99 estreia sistema de IA que detecta acidentes de moto e chama o SAMU

Aplicativo 99

Aplicativo 99 - Foto: Diego Thomazini / Shutterstock.com

A plataforma de transporte 99 colocou em operação no Brasil o Suporte em Tempo Real, sistema de inteligência artificial que identifica possíveis acidentes em viagens de motocicleta sem depender de pedido de ajuda das vítimas. Anunciada em 14 de outubro de 2026 no Rio de Janeiro, a ferramenta aciona de forma automática a central de segurança da empresa e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).

O recurso atende inicialmente as modalidades de duas rodas do aplicativo, que englobam o transporte de passageiros 99Moto e o serviço de entregas 99Food. “Por meio de sistemas de inteligência artificial, detectamos sinais de que aconteceu um acidente de trânsito. A equipe da 99 especializada em segurança entra em contato com o motociclista e também aciona o Samu”, afirmou Maria Luiza Marcolan, gerente sênior responsável pela frente de Prevenção e Percepção de Segurança da 99.

Suporte em Tempo Real: lançamento, cobertura e funcionamento na 99

A apresentação oficial da tecnologia ocorreu durante o painel “Além da rota Como a IA e a inovação estão redefinindo a segurança no transporte por aplicativo”, que também reuniu representantes das empresas Único e Trama. Quando os algoritmos detectam uma anomalia grave no deslocamento, o alerta é encaminhado para uma equipe humana dedicada da própria plataforma.

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Os operadores tentam contato imediato com o condutor e com o passageiro para confirmar a ocorrência. Caso a emergência se confirme ou não haja resposta, o grupo solicita o envio de ambulância pública e dá início aos trâmites para liberação do seguro de vida, cobertura incluída em todas as viagens da plataforma.

  • Evento de apresentação: primeira edição do 99 Tech Summit, realizada nesta quarta-feira (14) e nesta quinta-feira (15).
  • Local do anúncio: Museu de Arte Moderna (MAM), no Rio de Janeiro (RJ).
  • Modalidades contempladas na estreia: 99Moto e 99Food em território nacional.
  • Regime da central de atendimento: operação contínua durante 24 horas por dia, sete dias por semana.
  • Ações da equipe de suporte: contato direto com os envolvidos, chamado ao SAMU e abertura do seguro de vida.
Foto: Pessoa com celular – Foto: PeopleImages.com – Yuri A/ Shutterstock.com

Sensores do celular e queda de 35% nos acidentes na 99

A identificação automatizada de colisões ou quedas tem como base a telemetria, sistema que mede dados de deslocamento à distância por meio dos sensores instalados no próprio aparelho celular do motociclista. Embora a triagem inicial ocorra de modo totalmente automático pelos algoritmos, a checagem do sinistro e o despacho de socorro permanecem sob decisão dos profissionais de atendimento.

A empresa iniciou o uso da telemetria nas categorias de duas rodas em 2025 para acompanhar o padrão de pilotagem no aplicativo. No primeiro trimestre de 2026, a combinação desse monitoramento técnico com ações educativas resultou em uma redução de 35% no volume de acidentes registrados pela 99, na comparação com o primeiro trimestre de 2025.

Os registros coletados nas corridas geram um relatório individual de direção, no qual o motociclista consulta uma nota de desempenho e recebe materiais educativos sobre as falhas apontadas. Condutores que mantêm comportamentos inadequados de forma recorrente ficam sujeitos a bloqueio permanente na plataforma ou a suspensões temporárias, conforme os critérios monitorados pelo aplicativo:

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  • Parâmetros físicos do aparelho: frenagens bruscas, acelerações repentinas, curvas acentuadas e mudanças súbitas de velocidade.
  • Variáveis da viagem: desvios de rota não previstos, horário do deslocamento e localização geográfica.
  • Punição temporária por conduta inadequada reincidente: suspensão da conta pelo período de 5 a 30 dias.
  • Histórico de aportes da empresa em segurança: R$ 50 milhões investidos em 2024 e R$ 75 milhões aplicados em 2025.

Prevenção de assédio com IA e tecnologia da DiDi na 99

O novo detector de acidentes integra a base tecnológica da DiDi, grupo chinês controlador da 99. Na China, a matriz já emprega sistemas de telemetria para monitorar o comportamento de motoristas em veículos de quatro rodas. No México, a companhia opera uma ferramenta similar voltada a emergências em articulação direta com a Secretaria de Segurança Cidadã da Cidade do México, modelo que inclui a identificação de padrões de corridas ligados a casos de violência sexual mesmo sem denúncia inicial da vítima.

“Tudo que a gente fala de segurança na 99 não é só sobre criar uma ferramenta isolada. A gente está falando de um ecossistema: entender o risco, antecipar situações e pensar em soluções que efetivamente tornem a vida das pessoas mais segura”, disse Marcolan. A executiva acrescentou que o foco do desenvolvimento é o usuário final: “Nosso time pensa muito em soluções de segurança que realmente sejam úteis para quem está na ponta”.

No Brasil, esse conjunto de ferramentas de inteligência artificial já conta com os sistemas Pítia e Atena, voltados à proteção de mulheres e à prevenção de assédio. Os algoritmos identificam chamados feitos em contextos de maior vulnerabilidade, como solicitações de viagens na madrugada perto de bares e casas noturnas. “Eu tô numa situação potencialmente de risco porque eu posso ter ingerido bebida alcoólica, eu posso estar mais cansada”, exemplificou a gerente sênior sobre o perfil dessas corridas. “Aqui a gente também vai priorizar automaticamente essas solicitações para os motoristas mais bem avaliados pela plataforma”, declarou.

Enquanto a ferramenta Atena dispara avisos preventivos aos condutores para reforçar as regras contra assédio, outro recurso de inteligência artificial inspeciona as mensagens trocadas no chat do aplicativo antes do embarque. Se o sistema detectar termos inadequados, o envio do texto é bloqueado e a viagem é cancelada automaticamente.

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A 99 ainda não divulgou a taxa de precisão do Suporte em Tempo Real na detecção de acidentes de moto nem a estimativa de tempo que o acionamento automático economizará no socorro às vítimas. Embora tenha interesse em expandir a telemetria de acidentes para corridas de carros de quatro rodas no Brasil, nos moldes da operação chinesa, a companhia não definiu uma data para essa implementação.

Beatriz: Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.