Donald Trump recebe planos com bomba GBU-43/B para atacar o Irã

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Trump compartilhou nas redes sociais imagem que seria de ataque ao Irã — Donald Trump/Truth Social Foto: Trump compartilhou nas redes sociais imagem que seria de ataque ao Irã — Donald Trump/Truth Social

O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), órgão militar responsável pelas operações norte-americanas no Oriente Médio, apresentou à Casa Branca novas opções de bombardeio contra o Irã que incluem o lançamento da GBU-43/B Massive Ordnance Air Blast (MOAB). Conhecido como “mãe de todas as bombas”, o artefato de 9,7 toneladas é o mais potente armamento não nuclear do arsenal das Forças Armadas dos Estados Unidos. A formulação dos planos operacionais ocorre enquanto o governo iraniano, em Teerã, declara que manterá ações armadas aliadas a negociações diplomáticas para tentar impor suas exigências a Washington.

Os pacotes de ataque elaborados pelos planejadores militares norte-americanos têm como alvos principais redes de infraestrutura energética e instalações vinculadas ao programa nuclear iraniano. Entre os pontos listados no documento está o complexo subterrâneo de Pickaxe Mountain, situado nas proximidades de Natanz, onde os governos dos Estados Unidos e de Israel suspeitam que Teerã esconda equipamentos e componentes nucleares. A inclusão da GBU-43/B nos cenários de combate veio a público nesta quinta-feira (15), em relatos de autoridades norte-americanas com acesso às discussões, sem confirmação independente por parte do Departamento de Defesa dos Estados Unidos (Pentágono), cuja sede fica em Washington.

Donald Trump - Instagram
Foto: Donald Trump – Instagram

Dentro da própria administração norte-americana, oficiais demonstraram ceticismo quanto à capacidade física da GBU-43/B para destruir estruturas nucleares construídas em grande profundidade e blindadas por espessas camadas de granito. Os técnicos também alertaram para o alto risco de mortes entre a população civil, caso o armamento seja detonado perto de áreas urbanas, devido ao extenso raio da onda de choque. “A MOAB é uma arma massiva do tipo operação de informação que é ótima para limpar grandes áreas, mas não muito mais que isso. Ela definitivamente não foi projetada como uma ogiva de penetração profunda”, declarou uma fonte com conhecimento do planejamento militar, em tradução livre.

De acordo com os relatos de integrantes do governo, uma eventual ordem de ataque poderia ser executada antes ou depois das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, agendadas para 3 de novembro de 2026. O cronograma militar prevê que a ofensiva ocorreria antes de uma possível retirada gradual de tropas norte-americanas da região administrada pelo CENTCOM. Assessores da presidência discutiram ainda o uso do artefato como forma de buscar um resultado militar simbólico que permitisse a Washington encerrar a campanha e retirar efetivos sem aparentar concessão diante de Teerã.

Ficha técnica da bomba GBU-43/B e perdas militares na campanha

Desenvolvida pela Força Aérea dos Estados Unidos em 2003, antes da invasão do Iraque, a GBU-43/B tem características logísticas que impedem seu transporte por caças de combate convencionais ou bombardeiros estratégicos. O projétil guiado por satélite exige o emprego de aeronaves de operações especiais MC-130 Hercules, das quais é lançado pela rampa traseira com o auxílio de um paraquedas de extração. Os parâmetros técnicos do artefato e os dados da campanha militar reúnem os seguintes números:

  • Modelo do armamento: bomba convencional GBU-43/B Massive Ordnance Air Blast (MOAB), programada para explodir no ar antes de tocar o solo e gerar uma onda de choque equivalente a nove quarteirões.
  • Dimensões e carga explosiva: peso total de 21.600 libras (cerca de 9,7 toneladas ou 9.800 quilos), mais de 9 metros de comprimento e 18.000 libras de explosivo H-6, poder destrutivo equivalente a 11 toneladas de TNT.
  • Alvos mapeados no Irã: redes de abastecimento de energia e complexos nucleares subterrâneos, incluindo a instalação de Pickaxe Mountain, perto de Natanz.
  • Balanço de baixas norte-americanas: 21 militares mortos e 865 feridos desde o início da guerra contra o Irã, conforme contagem oficial do Departamento de Guerra dos Estados Unidos.

Declarações de Donald Trump no Arizona e resposta do Parlamento iraniano

O vazamento das opções de bombardeio provocou reação imediata do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante um comício realizado na quarta-feira (14) no município de Bullhead City, no estado do Arizona. O chefe do Executivo norte-americano condenou a exposição de relatórios confidenciais de defesa nas semanas que antecedem a votação legislativa de novembro. “Nos velhos tempos, costumávamos fuzilar vazadores”, disse Trump ao público presente no evento, em tradução livre.

Uma semana antes, na quinta-feira (8), o presidente norte-americano havia declarado que as forças do país não retomariam grandes operações de ataque contra o território iraniano antes das eleições de meio de mandato. A posição da Casa Branca reflete o desgaste político interno provocado pela alta nos preços dos combustíveis e da energia elétrica para os consumidores norte-americanos. Oficialmente, porta-vozes da presidência e do Pentágono informaram na quinta-feira (15) que o departamento elabora planos para múltiplos cenários operacionais e que Trump mantém todas as alternativas abertas para impedir que Teerã obtenha armas nucleares.

Em Teerã, o presidente do Parlamento do Irã (cargo que chefia o Poder Legislativo nacional), Mohammad Bagher Ghalibaf, utilizou um pronunciamento na televisão estatal na quarta-feira (14) para reafirmar a doutrina de combinar confrontos armados e conversas diplomáticas. Segundo o dirigente, o país continuará a empregar força militar, negociação e pressão regional para obrigar os Estados Unidos a recuarem. “Quando dizemos que tanto lutamos quanto negociamos, não queremos dizer uma guerra sem fim ou conversas perpétuas; pelo contrário, lutamos para levar o inimigo ao desespero para que ele aceite nossas exigências ou aceite a derrota”, afirmou Ghalibaf.

Durante o discurso televisionado, o parlamentar acusou a administração de Washington de descumprir compromissos firmados anteriormente em mesas de negociação. “A América deve ser penalizada e obrigada a alterar sua conduta, para que entenda que tem de aceitar as justas exigências da nação iraniana”, completou o chefe do Legislativo iraniano. Em paralelo às declarações políticas, as forças de segurança do Irã ampliaram as estruturas de defesa antiaérea e de proteção física no entorno de suas usinas nucleares e refinarias diante da possibilidade de novos ataques.

Naufrágio de navios no Estreito de Ormuz e escalada do petróleo Brent

A instabilidade militar no Golfo Pérsico comprometeu o tráfego de navios mercantes no Estreito de Ormuz, atingiu instalações na Arábia Saudita e impulsionou os preços internacionais do petróleo. Na quarta-feira (14), o barril do tipo Brent foi negociado próximo de US$ 105 no mercado internacional, acima da cotação de US$ 98 registrada no final de setembro de 2026. Nas duas primeiras semanas de outubro, ataques atribuídos a forças iranianas atingiram mais de 14 embarcações comerciais na rota marítima, em reação às tentativas dos Estados Unidos de escoltar e ampliar o fluxo de petroleiros na região.

Entre as ocorrências mais graves na hidrovia está o naufrágio do porta-contêineres GFS Pride, navio construído em 2008 com bandeira de Singapura e capacidade para 2.824 TEUs (unidade de medida de transporte marítimo que corresponde, neste caso, a mais de 2.500 contêineres). A embarcação afundou na quarta-feira (14), um dia depois de ser atingida a cerca de uma milha náutica a leste de Ras Makhbuq, em Omã, e sofrer um incêndio a bordo. A Autoridade Marítima e Portuária de Singapura (MPA) informou que todos os 21 tripulantes foram retirados com vida e sem ferimentos, acrescentando que não havia cidadãos de Singapura na equipe.

As circunstâncias que levaram à perda do GFS Pride são objeto de versões opostas entre Teerã e órgãos internacionais de monitoramento. A Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) declarou que o porta-contêineres colidiu contra uma mina naval ao navegar por um corredor não autorizado e perigoso no estreito. Já a autoridade portuária de Singapura e agências de segurança marítima relataram que o navio foi alvejado por projéteis não identificados, classificando as agressões contra a frota mercante como injustificáveis e contrárias à Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.

Na mesma quarta-feira (14), um segundo navio porta-contêineres registrado em Singapura, o GFS Giselle — construído em 2015 e com capacidade para 4.350 TEUs —, foi atingido por um projétil no Estreito de Ormuz. A embarcação teve avarias no casco, mas manteve a propulsão própria e navegou até um ancoradouro seguro com os 22 integrantes da tripulação ilesos. Tanto o GFS Pride quanto o GFS Giselle pertencem à frota da empresa Global Feeder Shipping (GFS), sediada nos Emirados Árabes Unidos e controlada em 81% pelo grupo AD Ports, de Abu Dhabi.

Fora das águas do estreito, os rebeldes Houthis do Iêmen, milícia apoiada pelo governo iraniano, ampliaram os disparos de drones e mísseis contra alvos em território saudita. Os bombardeios atingiram o complexo administrativo da petrolífera estatal Saudi Aramco, localizado em Dhahran, além das instalações do Aeroporto Internacional Rei Khalid, situado na capital Riad. Para suspender as ações armadas na região, o governo de Teerã exige a revogação completa das sanções econômicas e do bloqueio naval impostos pelos Estados Unidos, bem como a saída definitiva das tropas norte-americanas do Oriente Médio.

Antecedente da GBU-43/B no Afeganistão e origem da guerra em 2026

Apesar de figurar nos planos de contingência do Pentágono, a bomba GBU-43/B jamais foi empregada contra alvos no Irã. O único registro de lançamento real desse artefato em toda a história militar dos Estados Unidos ocorreu em abril de 2017, durante o primeiro mandato presidencial de Donald Trump. Naquela operação, realizada na província de Nangarhar, no Afeganistão, a Força Aérea norte-americana despejou a munição sobre uma rede de cavernas, túneis e bunkers ocupada pela facção extremista Estado Islâmico de Khorasan (ISIS-K), matando mais de 90 combatentes do grupo.

O conflito direto que opõe Estados Unidos e Israel ao Irã começou em 28 de fevereiro de 2026, quando forças norte-americanas e israelenses deflagraram a Operação Fúria Épica (Operation Epic Fury), realizando bombardeios coordenados contra instalações estratégicas em território iraniano. Desde a abertura dessa frente de combate, as rodadas diplomáticas mediadas internacionalmente não produziram um acordo de cessar-fogo, mantendo as conversas paralisadas desde a metade do ano.

Sequência de ataques na região e calendário eleitoral nos Estados Unidos

A evolução da guerra desde o primeiro semestre de 2026 combina ataques aéreos em terra, naufrágios na principal rota de escoamento de petróleo do planeta e prazos políticos do calendário eleitoral norte-americano. Os eventos confirmados pelas autoridades militares e marítimas obedecem à seguinte ordem cronológica:

  • 28 de fevereiro de 2026: Forças Armadas dos Estados Unidos e de Israel iniciam a guerra contra o Irã com ataques aéreos sob a Operação Fúria Épica.
  • 23 de setembro de 2026: O navio graneleiro Cape Dao, de bandeira de Antígua e Barbuda e operado pela empresa Peonies Shipmanagement, é atingido nas imediações do Estreito de Ormuz em um ataque que mata um tripulante e leva ao posterior naufrágio da embarcação, segundo a Organização Marítima Internacional (IMO).
  • 8 de outubro de 2026: O presidente Donald Trump afirma publicamente que não autorizará a retomada de bombardeios contra o Irã antes da realização das eleições legislativas norte-americanas.
  • 10 de outubro de 2026: Ofensiva com mísseis e drones lançada pelos rebeldes Houthis do Iêmen atinge o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, na Arábia Saudita, e deixa 13 mortos.
  • 13 de outubro de 2026: O porta-contêineres GFS Pride é atingido durante a travessia pelo Estreito de Ormuz, próximo à costa de Omã, sofre um incêndio e tem os 21 tripulantes resgatados.
  • 14 de outubro de 2026: O navio GFS Pride afunda, o porta-contêineres GFS Giselle sofre danos no casco na mesma hidrovia, o barril do petróleo Brent chega à marca de US$ 105, Donald Trump discursa no Arizona e Mohammad Bagher Ghalibaf faz pronunciamento na TV iraniana.
  • 15 de outubro de 2026: Autoridades norte-americanas revelam que o planejamento militar do Pentágono inclui o uso da bomba GBU-43/B contra complexos nucleares e de energia no Irã.
  • 3 de novembro de 2026: Data oficial das eleições legislativas de meio de mandato (midterms) nos Estados Unidos, apontada nos planos militares como marco temporal para uma eventual ofensiva antes ou depois da votação.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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