Veja a comparação entre as fortunas de Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT)

Flávio Bolsonaro e Lula - Reprodução

Flávio Bolsonaro e Lula - Reprodução

O senador e candidato à Presidência da República Flávio Nantes Bolsonaro (PL-RJ) declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um patrimônio total de R$ 8.186.555,83 para a disputa das eleições de 2026, em Brasília. O montante é 71,4% superior ao informado pelo presidente da República e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que registrou R$ 4.775.650,64 em bens, estabelecendo uma diferença nominal exata de R$ 3.410.905,19 entre os dois concorrentes.

A evolução patrimonial dos candidatos ganhou centralidade na campanha e levou ambos a assinarem, na última quinta-feira (22), um acordo no TSE para a quebra mútua de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, estendido também aos seus familiares. A medida ocorreu após Lula desafiar o adversário durante debate televisivo para mostrar “quem é corrupto nesse país”, segundo declarou o presidente na ocasião.

Imóvel no Lago Sul concentra 76% dos bens de Flávio Bolsonaro

O principal ativo listado na declaração de Flávio Bolsonaro é uma mansão situada no Lago Sul, área nobre de Brasília, avaliada no registro eleitoral em R$ 6.226.043,80, cifra que representa cerca de 76% de todo o patrimônio comunicado pelo parlamentar à Justiça Eleitoral. De acordo com informações apresentadas pela campanha do candidato do PL, o imóvel foi quitado com recursos oriundos de seu salário de senador — cuja remuneração bruta é de R$ 46.366,19 e a líquida, de R$ 33.912,13 —, somados aos rendimentos de sua atuação na advocacia e à renda de sua esposa, proprietária de um consultório odontológico na capital federal.

Além da residência no Distrito Federal, a lista de bens de Flávio Bolsonaro entregue ao TSE detalha aplicações financeiras, saldos bancários, participações em empresas e um automóvel. A distribuição exata do restante do patrimônio do senador compreende os seguintes valores:

  • R$ 1.090.520,47 aplicados em fundo de investimento em cotas multimercado;
  • R$ 568.730,23 distribuídos em saldos e depósitos bancários;
  • R$ 133.000,00 referentes a um veículo automotor ano 2014;
  • R$ 103.746,23 guardados em caderneta de poupança no Banco Itaú;
  • R$ 56.249,00 somados em três participações societárias, divididas em R$ 46.000,00 em quotas de capital, R$ 10.000,00 de sociedade individual de advocacia e R$ 249,00 em outra participação;
  • R$ 8.266,10 aplicados em Certificado de Depósito Bancário (CDB), título de renda fixa emitido por bancos, no Banco do Brasil.

Patrimônio de Lula recua 35,7% e mantém foco em previdência VGBL

Na outra ponta da disputa presidencial, o patrimônio de R$ 4.775.650,64 informado por Luiz Inácio Lula da Silva em 2026 representa uma retração nominal de 35,7% na comparação com os cerca de R$ 7,4 milhões declarados por ele na campanha eleitoral de 2022. Se o montante registrado há quatro anos fosse corrigido pela inflação acumulada no período, o patrimônio anterior do petista equivaleria a aproximadamente R$ 8,8 milhões em valores de 2026.

A queda reflete principalmente a redução nos saldos de fundos de previdência privada da modalidade Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL), tipo de aplicação voltada à aposentadoria e ao planejamento sucessório. Em 2022, Lula mantinha R$ 5,6 milhões aplicados nessa categoria; no registro de 2026, o total recuou para cerca de R$ 3,3 milhões, divididos em dois planos de aproximadamente R$ 1,92 milhão e R$ 1,38 milhão nas instituições Bradesco e Brasilprev.

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A relação de bens do candidato do PT inclui ainda outras aplicações financeiras, créditos a receber e propriedades imobiliárias localizadas no município de São Bernardo do Campo, na Região Metropolitana de São Paulo. Ainda não há confirmação em múltiplas fontes sobre os valores individualizados de dois imóveis declarados por Lula na cidade paulista — apontados preliminarmente como R$ 94,5 mil pela metade de um apartamento e R$ 247 mil por uma casa em construção —, assim como sobre a metragem exata da mansão de Flávio Bolsonaro no Lago Sul (citada como tendo 1.100 metros quadrados de área construída em terreno de 2.400 metros quadrados) e o ano exato de sua aquisição, indicado como 2021.

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Crescimento de 370% desde 2018 e comparação no clã Bolsonaro

Em comparação com o pleito de 2018, quando declarou nominalmente R$ 1,74 milhão ao concorrer ao Senado, o patrimônio de Flávio Bolsonaro registrou expansão nominal de 370% até alcançar os R$ 8.186.555,83 em 2026. Mesmo descontada a inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no intervalo de oito anos — pela qual o valor de 2018 corresponderia a cerca de R$ 2,64 milhões —, o ganho real acumulado pelo senador foi de 210,8%.

Com esse volume de recursos, o candidato à Presidência detém o maior patrimônio entre todos os membros da família Bolsonaro que disputaram cargos eletivos pelo PL nas eleições de 2026, superando os montantes informados por Michelle Bolsonaro (R$ 4,5 milhões), Carlos Bolsonaro (R$ 2,78 milhões), Rogéria Bolsonaro (R$ 790 mil), Renato Bolsonaro (R$ 269 mil) e Jair Renan Bolsonaro (R$ 187 mil). No quadro geral de todos os candidatos à Presidência da República em 2026, porém, ambos os líderes das pesquisas ficam distantes do topo da lista patrimonial do TSE, liderada por Pablo Marçal (PRTB), que declarou R$ 7,4 bilhões, seguido por Romeu Zema (R$ 178,7 milhões), Ronaldo Caiado (R$ 52,56 milhões) e Wilson Grassi (R$ 50 milhões), enquanto Samara Martins (UP) registrou o menor valor entre os concorrentes que declararam bens, com R$ 33 mil.

Evolução dos bens de Flávio Bolsonaro e acordo de sigilos em 2026

O histórico de registros na Justiça Eleitoral e os desdobramentos políticos de outubro de 2026 mostram a trajetória patrimonial do senador e as etapas que levaram à assinatura do termo de abertura de dados fiscais e bancários entre os dois adversários no TSE:

  • 2006 — Flávio Bolsonaro declara patrimônio total de R$ 385 mil à Justiça Eleitoral;
  • 2010 — O montante informado pelo político avança para R$ 691 mil;
  • 2014 — A declaração de bens registra o valor de R$ 714 mil;
  • 2016 — O patrimônio declarado atinge a marca de R$ 1,5 milhão;
  • 2018 — Ao disputar o Senado, Flávio informa R$ 1,74 milhão em bens;
  • 13 de agosto de 2026 — Às 19h43, Flávio Bolsonaro formaliza o registro de sua candidatura presidencial no TSE com R$ 8.186.555,83 em bens;
  • 18 de outubro de 2026 — Durante debate na Band, Lula desafia Flávio Bolsonaro a abrir seus sigilos bancário, fiscal e telefônico;
  • 20 de outubro de 2026 — Na terça-feira (20), Lula protocola no TSE a proposta oficial de quebra de sigilos incluindo a si mesmo, a primeira-dama Rosângela da Silva (Janja) e seu filho Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha);
  • 21 de outubro de 2026 — Na quarta-feira (21), Flávio Bolsonaro condiciona o acordo à inclusão de Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-assessor de Lula conhecido como Marcola, exigência aceita pela campanha petista;
  • 22 de outubro de 2026 — Na quinta-feira (22), os dois candidatos assinam o acordo de quebra mútua de sigilos no TSE.

Todos os documentos patrimoniais entregues pelos concorrentes ao Palácio do Planalto estão disponíveis para consulta pública no sistema DivulgaCandContas, plataforma oficial do TSE que reúne os registros de candidaturas e prestações de contas eleitorais. Os números divulgados pelo tribunal refletem estritamente os valores históricos de aquisição autodeclarados pelos candidatos no Imposto de Renda, não correspondendo necessariamente à cotação de mercado atualizada dos imóveis e demais ativos.

Luís Henrique Costa: Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.