Um ciclone extratropical associado ao avanço de uma frente fria forma-se próximo ao litoral das regiões Sul e Sudeste entre a noite desta quinta-feira (15) e a madrugada de sexta-feira (16). O sistema meteorológico mantém o Sudeste sob aviso laranja de perigo para tempestades e espalha chuvas intensas e ar frio para áreas do Centro-Oeste e do Nordeste.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê volumes de chuva entre 30 e 60 mm/h ou de 50 a 100 mm/dia, acompanhados por ventos intensos de 60 a 100 km/h e possibilidade de queda de granizo. As instabilidades ocorrem um dia após um temporal causar uma morte por deslizamento e deixar 28 veículos submersos na cidade de São Paulo.
Regiões afetadas e previsão de temperaturas do Inmet no Sudeste
O sistema de baixa pressão atmosférica origina-se do encontro de uma massa de ar polar fria com áreas de ar quente, criando uma zona de conflito atmosférico que avança pelo país. Segundo o Inmet, o ciclone terá inicialmente um núcleo relativamente frio e estrutura pouco organizada, passará por uma rápida fase de núcleo mais aquecido e voltará a ter características de núcleo frio profundo ao se deslocar pelo Oceano Atlântico Sul, onde a temperatura da superfície do mar cai de aproximadamente 23°C para 14°C.
Essa movimentação sobre águas mais frias favorece a entrada de ar frio sobre o centro-sul do Brasil no fim de semana e pode configurar a primeira Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS, corredor de nebulosidade que mantém chuvas contínuas por vários dias) da temporada. O avanço do sistema afeta estados de três regiões e estabelece diferentes marcas nos termômetros das capitais nesta quinta-feira, 15 de outubro de 2026:
- Sudeste: chuvas fortes em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, com temperaturas máximas previstas pelo Inmet de 28°C em Belo Horizonte (MG) e de 29°C no Rio de Janeiro (RJ) e em Vitória (ES);
- Centro-Oeste: temporais atingem Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal;
- Nordeste e Norte: instabilidades avançam sobre a região do Matopiba, formada por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia;
- Cidade de São Paulo: mínima de 17°C na manhã desta quinta-feira (15) e umidade relativa do ar em 99%, com retorno das chuvas entre a tarde e a noite.
Temporal em São Paulo causou morte na Brasilândia e inundou túnel
O alerta de tempestades na capital paulista permanece ativo após o forte temporal registrado às 15h25 de quarta-feira (14), que provocou a quinta morte por chuvas na cidade em 2026 e levou a administração municipal a suspender o rodízio de veículos. Na Rua Santa Cruz do Monte Castelo, na Brasilândia, zona norte, um deslizamento de terra em área classificada pela prefeitura como de risco geológico atingiu uma residência e matou soterrada a moradora Rosa Fidelis Gaspar, de 47 anos. As águas também alagaram o Terminal Bandeira e os acessos às estações Japão-Liberdade (Linha 1-Azul) e Trianon-Masp (Linha 2-Verde) do Metrô, causaram o transbordamento do lago do Parque Ibirapuera e o desabamento parcial, sem vítimas, de uma pensão na Rua Conselheiro Ramalho, na Bela Vista.
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No centro da capital, a chuva inundou o Túnel São João Paulo II (Túnel do Vale do Anhangabaú), onde 26 carros e dois ônibus ficaram submersos e quatro pessoas precisaram ser resgatadas pelo Corpo de Bombeiros. O motorista Maury Lucas, que teve o veículo atingido pela água na passagem subterrânea, relatou que não houve bloqueio preventivo no sentido Zona Norte, medida prevista em um protocolo estabelecido pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) em dezembro de 2006 para alertas de chuvas intensas.
A Prefeitura de São Paulo informou que seis bombas de drenagem funcionaram durante o temporal, mas a vazão foi insuficiente para conter o volume de água. O mesmo túnel já havia registrado uma inundação severa em março de 1999, quando a água atingiu cerca de 5 metros de altura, alcançou o teto da estrutura e cobriu cerca de 160 veículos, incluindo três ônibus.
Trânsito no Anhangabaú e queda de temperatura a partir de segunda-feira (19)
Na manhã desta quinta-feira (15), o tráfego de veículos já estava totalmente liberado no Túnel do Vale do Anhangabaú. De acordo com o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE) da Prefeitura de São Paulo, a cidade acumulou 81,6 mm de chuva em outubro até a manhã do dia 15, o que representa 72,8% dos 112 mm esperados para todo o mês.
Após o retorno das precipitações entre a tarde e a noite desta quinta-feira (15) e a passagem da frente fria associada ao ciclone extratropical na sexta-feira (16), o CGE prevê uma queda mais acentuada nas temperaturas na capital paulista a partir de segunda-feira (19).
