Apple sobe 27,28% no ano, mas Microsoft lidera potencial em Wall Street

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Apple Foto: Apple - rukawajung / Shutterstock.com

As ações da Apple (AAPL) e da Microsoft (MSFT) entram no último trimestre de 2026 com trajetórias opostas nas carteiras recomendadas de Wall Street, em Nova York. Enquanto a fabricante do iPhone lidera os ganhos na bolsa americana no acumulado do ano até esta quarta-feira (14) com valorização de 27,28%, a dona do sistema Windows reúne 94,4% de recomendações de compra entre os analistas financeiros e projeta potencial de alta de 9,2% para os próximos 12 meses.

No mesmo período, a Microsoft acumulou ganho de 13,39% na bolsa, ficando 13,89 pontos percentuais atrás da concorrente em rentabilidade anual. Para os próximos 12 meses, porém, o cenário projetado pelos bancos se inverte: apenas 58,9% dos especialistas recomendam a compra dos papéis da Apple, cujo preço-alvo consensual aponta potencial de queda de 2,5% frente à cotação de US$ 344,14 registrada em 14 de outubro de 2026.

Microsoft e Apple: múltiplos de lucro e estimativas para 2027

A preferência dos analistas pela Microsoft reflete uma avaliação de preço considerada menos exigente em relação aos lucros projetados e ao ritmo de expansão operacional esperado para o exercício fiscal de 2027 (que se encerra em junho para a Microsoft e em setembro para a Apple). No indicador Preço/Lucro projetado (PER forward, que mede quantos dólares o investidor paga por cada dólar de lucro anual previsto), a Microsoft é negociada a 25,65 vezes, enquanto a Apple opera a 35,70 vezes. A diferença se repete no múltiplo EV/EBITDA — métrica que relaciona o valor total da companhia, incluindo a dívida líquida, ao lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização —, no qual a Microsoft registra 13,67 vezes contra 27,06 vezes da rival, acompanhada de projeções superiores de receita e margem operacional.

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Gráfico do mercado de ações financeiro
Foto: Gráfico do mercado de ações financeiro – Foto: Diego Thomazini/istock
  • Preço de referência da ação em 14 de outubro: US$ 344,14 (Apple) e US$ 535,66 (Microsoft).
  • Preço-alvo consensual para 12 meses: US$ 335,66 para Apple (-2,5%) e US$ 584,90 para Microsoft (+9,2%).
  • Lucro por ação (EPS) ajustado estimado para o ano fiscal de 2027: US$ 9,60 (Apple) e US$ 19,84 (Microsoft).
  • Margem operacional projetada para o ano fiscal de 2027: 31,7% (Apple) e 46,6% (Microsoft).
  • Crescimento estimado de receita para o ano fiscal de 2027: 10,0% (Apple) e 18,1% (Microsoft).

Citi eleva preço-alvo da Microsoft para US$ 636 com avanço do Azure

Em relatório divulgado nesta quarta-feira (14), o analista de ações do Citi, Tyler Radke, elevou o preço-alvo dos papéis da Microsoft de US$ 600 para US$ 636 e reiterou a recomendação de compra. O banco baseou a revisão em pesquisas com diretores de investimentos (CIOs, executivos responsáveis pelo orçamento de tecnologia das empresas) e revendedores, que indicaram aumento nos gastos corporativos com inteligência artificial. Radke apontou “um potencial de alta e uma aceleração do crescimento tanto no Azure quanto no Copilot, em licenças e consumo”.

De acordo com a equipe de análise do Citi, “a Microsoft está se destacando cada vez mais como a principal beneficiária, em termos de plataforma, dos gastos corporativos com inteligência artificial”. A instituição financeira projeta que a divisão de computação em nuvem Azure cresça entre 46% e 47% no primeiro trimestre fiscal de 2027, em base anual ajustada pelo câmbio. Como fator de risco para os investidores, o Citi ressalta que o volume elevado de investimentos em infraestrutura de inteligência artificial pode pressionar os resultados de longo prazo se a adoção comercial das ferramentas ficar abaixo do esperado.

Recuperação da Microsoft soma US$ 1,4 trilhão em valor de mercado

O otimismo dos bancos acompanha a recuperação das ações da Microsoft no segundo semestre de 2026. Na terça-feira (13), os papéis da companhia atingiram a cotação recorde de fechamento de US$ 543,45, superando a marca histórica anterior de US$ 542,07, que havia sido registrada em 28 de outubro de 2025.

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Antes dessa retomada, em junho de 2026, a empresa havia sofrido uma queda mensal de 17% na bolsa — seu pior resultado para um único mês desde o ano 2000 —, o que eliminou quase US$ 600 bilhões em valor de mercado diante da desconfiança de investidores sobre o retorno financeiro dos gastos em inteligência artificial. A virada começou em 29 de julho de 2026, data em que o balanço trimestral revelou expansão de 43% no Azure (acima da estimativa de 40%) e receita anualizada superior a US$ 100 bilhões pela primeira vez, fazendo a ação subir 16% no pregão seguinte e acumular, desde as mínimas de junho até a máxima de outubro, alta acima de 54% e ganho de cerca de US$ 1,4 trilhão em valor de mercado.

Barclays mantém cautela com Apple após lançamento do iPhone 18 e do dobrável Duo

Na ponta oposta das análises de Wall Street, o banco Barclays mantém recomendação “underweight” (abaixo do peso do mercado, equivalente à indicação de cautela ou venda) e preço-alvo de US$ 245 para a Apple, conforme relatório assinado pelo analista Tim Long em setembro de 2026. A instituição aponta incertezas sobre a reação dos consumidores ao aumento dos preços médios dos aparelhos e ao impacto nas vendas provocado pela ausência de novos modelos básicos do iPhone na atual temporada.

A nova geração de celulares foi apresentada em 9 de setembro de 2026 pelo novo diretor-executivo (CEO) da Apple, John Ternus, que assumiu o comando da empresa em 1º de setembro de 2026 em substituição a Tim Cook. No evento realizado no Steve Jobs Theater, a marca anunciou o iPhone 18 Pro (a partir de US$ 1.199) e o iPhone 18 Pro Max (a partir de US$ 1.299), cujas vendas começaram em 18 de setembro de 2026. Na mesma ocasião, a companhia revelou seu primeiro smartphone dobrável, o iPhone Duo, equipado com tela interna de 7,6 polegadas e preço inicial de US$ 1.999, valor inferior aos mais de US$ 2.200 previstos pelos analistas.

Além dos celulares, a empresa anunciou oficialmente na terça-feira (13) o lançamento do Apple HomeView, dispositivo de casa inteligente com tela Liquid Retina de 7 polegadas que concorre com aparelhos da Amazon (AMZN) e da Alphabet/Google (GOOGL). Com pré-venda aberta por US$ 299, o equipamento integra os sistemas Apple Intelligence e Siri AI, realiza chamadas via FaceTime e utiliza reconhecimento facial para configurar perfis de até seis moradores. Sobre o produto, o vice-presidente sênior de Marketing Mundial da Apple, Greg Joswiak, declarou, em tradução livre, que “o Apple HomeView foi projetado para ser compartilhado por todos na casa e, ainda assim, parecer completamente pessoal para cada usuário”.

O calendário comercial da Apple prevê a chegada do celular dobrável iPhone Duo às lojas na sexta-feira (23) e a estreia da tela inteligente Apple HomeView no mercado em 13 de novembro de 2026.

Acompanhe: Apple aceita aplicativos adaptados para a tela do iPhone Duo

Janderson Luiz é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024. Formação: Atleta Profissional de Futebol

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