Nintendo descarta fim da mídia física para o console Switch 2

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Nintendo Foto: Nintendo - yu_photo / Shutterstock.com

Executivos da Nintendo para a América Latina garantiram durante a Brasil Game Show (BGS) 2026, realizada em São Paulo entre os dias 10 e 12 de outubro de 2026, que a empresa não tem planos de encerrar a produção e a distribuição de jogos em mídia física. A confirmação mantém a oferta de cartuchos para o console Nintendo Switch 2 em um momento no qual os jogos físicos representam 38,5% da receita total de software da fabricante japonesa.

Bill van Zyll, vice-presidente e gerente-geral da Nintendo para a América Latina, afirmou que a empresa adota uma postura neutra sobre os formatos de venda e baseia suas decisões na escolha do público. “Historicamente, temos sido muito agnósticos, certo? Nós seguimos o que o consumidor prefere e levamos isso muito em conta. Também temos uma plataforma que acabou de ser lançada. Estamos há pouco mais de um ano no NS2. Ele tem capacidade tanto digital quanto física. Não há planos para abandonar o físico. Sabemos o quanto os fãs também gostam disso, então nossa posição tem sido a de sermos agnósticos”, disse o executivo, em tradução livre.

Formatos físicos no Nintendo Switch 2 e impacto para o jogador

Lançado em junho de 2025, o console Nintendo Switch 2 foi projetado desde o início para operar tanto com downloads digitais, realizados pela loja virtual eShop, quanto com mídias físicas. No aparelho atual, a distribuição fora do ambiente exclusivamente digital ocorre por meio de dois modelos distintos: os cartuchos tradicionais, que armazenam os dados do título, e os chamados game-key cards, que funcionam como cartões físicos contendo uma chave de licença que exige o download do conteúdo pela internet.

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Foto: Nintendo – Foto: Trygve Finkelsen/iStock.com

A manutenção desse ecossistema preserva práticas comuns entre os consumidores da marca nas últimas gerações de videogames. Romina Whitlock, diretora de marketing da Nintendo of America para a América Latina, declarou no sábado (10), durante o evento em São Paulo, que o formato físico não vai desaparecer na região nem no restante do mundo. Segundo a executiva, os jogadores continuam utilizando os cartuchos para montar coleções pessoais na estante, emprestar títulos a terceiros, realizar trocas ou revender os produtos usados como crédito na compra de lançamentos, operações que o modelo de licença digital não permite.

Demanda por mídias físicas da Nintendo no mercado brasileiro

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De acordo com Bill van Zyll, a preferência e a procura por jogos em caixas físicas na América Latina, com destaque para o Brasil, superam os índices registrados em diversos outros mercados globais da companhia. Durante a edição de 2026 da feira realizada no Distrito Anhembi, na capital paulista, a empresa montou um estande de 1.000 m² para atender o público local até o encerramento na segunda-feira (12). Mesmo com a alta procura por cartuchos no país, a diretora de marketing apontou que a presença da marca nas lojas físicas brasileiras ainda tem espaço para crescer.

“Valorizamos muito o consumidor brasileiro. A paixão do gamer no Brasil, até mesmo a energia do ambiente. E esta é a maior oportunidade que temos de colocar nossos jogos nas mãos das pessoas. No cenário do varejo — o varejo de lojas físicas no Brasil —, não somos tão fortes”, afirmou Romina Whitlock.

Contraste entre Nintendo, Sony, Microsoft e Rockstar Games

A decisão da Nintendo de manter os cartuchos vai na direção oposta ao movimento de outras grandes empresas do setor de videogames, que têm ampliado a oferta de aparelhos sem leitores de disco e priorizado lançamentos restritos às lojas virtuais. Na concorrente Sony, por exemplo, as cópias físicas representaram apenas 15% das vendas totais de jogos de PlayStation no quarto trimestre do ano anterior, contra os 38,5% registrados pela Nintendo no trimestre encerrado em 30 de junho de 2026. Em setembro de 2026, a própria Sony enfrentou críticas de consumidores após argumentar, em um processo judicial, que quem adquire títulos digitais compra apenas uma licença de uso, e não a propriedade definitiva do software.

Na Microsoft, a diretora-executiva (CEO) da divisão Xbox, Asha Sharma, declarou em setembro de 2026 que reconhece o apreço do público pelas mídias físicas e que deseja garantir poder de escolha aos usuários, mas ainda não confirmou oficialmente se o próximo console da marca contará com leitor de discos. Entre as produtoras de jogos, a Rockstar Games informou recentemente que não comercializará o aguardado título GTA 6 em discos físicos, restringindo o lançamento ao formato digital.

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Datas e números da transição entre jogos físicos e digitais

  • Junho de 2025: lançamento oficial do console Nintendo Switch 2 com suporte para downloads digitais, cartuchos tradicionais e cartões do tipo game-key cards.
  • 30 de junho de 2026: encerramento do trimestre fiscal no qual os jogos em mídia física responderam por 38,5% da receita total de software da Nintendo.
  • 1º de julho de 2026: anúncio oficial da Sony sobre o cronograma para encerrar a fabricação de discos físicos para novos jogos da linha PlayStation.
  • 10 a 12 de outubro de 2026: participação da Nintendo na Brasil Game Show 2026, em São Paulo, com estande de 1.000 m² e confirmação da continuidade dos cartuchos.
  • 2027: ano previsto para o lançamento do jogo Pokémon Wind Wave para Nintendo Switch 2, confirmado com versão física e localização em língua portuguesa.
  • Janeiro de 2028: início previsto pela Sony para o fim definitivo da produção de discos físicos para novos lançamentos de PlayStation.

Próximos lançamentos da Nintendo e futuro após o Switch 2

As garantias apresentadas por Bill van Zyll na capital paulista referem-se especificamente ao ciclo atual do Nintendo Switch 2. Até o momento, não há confirmação oficial da empresa japonesa sobre a manutenção de leitores de cartucho em uma eventual próxima geração de consoles que venha a suceder o aparelho lançado em 2025.

Para o calendário de curto prazo da plataforma atual, o vice-presidente da Nintendo para a América Latina confirmou o lançamento do jogo Pokémon Wind Wave para o ano de 2027, que chegará ao mercado com edição em mídia física e tradução para o português.

Janderson Luiz é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024. Formação: Atleta Profissional de Futebol

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