O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, referiu-se ao Brasil como “um pequeno país” em tom de brincadeira sobre a dimensão continental do território brasileiro. A declaração ocorreu na quarta-feira (14), em Jerusalém, quando o premiê recordou a viagem à posse do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e sinalizou que pode retornar caso o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vença a eleição presidencial contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O discurso foi proferido no Ministério das Relações Exteriores israelense durante a inauguração da Embaixada da Colômbia em Jerusalém. Na ocasião, Netanyahu sorriu ao relembrar as visitas feitas à América Latina ao lado de sua esposa, Sara Netanyahu. Segundo o premiê, antes de sua viagem em 2017, nenhum primeiro-ministro israelense no exercício do cargo havia viajado ao sul do Texas em um período aproximado de 70 anos da história de Israel.
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“Os primeiros lugares que visitamos —eu e Sara— foram 3: Colômbia, Argentina e México. Foi uma visita excelente, marcada por muita cordialidade em cada um desses países. Aliás, um ano depois, creio que fomos a um pequeno país chamado Brasil, para a posse do presidente Bolsonaro. Quem sabe? Talvez voltemos lá”, declarou Benjamin Netanyahu.
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Críticas de Benjamin Netanyahu a governos da América Latina e mudança em Jerusalém
Durante a cerimônia, o chefe de governo israelense afirmou que o vínculo com países latino-americanos sofreu desvios nos últimos anos. Ele atribuiu o afastamento ao surgimento de “novos faraós” e a uma “aliança global woke”, termo em inglês usado no debate político para designar pautas progressistas e de esquerda.
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“O fato é que existiam conexões profundas que acabaram se perdendo, sendo completamente desviadas de seu curso, porque —na Argentina, no México, no Brasil e, lamento dizer, na Colômbia— surgiram novos ‘faraós’; faraós que não conheciam José, nem Gideão, nem Benjamin. E tudo desmoronou por causa da aliança global woke. Foi só ladeira abaixo”, disse o primeiro-ministro.
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Em seguida, Netanyahu avaliou que a região passa por uma retomada diplomática com Israel. A representação colombiana inaugurada no evento foi transferida de Tel Aviv para Jerusalém, tornando-se a 10ª embaixada estrangeira instalada na cidade e cumprindo uma promessa do presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella.
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“E agora preciso dizer que algo extraordinário está acontecendo na América Latina. Tudo está voltando. Tudo está voltando. A grande amizade, a grande simpatia, a profunda afinidade entre nossos povos. Uma amizade verdadeira”, afirmou Netanyahu. O premiê também solicitou à equipe a troca do mapa de seu gabinete: “Por favor, altere [o mapa]. Coloque um mapa que inclua a América Latina. Por favor, façam isso. Toda a África, toda a Ásia, porque o mundo está voltando”.
Cronologia da relação de Benjamin Netanyahu com a política do Brasil
O posicionamento do governo israelense reflete a alternância nas relações diplomáticas com Brasília desde a gestão de Jair Bolsonaro, quando o governo brasileiro chegou a cogitar a transferência da embaixada de Tel Aviv para Jerusalém, mudança que não se concretizou. Já no terceiro mandato de Lula, o presidente brasileiro criticou a ofensiva militar na Faixa de Gaza e comparou as ações ao Holocausto, sendo declarado persona non grata (pessoa não bem-vinda, no jargão diplomático) por Israel.
- 1 de janeiro de 2019: Benjamin Netanyahu comparece à posse presidencial de Jair Bolsonaro em Brasília.
- 2024: Governo de Israel declara o presidente Luiz Inácio Lula da Silva persona non grata após declarações sobre a Faixa de Gaza.
- 5 de outubro de 2026: Após o primeiro turno no Brasil, Netanyahu parabeniza Flávio Bolsonaro e deseja uma “grande vitória” e a retomada da amizade bilateral.
- 14 de outubro de 2026: Em discurso em Jerusalém, o premiê sugere voltar ao Brasil em eventual posse de Flávio Bolsonaro.
- 25 de outubro de 2026: Data do segundo turno da eleição presidencial brasileira entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro.
