Papa Leão XIV retira tumor e trata adenocarcinoma pulmonar

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Leão XIV - Divulgação Foto: Leão XIV - Divulgação

O Papa Leão XIV, pontífice e líder da Igreja Católica, de 71 anos, foi diagnosticado com adenocarcinoma pulmonar após passar por uma cirurgia na terça-feira, 13 de outubro de 2026, no Hospital Policlínico Agostino Gemelli, em Roma, na Itália. Quando descoberto no estágio mais inicial, classificado como 1A1, esse tipo de tumor apresenta taxa de sobrevida em cinco anos de 90% a 92%, segundo dados da Associação Internacional para o Estudo do Câncer de Pulmão (IASLC).

A confirmação da doença ocorreu durante a operação de cerca de 90 minutos que removeu o lobo inferior do pulmão direito do pontífice. “Para assegurar a radicalidade da intervenção, foi removido o lobo inferior do pulmão direito por meio de técnica videoassistida. O exame histológico intraoperatório confirmou o diagnóstico de adenocarcinoma pulmonar, conforme suspeitado pelos exames pré-operatórios”, afirmaram Luigi Carbone, médico pessoal do Papa e vice-diretor do serviço de saúde do Vaticano, e Stefano Margaritora, professor e diretor da unidade de Cirurgia Torácica do Hospital Policlínico Gemelli, em boletim divulgado pela Sala de Imprensa da Santa Sé.

Cirurgia de 90 minutos do Papa Leão XIV e recuperação em Roma

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Foto: pulmão – sasirin pamai/Shutterstock.com

O procedimento cirúrgico foi coordenado por Margaritora, com o auxílio dos médicos Elisa Meacci, Maria Teresa Congedo e Leonardo Petracca Ciavarella, enquanto a anestesiologia ficou a cargo de Massimo Antonelli, Giovanni Punzo e Giuseppe Bello. O pontífice permaneceu no centro cirúrgico por aproximadamente três horas ao todo, acordou normalmente da anestesia e retornou ao quarto no 10º andar do hospital, onde pediu jantar na noite de terça-feira (13). Na manhã desta quarta-feira (14), a Sala de Imprensa da Santa Sé, dirigida por Matteo Bruni, divulgou um comunicado oficial: “O Papa transcorreu uma noite tranquila. Mais informações serão divulgadas ao longo do dia.”

A cirurgia videoassistida utilizada na operação é um método minimamente invasivo no qual o médico opera observando o interior do tórax por uma câmera, introduzida junto com pinças e outros instrumentos por pequenos orifícios na parede torácica para fechar vasos sanguíneos e brônquios. Ricardo Terra, professor de Cirurgia Torácica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica, explica que o lobo pulmonar é retirado inteiro dentro de um saco reforçado, princípio que garante uma margem de tecido saudável ao redor da lesão para reduzir o risco de retorno da doença e permitir uma análise completa em laboratório.

  • Domingo, 11 de outubro de 2026: ao final da oração do Angelus, na Praça de São Pedro, o Papa anuncia a detecção do nódulo pulmonar em exames de rotina.
  • Terça-feira, 13 de outubro de 2026, às 13h de Roma: o pontífice deixa o Vaticano e dá entrada no Hospital Policlínico Gemelli.
  • Terça-feira, 13 de outubro de 2026, às 18h de Roma: início da cirurgia torácica, com boletins médicos divulgados às 20h e às 22h locais (15h e 17h no horário de Brasília).
  • Quarta-feira, 14 de outubro de 2026: o Vaticano informa que o paciente teve uma primeira noite tranquila de recuperação.
  • Terça-feira, 20 de outubro de 2026: data até a qual todas as audiências e compromissos públicos permanecem cancelados, com previsão de uma semana de internação.

Taxas de sobrevida do adenocarcinoma pulmonar por estágio

O índice de sobrevida em cinco anos para o câncer de pulmão varia conforme a extensão da doença no momento do diagnóstico, medida pelo comprometimento dos linfonodos regionais e pela eventual presença de metástase em outros órgãos. De acordo com o levantamento da IASLC, a taxa de 90% a 92% registrada no estágio 1A1 recua para a faixa entre 52% e 65% no estágio 2, fica entre 12% e 41% no estágio 3 e atinge no máximo 15% no estágio 4, quando o tumor já se espalhou.

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Stephen Stefani, oncologista do grupo Oncoclínicas e colaborador da instituição científica Americas Health Foundation, aponta que a identificação da lesão em um exame de rotina, antes do surgimento de sintomas, eleva as chances de cura. O pulmão direito possui três divisões chamadas lobos, enquanto o esquerdo tem duas; segundo o médico, a remoção do lobo inferior direito exige verificação prévia da reserva respiratória, mas preserva a maior parte do órgão em funcionamento. No anúncio feito aos fiéis em 11 de outubro de 2026, o próprio Papa Leão XIV havia descrito a descoberta preliminar: “Recentemente, durante alguns exames, os médicos encontraram um nódulo circunscrito ao pulmão, identificado em uma fase muito inicial e bem localizado.”

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Causas do adenocarcinoma e histórico de saúde no Vaticano

O adenocarcinoma tem origem nas células glandulares do epitélio que revestem as vias respiratórias e produzem muco, formando-se geralmente na borda do pulmão. Esse subtipo representa cerca de 40% dos diagnósticos da doença, segundo o Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, em um universo que soma aproximadamente 31 mil novos casos anuais de câncer pulmonar no Brasil. Embora o tabagismo seja o principal causador geral — a fumaça do cigarro reúne mais de 7 mil substâncias, sendo ao menos 50 cancerígenas, conforme o Instituto Nacional de Câncer (Inca) —, o adenocarcinoma é a variação mais frequente entre pessoas que nunca fumaram, associado a alterações genéticas sem causa definida ou à exposição à poluição, ao gás radônio e ao amianto.

Eleito em 8 de maio de 2025 como sucessor do Papa Francisco, Leão XIV tornou-se o primeiro pontífice norte-americano da história e enfrenta a primeira internação e o primeiro problema grave de saúde de seu pontificado. Seu antecessor, Francisco, também teve parte do pulmão direito removida na juventude devido a uma infecção respiratória grave, mas no lobo superior. Durante todo o período sob anestesia no centro cirúrgico, Leão XIV manteve integralmente suas atribuições à frente da Igreja Católica, uma vez que as normas do Vaticano preveem transferência de poder apenas em situações de morte ou renúncia, sem mecanismo de substituição temporária por doença.

Exames de mutação genética do tumor do Papa Leão XIV

O Vaticano ainda não divulgou o estadiamento exato do tumor pelo sistema de classificação TNM, o tamanho preciso do nódulo ou se houve comprometimento de linfonodos. Também não foram informados o perfil molecular da lesão nem a eventual necessidade de tratamentos pós-operatórios.

Nos próximos dias, o tecido retirado na operação passará por análises laboratoriais para definir o estágio da doença e rastrear mutações em genes como EGFR, ALK ou KRAS. Helano Freitas, médico oncologista e colíder do Centro de Referência em Tumores de Pulmão e Tórax do A.C.Camargo Cancer Center, detalha a aplicação prática desse exame: “Mutações no gene EGFR estão presentes em cerca de 20% dos casos de adenocarcinoma de pulmão. Inibidores de EGFR foram as primeiras terapias-alvo a demonstrar maior eficácia e melhor tolerância em relação à quimioterapia, há cerca de uma década.” O resultado definirá se o pontífice precisará de terapia-alvo, imunoterapia, quimioterapia ou radioterapia, antes de iniciar o protocolo de acompanhamento pós-tratamento, que na recomendação do Inca prevê exames de imagem a cada três meses nos dois primeiros anos, semestrais até o quinto ano e tomografia anual a partir de então.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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