A Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) inicia a 21ª Legislatura em 2027 com a manutenção da maioria governista de direita liderada pelo Partido Liberal (PL) e o crescimento da oposição puxado pelo PSOL. A votação de 4 de outubro de 2026 definiu os 94 deputados estaduais paulistas e aumentou a presença de mulheres, de parlamentares negros e de nomes ligados a pautas ideológicas nas redes sociais.
O governador reeleito Tarcísio de Freitas (Republicanos) preservará uma base aliada numerosa no Legislativo estadual. Somadas, as bancadas de PL, PSD, União Brasil, Podemos, PP, Republicanos e MDB reúnem 62 das 94 cadeiras, número que chega a 65 parlamentares ao incluir Novo, PRD e PSDB, legendas que também apoiaram a reeleição do chefe do Executivo.
Divisão das 94 cadeiras da Alesp e avanço da oposição em 2027
O PL ampliou sua bancada de 21 deputados atuais para 27 parlamentares eleitos e continuará como a maior legenda da Casa. O Partido dos Trabalhadores (PT) permaneceu com a segunda maior bancada ao eleger 16 deputados estaduais, enquanto o PSOL passou de cinco para nove representantes. Com esse resultado, o bloco de oposição formado por PT, PSOL e PSB somará 28 parlamentares a partir de 2027, ganhando espaço para apresentar propostas alternativas e questionar medidas do governo estadual, embora siga em minoria no plenário.
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A distribuição das vagas mostra que a influência política não ficará restrita às duas maiores bancadas, tornando as negociações com partidos de centro e de centro-direita necessárias para aprovar projetos de lei, definir o orçamento e fiscalizar o Executivo. O PSD elegeu nove deputados estaduais; Republicanos e Podemos conquistaram seis cadeiras cada; PP e MDB terão cinco representantes cada; o União Brasil contará com quatro parlamentares; o PSB terá três; e Missão, Novo, PRD e PSDB ocuparão uma vaga cada. Com apoio estimado entre 60 e 65 deputados, a base aliada de Tarcísio de Freitas supera com folga os três quintos dos votos — 57 dos 94 parlamentares — exigidos para aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) estadual na Alesp, o que mantém condições favoráveis para o governo avançar com a sua agenda antes mesmo de negociar temas específicos.
Variação das bancadas da Alesp em relação à eleição de 2022
Dos 94 deputados estaduais escolhidos nas urnas para a 21ª Legislatura, 55 foram reeleitos e 39 chegam para um novo mandato no Parlamento paulista. Na comparação direta com os eleitos no pleito de 2022, oito partidos aumentaram o número de cadeiras conquistadas na Alesp e nove legendas encolheram ou deixaram de ter representação na Casa.
O PL registrou o maior salto em relação às 19 cadeiras obtidas nas urnas quatro anos antes, acompanhado pelo crescimento de PSD e PSOL. No sentido oposto, o PSDB sofreu a maior redução proporcional entre os partidos que permaneceram no Legislativo, enquanto cinco siglas perderam todas as vagas que detinham. A variação completa de cadeiras eleitas por partido entre 2022 e 2026 foi a seguinte:
- PL: subiu de 19 para 27 deputados eleitos (+8)
- PSD: subiu de 4 para 9 deputados eleitos (+5)
- PSOL: subiu de 5 para 9 deputados eleitos (+4)
- Podemos e PP: ganharam 2 cadeiras cada em relação a 2022
- MDB, Missão e PRD: ganharam 1 cadeira cada
- PSDB: caiu de 9 para 1 deputado eleito (-8)
- União Brasil: caiu de 8 para 4 deputados eleitos (-4)
- PT: caiu de 18 eleitos em 2022 para 16 em 2026 (-2), tendo 17 na bancada atual
- Republicanos: caiu de 8 para 6 deputados eleitos (-2)
- Cidadania: caiu de 2 cadeiras para 0
- PDT, Solidariedade, PCdoB e Rede: perderam a única cadeira que cada um detinha
Presença de 28 mulheres e 18 deputados negros na nova legislatura
A composição eleita para 2027 elevou a diversidade no perfil dos integrantes da Assembleia. O número de mulheres eleitas subiu para 28, o que corresponde a 29,79% do total de 94 cadeiras, com três candidatas figurando entre os cinco nomes mais votados de todo o estado de São Paulo.
A bancada feminina reúne parlamentares de diferentes correntes ideológicas sobre direitos das mulheres, segurança pública, políticas sociais e costumes. Pelo PL, foram reeleitas as deputadas estaduais Dani Alonso e Fabiana Bolsonaro. No campo da esquerda, o PSOL reelegeu as deputadas estaduais Paula da Bancada Feminista e Ediane Maria, além de eleger Sofia Favero.
A representação de parlamentares negros também cresceu na Casa. De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 18 deputados estaduais eleitos se autodeclararam pretos ou pardos, grupo que passará a ocupar 19,15% das vagas do Legislativo paulista.
Crescimento de 48% nos deputados eleitos por pautas nas redes sociais
Os resultados das urnas ampliaram o grupo de parlamentares cuja votação é associada à defesa de causas, posições ideológicas ou bandeiras específicas nas redes sociais. Essa fatia reunirá pelo menos 31 dos 94 deputados estaduais em 2027, ante 21 na legislatura atual, o que representa um crescimento de 48%.
A vereadora de Praia Grande Eduarda Campopiano (PL), de 23 anos, puxou a fila desse perfil ao se tornar a deputada estadual mais votada de São Paulo, com 1.956.238 votos — cerca de 8,4% dos votos válidos. O desempenho da candidata ajudou a eleger cerca de sete outros nomes da legenda por meio do quociente partidário, cálculo que distribui as vagas conforme a votação total do partido. “Sou do PL, sou uma mulher conservadora, antifeminista”, declarou Eduarda Campopiano sobre o posicionamento adotado em sua campanha nas redes sociais.
O deputado estadual reeleito Eduardo Suplicy (PT), de 85 anos, registrou a segunda maior votação do estado, com 654.627 votos. Na terceira colocação geral ficou a doutora em psicologia e mulher trans Sofia Favero (PSOL), eleita deputada estadual com 407.773 votos após campanha apoiada pela deputada federal Erika Hilton (PSOL).
Ao comentar a atuação da esquerda diante dos temas levados ao debate público pelos adversários, Sofia Favero rebateu o foco em disputas comportamentais. “Quem mais fala sobre pronome neutro é a extrema direita, nossas pautas não são essas. Nossas pautas são moradia, trabalho digno, saúde, construção de bibliotecas, hospitais. A gente está aqui para lutar pelas Fatecs [Faculdades de Tecnologia do Estado de São Paulo], pelas Etecs [Escolas Técnicas Estaduais]. A extrema direita não quer discutir nada disso, quer discutir pautas morais”, afirmou a deputada estadual eleita pelo PSOL.
Os 94 deputados estaduais eleitos para a 21ª Legislatura da Alesp, responsáveis também por instaurar comissões parlamentares de inquérito (CPIs), tomam posse em 1º de fevereiro de 2027.
