O repórter Felipe Santana, do programa Fantástico e correspondente da TV Globo, avaliou carros autônomos particulares e táxis sem motorista nas cidades de Nova York e São Francisco, nos Estados Unidos, e em Xangai, na China. Os testes integram o último episódio da série Entre Dois Mundos, exibido no domingo, 11 de outubro de 2026, que investigou a disputa tecnológica e econômica entre as duas potências.
Durante as demonstrações em trajetos urbanos complexos, os automóveis aceleraram, frearam, mudaram de faixa, desviaram de pedestres e estacionaram em vagas sem que ninguém tocasse no volante. “Não são carros, são inteligência artificial sobre rodas“, afirmou o repórter Felipe Santana. Os nomes comerciais exatos das empresas operadoras dos táxis e dos modelos de passeio avaliados em Nova York, São Francisco e Xangai não foram divulgados.
Como funcionam os níveis dos carros autônomos nos testes?
A interpretação do trânsito ao redor dos veículos ocorre por meio da integração contínua entre radares, câmeras e sistemas computacionais que processam grandes volumes de dados em tempo real para tomar decisões de parada ou retomada de movimento. Na China, um dos automóveis particulares avaliados utiliza sistemas eletrônicos que permitem abrir as portas sem contato físico, além de 11 câmeras espalhadas pela carroceria para mapear ciclistas, semáforos e outros veículos na via. Na terça-feira (13), outro recorte da mesma série mostrou em território chinês um carro elétrico anfíbio equipado com quatro motores independentes, um em cada roda, capaz de girar no próprio eixo, flutuar, navegar na água usando as rodas como propulsão e acionar a abertura automática do teto solar em emergências de enchentes.
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A indústria automobilística classifica a tecnologia de condução assistida e automatizada em uma escala progressiva:
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- Níveis iniciais (1 e 2): o sistema auxilia em tarefas específicas, como frear, acelerar e manter a faixa; os modelos particulares testados na reportagem pertencem ao nível 2 e exigem supervisão contínua do condutor ao volante.
- Nível 3: o computador assume a direção em condições determinadas, mas o motorista precisa estar pronto para retomar o controle quando solicitado.
- Nível 4: o automóvel opera sozinho dentro de perímetros geográficos ou condições climáticas delimitadas.
- Nível 5: estágio de automação completa, sem necessidade de qualquer intervenção humana em nenhum cenário.
Táxis autônomos em São Francisco e Xangai têm comportamentos distintos
Além dos automóveis de passeio, frotas comerciais de táxis sem motorista já transportam passageiros em áreas delimitadas de São Francisco e do distrito de Pudong, em Xangai. “Para pegar um carro autônomo aqui em São Francisco, a gente só tem que usar um aplicativo (…). A diferença é que quem vai chegar aqui pra gente é um robô”, disse Felipe Santana.
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Na cidade americana, o veículo demonstrou condução mais ágil e desenvolta ao contornar obstáculos na pista em comparação a um teste feito pela mesma equipe três anos antes. Já nas avenidas largas de Pudong, o táxi-robô adotou um comportamento mais cauteloso e realizou uma freada brusca durante o percurso.
Apesar dos avanços operacionais, os sistemas enfrentam limitações diante de buracos, chuva, motocicletas e tráfego intenso. Uma pesquisa conduzida pelo especialista e pesquisador em tecnologia de veículos autônomos e inteligência artificial Alexandre Nascimento investigou o impacto de elementos inesperados diante das lentes de leitura. O estudo apontou que situações imprevisíveis nas vias podem elevar em até cinco vezes, em média, o risco de acidentes em condições experimentais, mantendo em aberto os debates sobre responsabilidade legal no trânsito.
Disputa entre China e Estados Unidos nos carros autônomos envolve dados e baterias
A substituição do foco tradicional na potência dos motores pelo desenvolvimento de chips, softwares e baterias acirrou a concorrência industrial entre asiáticos e americanos. O domínio da cadeia de suprimentos pela China fez com que montadoras dos Estados Unidos, como a Tesla, passassem a utilizar baterias com tecnologia da fabricante chinesa BYD em seus veículos.
Os números levantados na apuração demonstram a diferença de escala e de custos entre os dois mercados:
- Eletropostos públicos na China: mais de 5 milhões de pontos de recarga instalados.
- Eletropostos públicos nos Estados Unidos: cerca de 250 mil pontos de recarga disponíveis.
- Custo do táxi autônomo americano: estimado em mais de R$ 600 mil por unidade.
- Custo do veículo autônomo chinês: estimado em cerca de R$ 180 mil por unidade apresentada.
- Refino global de lítio: cerca de dois terços (2/3) da produção mundial estão sob controle da China, país que também sedia as duas maiores fabricantes globais de baterias.
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O funcionamento dessas frotas exige a coleta ininterrupta de imagens e informações de deslocamento para treinar os algoritmos de inteligência artificial, o que gera questionamentos sobre privacidade e destino dos dados dos usuários. Os detalhamentos técnicos sobre o veículo que estaciona sozinho foram publicados nesta quinta-feira (15) e mostram que parte das operações de táxis sem motorista nos dois países conta com equipes humanas em centrais remotas, responsáveis por monitorar vários carros simultaneamente e intervir em ocorrências atípicas.
