Gato que se esfrega nas pernas de visitas combina saudação amigável, investigação e feromônios faciais

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Dois gatos Foto: Dois gatos - maximkabb/istockphoto

Especialistas em comportamento felino e organizações veterinárias explicam que o ato de um gato se esfregar nas pernas de visitas reúne saudação amigável, investigação olfativa de pessoas desconhecidas e marcação de segurança no ambiente. As análises veterinárias divulgadas no Brasil em 14 de outubro de 2026 detalham que o movimento serve para o animal colher informações sobre novos odores e depositar substâncias químicas próprias no visitante.

De acordo com a médica-veterinária e docente do curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário de Jaguariúna (UniFAJ), Aline Ambrogi, a aproximação física cumpre um papel direto de integração dentro do espaço doméstico. “Quando o gato se esfrega, ele libera substâncias químicas faciais associadas a bem-estar e reconhecimento social. O ato é uma forma de dizer que você faz parte do grupo dele”, afirmou a professora.

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Como o gato usa os feromônios faciais e o órgão de Jacobson?

gato - Elena Shishkina/Shutterstock.com
Foto: gato – Elena Shishkina/Shutterstock.com

Ao encostar a face, as laterais do corpo ou a cauda em pessoas, móveis e objetos da residência, os felinos executam um comportamento conhecido tecnicamente na medicina veterinária como bunting, termo em inglês usado para descrever o ato de dar pequenas cabeçadas ou esfregar o rosto em superfícies. Esse contato físico deposita substâncias odoríferas chamadas feromônios, que constroem um mapa olfativo responsável por demarcar o espaço e os indivíduos presentes nele como familiares e seguros, criando um odor comum entre todos os que partilham aquele ambiente.

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Os feromônios faciais liberados pelos gatos, entre eles a substância catalogada como F3, não podem ser sentidos pelo olfato humano. A captação desses sinais químicos ocorre exclusivamente entre os animais por meio do órgão vomeronasal, estrutura anatômica localizada no trato olfativo também chamada de órgão de Jacobson.

A médica-veterinária e gerente de produtos da Avert Biolab Saúde Animal, Marina Tiba, detalha que essa troca invisível de odores regula a tranquilidade do animal dentro da residência. “Os feromônios faciais fazem parte de um sistema de comunicação que está diretamente ligado à percepção de segurança. Eles são detectados por um órgão específico, o órgão vomeronasal, e atuam modulando respostas comportamentais associadas ao reconhecimento do território e à sensação de familiaridade”, disse.

Interação do gato com visitas e orientações de entidades veterinárias

O hábito de passar a cabeça nos tornozelos, deslizar o tronco na canela e envolver a cauda na perna de quem chega de fora não significa que o gato já confie plenamente na pessoa desconhecida logo no primeiro contato. Em muitos casos, o movimento representa uma aproximação investigativa diante de odores trazidos da rua. Segundo a organização britânica de bem-estar animal Cats Protection, esfregar o corpo em alguém é uma das vias pelas quais os felinos expressam familiaridade e estabelecem contato social, sobretudo em gatos sociáveis e acostumados a receber diferentes pessoas.

No caso específico dos tutores que retornam para casa, o comportamento nas pernas tem o objetivo de restabelecer o cheiro coletivo do grupo após o humano ter tido contato com odores externos, além de funcionar como um pedido de atenção ou de alimento. Sobre a preferência do animal no momento de escolher em quem encostar, Aline Ambrogi ressalta o fator da confiança prévia. “Eles tendem a se encostar mais em pessoas nas quais confiam, justamente por ser uma atitude de proximidade voluntária”, declarou a docente do UniFAJ.

Já as orientações da rede veterinária VCA Animal Hospitals apontam que a marcação por cheiro não representa necessariamente uma disputa territorial. Para a entidade, avaliar a postura corporal relaxada do gato, verificando sinais como a cauda levantada e o ato de ronronar, é o procedimento indicado para identificar se o felino está de fato confortável com a presença da visita. A entidade PetMD também destaca que o comportamento une vínculo afetivo, comunicação social e investigação olfativa, não se restringindo à demarcação de posse do espaço.

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Mesmo quando há o contato nas pernas, nem todo gato deseja ser acariciado imediatamente pelo visitante. Para saber se o animal quer carinho, a orientação veterinária é permitir que ele tome a iniciativa no ambiente e observar se ele permanece próximo e leva a cabeça em direção à mão da pessoa. Um estudo publicado na revista científica Frontiers in Veterinary Science demonstra que a região da cabeça é o ponto onde muitos felinos preferem receber o toque humano. Sobre a reação adequada dos moradores e visitantes durante o contato, Aline Ambrogi explica que a intervenção só deve ocorrer por motivos de segurança física. “Não é necessário corrigir, apenas impor limites se houver risco, como quase derrubar alguém. Além disso, ignorar completamente pode frustrar animais mais carentes”, orientou.

Regiões de produção de feromônios no gato e dados do comportamento

A comunicação química e os alertas clínicos sobre a saúde dos felinos envolvem estruturas anatômicas e referências específicas catalogadas pelas organizações veterinárias:

  • Locais das glândulas sebáceas produtoras de feromônios: bochechas, queixo, testa, região ao redor da boca, zona temporal (localizada entre o olho e o ouvido) e base da cauda.
  • Substância e recepção biológica: feromônio facial F3, captado pelo órgão vomeronasal (órgão de Jacobson).
  • Instituições e publicações de referência: Cats Protection, VCA Animal Hospitals, PetMD, Centro Universitário de Jaguariúna (UniFAJ), Avert Biolab Saúde Animal e revista Frontiers in Veterinary Science.
  • Data de referência das análises: quarta-feira (14).
  • Sinais clínicos de alerta no animal: esfregação excessiva acompanhada de coceira intensa, lesões na pele, secreção auricular ou dor ao toque.

Impacto de mudanças na rotina do gato e sinais de doenças de pele

Como a marca olfativa depositada nas superfícies se dissipa com o passar do tempo, o felino precisa repetir o ritual continuamente nos móveis e moradores da casa. Alterações no ambiente doméstico, a exemplo da chegada de visitas, compra de móveis novos, introdução de outros animais ou mudanças na rotina da família, interferem diretamente nos sinais químicos do espaço e estimulam o gato a intensificar a marcação para restaurar a sensação de controle. “Ao modificar ou eliminar esses sinais, o ambiente deixa de ser reconhecido da mesma forma, o que pode gerar insegurança no felino”, afirmou Marina Tiba.

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Para auxiliar no manejo de ambientes que passam por transformações ou recebem pessoas de fora, existem no mercado veterinário produtos sintéticos formulados para imitar os feromônios faciais naturais dos gatos. Essas substâncias comercializadas atuam para transmitir sensação de segurança ao animal, reduzir o estresse causado por mudanças de rotina e controlar formas indesejadas de demarcação no imóvel, como o uso de urina pelos cantos da casa.

Os médicos-veterinários alertam, contudo, que o hábito de se esfregar nos objetos e nas pessoas deixa de ser uma manifestação comportamental normal quando passa a ocorrer de maneira excessiva e acompanhada de sintomas físicos. Caso o tutor observe coceira intensa, feridas na pele, saída de secreção pelas orelhas ou reação de dor durante o toque, o quadro pode indicar problemas clínicos como otite (inflamação no ouvido), dermatite (inflamação nas camadas da pele) ou infestação por ectoparasitas (parasitas externos, como pulgas e ácaros), exigindo avaliação presencial em consultório veterinário.

Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.

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