Governo dos EUA avalia transmitir fuzilamento de Nidal Hasan

Pete Hegseth - Instagram Foto: Pete Hegseth - Instagram

O governo dos Estados Unidos avalia transmitir ao vivo pela internet a execução por fuzilamento do ex-major Nidal Hasan, condenado pelo ataque na base militar de Fort Hood. O procedimento está agendado para 3 de dezembro de 2026, às 13h, no estado do Texas, e pode se tornar a primeira execução pública no país em 90 anos.

A ordem para a pena capital foi aprovada pelo presidente Donald Trump após recomendação do Pentágono, restando a deliberação final sobre o formato da exibição ao público. O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, confirmou a intenção de abrir o sinal em rede: “Garantiremos que as pessoas possam assistir, que seja público”, afirmou, em tradução livre.

Pete Hegseth
Foto: Pete Hegseth – Foto: Instagram

Repercussão política sobre a transmissão da execução de Nidal Hasan

A exibição do fuzilamento gerou divergências entre integrantes do governo e parlamentares em Washington. O secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, defendeu a transmissão aberta durante entrevista no domingo (11). “Acho que as pessoas precisam entender que, se você atacar a América, iremos atrás de você, e garantiremos que a punição seja proporcional ao crime”, disse Mullin, em tradução livre, acrescentando que ninguém é obrigado a assistir.

Continue lendo: Drones MQ-9 Reaper dos EUA chegam à Colômbia e ao Equador

Parlamentares democratas e republicanos apresentaram objeções ao plano. A senadora republicana Lisa Murkowski, do Alasca, afirmou que a iniciativa confere notoriedade indevida ao condenado: “Eu esperaria isso de terroristas e ditadores, mas não aqui na América. Isso daria a esse indivíduo, que não merece mais notoriedade, o martírio que ele busca”, declarou, em tradução livre. O senador democrata Mark Warner, da Virgínia, alertou que a veiculação pública pode ampliar a radicalização extremista. O vice-presidente JD Vance manifestou ceticismo sobre a realização da transmissão ao vivo e declarou que não assistirá às imagens caso elas sejam exibidas.

Condenação de Nidal Hasan pelo massacre militar de 2009

Nidal Malik Hasan, ex-psiquiatra do Exército norte-americano, foi sentenciado à morte por um júri militar em 28 de agosto de 2013. O crime ocorreu em 5 de novembro de 2009, quando ele abriu fogo no Soldier Readiness Processing Center de Fort Hood contra soldados desarmados que passavam por triagem médica antes de seguirem em missão para o Afeganistão.

Saiba mais: Donald Trump irá ao Pentágono para 25º aniversário do 11 de Setembro e evita Ground Zero

O ataque resultou na morte de 13 pessoas e deixou outras 32 feridas. Durante a ação policial para conter o atirador, Hasan foi baleado, sofreu lesões que provocaram paralisia da cintura para baixo e passou a utilizar cadeira de rodas. No julgamento, ele admitiu a autoria dos disparos e alegou que agiu para proteger integrantes do grupo Talibã no exterior.

Histórico do corredor da morte das Forças Armadas dos EUA

A realização do fuzilamento com transmissão rompe marcas históricas do sistema penitenciário civil e das Forças Armadas dos Estados Unidos. Os registros oficiais mostram os seguintes marcos sobre o cumprimento de penas capitais:

  • 14 de agosto de 1936: data da última execução pública nos Estados Unidos, quando Rainey Bethea foi enforcado no estado do Kentucky diante de cerca de 20 mil pessoas.
  • 1961: ano da última execução consumada pelas Forças Armadas do país, com o enforcamento do soldado John Bennett por crimes de estupro e tentativa de assassinato.
  • 4: total de detentos que permanecem no corredor da morte sob a jurisdição do sistema militar norte-americano.
  • 3 de dezembro de 2026: data definida para a aplicação da pena por pelotão de fuzilamento nas dependências de Fort Hood.

Definições técnicas e prazos judiciais até dezembro de 2026

O governo federal ainda não detalhou a estrutura digital necessária para viabilizar a transmissão sem violar as regras de uso de plataformas comerciais de vídeo. Também não há confirmação sobre a existência de tempo hábil para que a equipe jurídica de Nidal Hasan apresente contestações em cortes federais para impedir a veiculação pública antes de 3 de dezembro de 2026.

Notícias relacionadas