Tempestade geomagnética G1: NOAA mantém alerta após tsunami solar e chegada de vento rápido à Terra

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Erupção Solar Foto: Erupção Solar - remotevfx.com/Shutterstock.com

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, agência americana de monitoramento oceânico e atmosférico) manteve para esta quarta-feira (14) a previsão de tempestade geomagnética de categoria G1, classificada como fraca em uma escala que vai de G1 a G5. A medida acompanha a chegada de feixes de vento solar de alta velocidade à Terra e os efeitos periféricos de uma ejeção de massa coronal lançada por um tsunami solar em 10 de outubro de 2026.

O alerta inicial de observação da agência previa que o impacto no campo magnético terrestre começasse na terça-feira (13), com risco de escalar para a categoria G2 (moderada) caso a ejeção de massa coronal atingisse a magnetosfera com maior intensidade. No balanço consolidado desta quarta-feira, observadores confirmaram que o vento solar rápido alcançou o planeta, mas a tempestade G1 não se concretizou no dia 13 porque o material solar deu apenas um golpe superficial na estrutura magnética da Terra.

Comportamento do campo magnético e previsão da NOAA para 14 de outubro

Os relatórios técnicos de monitoramento apontaram que a chegada do feixe de vento solar de alta velocidade, originado em um buraco coronal do Sol, elevou a intensidade do campo magnético interplanetário (Bt) nas imediações do planeta durante a terça-feira. Apesar do aumento nessa medição, a tempestade geomagnética prevista inicialmente acabou bloqueada pela configuração magnética do próprio feixe, uma vez que o componente magnético Bz permaneceu orientado para o norte, condição física que inibe o acoplamento com o campo terrestre e impede a formação de auroras.

erupção solar
Foto: erupção solar – Antrakt2/Shutterstock.com

Para esta quarta-feira, os modelos de clima espacial da NOAA sustentam o aviso de instabilidade geomagnética de nível G1. A manutenção do alerta ocorre por causa da persistência da corrente de vento solar que sai do buraco coronal e da possível chegada de outras ejeções de massa coronal que foram disparadas pelo Sol na segunda-feira (12) e no domingo (11).

Proteção da magnetosfera e áreas de impacto da categoria G1

Em eventos classificados na categoria G1, os efeitos na infraestrutura terrestre são limitados e se concentram em regiões localizadas acima de 60 graus de latitude geomagnética, em direção aos polos. Nessas faixas, o fenômeno pode gerar pequenas flutuações em redes de transmissão de energia elétrica e impacto mínimo nas operações de satélites em órbita. Na emissão do alerta, a estimativa apontava chance de visualização de auroras boreais em pontos de alta latitude, incluindo o Canadá, o Alasca e o norte dos Estados Unidos, nos estados de Michigan e Maine.

A superfície terrestre não sofre danos diretos dessas emissões solares devido à barreira natural existente ao redor do planeta, formada pela combinação entre a atmosfera e o campo magnético. O geofísico e professor do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Gelvam André Hartmann, detalhou o funcionamento desse mecanismo de defesa natural contra as partículas eletricamente carregadas emitidas pelo Sol. Segundo Hartmann, “ele forma, juntamente com a atmosfera, a magnetosfera, que funciona como uma espécie de escudo, desviando grande parte dessas partículas e reduzindo sua interação direta com a atmosfera”.

Confira também: Tempestade geomagnética de nível G1 atinge a Terra nesta sexta-feira

Histórico da mancha solar AR4549 e ondas de Moreton em outubro

A instabilidade registrada no clima espacial durante a segunda semana de outubro tem origem na intensa atividade da região ativa denominada mancha solar AR4549. O fenômeno chamado de tsunami solar, conhecido cientificamente como onda de Moreton, consiste em uma onda de choque formada por plasma superaquecido e energia magnética que se propaga pela atmosfera do Sol logo após uma forte erupção solar, podendo atingir velocidades superiores a 1 milhão de milhas por hora.

Antes do evento que motivou o alerta para os dias 13 e 14 de outubro, a mesma região solar já havia provocado perturbações mais severas no ambiente terrestre, incluindo uma ejeção de massa coronal chamada de canibal, que ocorre quando uma nuvem de plasma mais rápida alcança e engole outra mais lenta no trajeto pelo espaço. A sequência de eventos monitorados pelos centros de clima espacial ao longo da última semana registrou os seguintes horários e marcas técnicas:

  • Quinta-feira (8), às 15h48 UTC (tempo universal coordenado): a mancha solar AR4549 produziu uma erupção solar de classe M6.7, acompanhada de uma onda de Moreton e do lançamento de uma ejeção de massa coronal;
  • Sábado (10), às 17h58 UTC: a chegada de uma ejeção de massa coronal canibal, cuja onda de plasma apresentou densidade superior a 100 prótons por centímetro cúbico, desencadeou uma tempestade geomagnética forte de nível G3 na Terra e gerou auroras visíveis na Europa até o sul da França, no mesmo dia em que uma nova erupção com tsunami solar lançou outro jato de material ao espaço;
  • Domingo (11), às 19h11 UTC: o Centro de Previsão do Clima Espacial da NOAA emitiu o documento de vigilância oficial (Watch WATA20 #1129) projetando tempestade G1 para o dia 13;
  • Terça-feira (13), às 18h (horário de Brasília): horário que havia sido previsto pelos modelos da agência para o início do impacto do vento solar rápido e da ejeção de 10 de outubro no campo magnético da Terra.

O monitoramento do Centro de Previsão do Clima Espacial da NOAA segue acompanhando a evolução da corrente de vento solar ao longo desta quarta-feira para verificar se as ejeções lançadas nos dias 11 e 12 de outubro atingirão a magnetosfera terrestre.

Janderson Luiz é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024. Formação: Atleta Profissional de Futebol

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