love

Relato de André Seben e a trajetória de Eric Clapton

Presente na arquibancada aos 18 anos de idade, o guitarrista e jornalista de Florianópolis André Seben, integrante de bandas como Os Udigrudis, Farra do Bowie e Os Chefes, lembrou a movimentação nos arredores do bairro Estreito. “Tinha fila para entrar no Scarpelli naquela noite. No ar, aquela sensação de que algo histórico estava prestes a acontecer. Acontecer novamente, já que (o cantor) Rod Stewart, havia passado pelo mesmo estádio no ano anterior, com um showzaço”, disse o músico.

Seben acrescentou que compreendeu a dimensão do concerto anos mais tarde. “Hoje posso dizer que sou fã e ouço Clapton com muito mais propriedade. Eu estava (na época) muito na onda dos (Rolling) Stones, Aerosmith (bandas que veneravam Clapton). Talvez ainda não tivesse maturidade musical para dimensionar tudo o que estava vendo, mas, mesmo assim, encho o peito pra falar que vi um ‘deus’ ao vivo”, declarou.

A expressão citada por Seben remete aos anos 1960, quando um muro de Londres recebeu a pichação “Clapton is God” (“Clapton é Deus”, em tradução livre). Nascido em 1945 em Ripley, nos arredores da capital inglesa, o artista ganhou o primeiro violão da avó aos 13 anos e passou pelos grupos The Yardbirds (1963–1965), John Mayall & the Bluesbreakers (1965–1966), Cream (1966–1968) e Blind Faith (1969) antes de estrear em carreira solo em 1970. Em 2026, aos 81 anos, permanece em atividade.

Tributo a Eric Clapton reuniu guitarristas no CIC

A homenagem realizada em outubro de 2026 no Centro Integrado de Cultura reuniu no palco os guitarristas Cris Ferreira, produtor do evento, Eduardo “Dinho” Stormowski, da banda Dazaranha, Yuri Koch, da banda Zawajus, e Marcelo d’Ávila, conhecido como The Brazilian Eric Clapton Cover (O Cover Brasileiro de Eric Clapton, em tradução livre), que em 1998 criou o show Just One Night dedicado ao britânico. O grupo teve a companhia da vocalista Isa Buffon e dos tecladistas convidados Rudy WT, da banda Dente de Ouro, de Minas Gerais, e Alexandre Green, do Quarteto Banho de Lua. “A homenagem foi uma grande noite, que começou exatamente às 21h, uma pontualidade britânica”, disse d’Ávila.

Para Cris Ferreira, a produção buscou percorrer diferentes décadas do repertório do homenageado. “O show foi um passeio pela extensa obra do Eric Clapton, que desde os anos 60, vem emplacando riffs clássicos e belas canções. Um músico que está até hoje na ativa, é uma trajetória incrível e merecedora de um tributo”, afirmou o produtor. Dinho Stormowski também destacou a influência do britânico em sua formação musical: “Eu já toquei em uma banda, há mais ou menos uns 20 anos, que tocava muito Eric Clapton. Ele me influenciou como artista. É uma cara que canta, compõe, produz. Um artista completo. Foi sensacional participar”.

Além da passagem por Florianópolis em 1990, tanto Dinho quanto Marcelo d’Ávila acompanharam o guitarrista britânico em retornos posteriores ao país. Em 2001, durante a Reptile World Tour — cujo álbum traz a faixa-título Reptile inspirada na bossa nova brasileira —, Stormowski assistiu ao concerto no Estádio Olímpico, em Porto Alegre, enquanto d’Ávila esteve na apresentação da Praça da Apoteose, no Rio de Janeiro, e voltou a ver o músico em setembro de 2024, em Curitiba, a 10 metros do palco.

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