Desterro Rugby forma jovens atletas de graça em Florianópolis

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Florianópolis Foto: Florianópolis - ByDroneVideos/Shutterstock.com

A formação gratuita de novos jogadores de categorias de base do Desterro Rugby Clube ocorre três vezes por semana em um campo cedido pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), no bairro Tapera, em Florianópolis. Com 30 anos de história completados, a agremiação atende crianças e adolescentes a partir dos 7 anos enquanto prepara a equipe juvenil, composta por atletas de até 19 anos, para disputar a semifinal do Campeonato Brasileiro em 31 de outubro de 2026, na capital catarinense.

O trabalho nas categorias menores busca descobrir talentos em uma modalidade com pouca divulgação no país e ensinar princípios que vão além do resultado esportivo. Técnico da categoria sub-15 masculina do Desterro Rugby, Sami Dubena explica a metodologia aplicada nos treinos realizados em meio aos eucaliptos do terreno universitário. “O clube tem várias categorias, da base ao profissional, com atletas na seleção brasileira, e a gente tenta trabalhar os valores do rúgbi, que são disciplina, respeito, integridade, paixão e solidariedade com os jovens. Tem a questão do alto rendimento e aperfeiçoamento, mas os valores são para a vida”, declarou o treinador.

Aulas gratuitas do Desterro Rugby e intercâmbio na Tapera

Ao lado de Sami Dubena, o técnico argentino Germán Dubini atua diretamente na iniciação esportiva da equipe catarinense. Ele se mudou de São Paulo para Florianópolis em busca de uma agremiação onde os próprios filhos pudessem treinar e passou a integrar a comissão técnica das divisões inferiores do clube.

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“A ideia é começar a crescer. O Desterro é um clube de 30 anos com um projeto bem bacana. Estamos com atletas de base, de 7 a 15 anos, começando a acreditar no rúgbi no Brasil. Nossa ideia é que o esporte seja cada vez maior”, afirmou Dubini.

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A presença dos treinos no bairro Tapera atraiu moradores da própria comunidade para o campo da UFSC, além de permitir a realização de eventos internacionais de categorias menores. Em 26 de setembro de 2026, o Desterro Rugby promoveu no local um intercâmbio esportivo de base que recebeu jovens jogadores do SPAC, de São Paulo, e do Universitario Tucumán, da Argentina, incluindo uma atividade aberta para crianças a partir de 5 anos. Entre os talentos formados recentemente na região está Ana Carolina, conhecida como Cacau, atual capitã da equipe sub-15 feminina. “Comecei há um ano quando recebi um convite na praia, no Campeche, e foi onde tudo começou. O Desterro representa tudo, é uma família que me dá todo o apoio no esporte”, disse a jogadora.

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A estrutura de funcionamento e atendimento das divisões de base do clube na capital de Santa Catarina segue um cronograma específico ao longo da semana:

  • Local de treinamento: Campo de Rugby cedido pela UFSC, localizado no bairro Tapera, em Florianópolis.
  • Frequência geral da equipe: três sessões semanais de treinos no espaço universitário.
  • Horários das aulas gratuitas para categorias menores: tardes de quarta-feira e manhãs de sábado.
  • Faixas etárias atendidas: iniciação esportiva para jovens de 7 a 15 anos e categoria juvenil para atletas de até 19 anos.

Falta de sede própria do Desterro Rugby e custos do esporte amador

Apesar do crescimento no número de jovens praticantes, a diretoria enfrenta obstáculos financeiros e estruturais decorrentes da baixa visibilidade do rúgbi no cenário nacional. Advogado e presidente do Desterro Rugby Clube, Nikolas Bottós conduz há anos a tentativa de conquistar uma sede própria que reúna campo oficial e demais instalações administrativas e de treinamento, dependendo atualmente da parceria institucional com a universidade federal para manter as atividades em funcionamento.

“O Desterro foi três vezes campeão brasileiro, teve atleta nas Olimpíadas do Rio, e a gente conseguiu reativar a base com apoios públicos e privados e a contribuição das pessoas que vivem o rúgbi. O esporte amador no Brasil sempre tem dificuldade e a gente conta com o apoio da UFSC, que nos cede esse espaço. Hoje estamos preparando o clube para os próximos 30 anos com esses jovens que abraçaram o rúgbi”, afirmou Bottós.

Origem do Desterro Rugby na Praia da Joaquina em 1994

A trajetória da agremiação teve início em 1994 nas areias da Praia da Joaquina, que era o único ponto da ilha de Santa Catarina com iluminação pública na época, sob a liderança do arquiteto português Miguel Caçote. A fundação jurídica e oficial do clube ocorreu em 20 de junho de 1995, tendo Aurélio Zimmermann como primeiro presidente. O nome escolhido homenageia Nossa Senhora do Desterro, denominação de Florianópolis até o ano de 1894, enquanto as cores vermelha, verde e branca reproduzem a bandeira do estado catarinense. Na modalidade Rugby XV, disputada com 15 jogadores de cada lado, a equipe adulta masculina conquistou o título nacional em 1996 — quando derrotou o Bandeirantes Rugby Club por 24 a 21, em São Paulo — e voltou a vencer nas edições de 2000 e 2005.

Semifinal do Campeonato Brasileiro juvenil em 31 de outubro

O próximo passo competitivo das divisões de formação ocorre no fim deste mês, quando o elenco sub-19 entra em campo em casa pela fase decisiva do torneio nacional. Ex-jogadora da instituição e atual técnica da base feminina, Vanessa das Chagas ressaltou o peso da partida e a dificuldade logística enfrentada pelo grupo ao longo da temporada.

“O time juvenil joga a semifinal do Campeonato Brasileiro dia 31 aqui em Floripa, com atletas de até 19 anos. O clube tem histórico de títulos muito grande nas categorias adultas e estamos com categorias de base bem grande para formar mais atletas. Hoje a gente não tem muito apoio, até porque grande parte das competições é em São Paulo”, declarou a treinadora.

Até a publicação desta reportagem, nesta quinta-feira (15), o adversário e o horário exato da semifinal do Campeonato Brasileiro juvenil marcada para 31 de outubro de 2026, em Florianópolis, ainda não haviam sido detalhados pela organização da disputa.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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