James Webb detecta sinal luminoso sem origem visível no espaço

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Espaço, galáxia Foto: Espaço, galáxia - Triff/shutterstock.com

Uma equipe de astrofísicos liderada por Mason S. Huberty, pesquisador de pós-graduação do Instituto de Astrofísica da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, detectou um sinal luminoso misterioso no espaço com o Telescópio Espacial James Webb (JWST). O registro ocorreu duas vezes, com um intervalo de 88 dias, em um ponto aparentemente vazio do Campo Ultraprofundo do Hubble (HUDF, na sigla em inglês), área situada na constelação austral de Fornax onde nenhum objeto visível havia sido catalogado antes.

Os resultados da pesquisa fazem parte da edição de 1 de outubro de 2026 da revista científica The Astrophysical Journal, no volume 1009, edição 2, artigo 117, e tiveram versão preliminar disponibilizada no repositório arXiv na quinta-feira (8), sob o código arXiv:2610.12553. O trabalho conta com a coautoria de Claudia Scarlata, astrofísica da Universidade de Minnesota, e de Matthew J. Hayes, astrofísico da Universidade de Estocolmo, ambos investigadores principais conjuntos do levantamento. No documento, os autores relataram a singularidade do achado: “Este objeto é extremamente incomum e testa condições físicas extremas. Observações de acompanhamento são essenciais para confirmar o desvio para o vermelho e determinar a origem física da emissão. Espectroscopia mais profunda e sensível poderia revelar linhas de emissão adicionais e estabelecer definitivamente o desvio para o vermelho e a natureza da fonte”, afirmaram.

Como o instrumento NIRSpec do James Webb captou o sétimo sinal em Fornax

Para vasculhar a região em busca de corpos celestes tênues e distantes que pudessem ter escapado de levantamentos anteriores, os cientistas utilizaram o espectrógrafo de infravermelho próximo (NIRSpec) do Telescópio Espacial James Webb a partir de um método experimental chamado Coronografia Multiobjeto para Espectroscopia sem Fenda (MOCSS, na sigla em inglês). Nessa abordagem técnica, conduzida durante o Ciclo 2 de observações do telescópio sob o registro JWST-GO-3290, os pesquisadores abriram de forma simultânea mais de 90% das microfendas do instrumento NIRSpec e mantiveram fechadas apenas as aberturas posicionadas exatamente sobre astros brilhantes já conhecidos em primeiro plano, impedindo que a luz intensa dessas fontes conhecidas ofuscasse ou contaminasse os espectros luminosos de objetos mais fracos ao fundo.

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James Webb
Foto: James Webb – Vadim Sadovski/Shutterstock.com

Ao analisar a luz emitida no local por meio das linhas de emissão — método óptico que funciona como uma impressão digital química para revelar a composição, a temperatura e as propriedades físicas de materiais no cosmos —, a equipe destacou sete detecções. Seis delas foram diretamente associadas a galáxias distantes já conhecidas dentro do Campo Ultraprofundo do Hubble. O sétimo sinal, contudo, surgiu isolado no infravermelho próximo e sem qualquer correspondência com fontes visíveis nas imagens mais profundas já produzidas pelos telescópios espaciais Hubble e James Webb.

No resumo do artigo científico intitulado “A Single Line Emitter Identified in an Unbiased Search with JWST/NIRSpec: Multiobject Coronagraphy for Slitless Spectroscopy”, Mason S. Huberty e os coautores descreveram o procedimento adotado na descoberta. “Nós relatamos a detecção de um objeto previamente desconhecido com uma única linha de emissão dentro do Campo Ultraprofundo do Hubble, usando uma nova técnica do NIRSpec do JWST chamada Coronografia Multiobjeto para Espectroscopia sem Fenda (MOCSS) com o modo de observação G140M/F100LP”, declararam os pesquisadores, em tradução livre.

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Medições de 1,60 micrômetro e dados das campanhas de 2023 no James Webb

A emissão captada consiste em uma única linha forte sem outras linhas acompanhantes no espectro, o que impede os astrônomos de identificar o elemento químico emissor ou calcular o desvio para o vermelho (medida usada na astronomia para determinar a distância de um objeto a partir do alongamento do comprimento de onda da luz). O fenômeno foi registrado em duas campanhas de observação distintas ao longo de 2023, aparecendo em todas as quatro posições de exposição combinadas e em dois ângulos diferentes de orientação do equipamento, fator que descartou a possibilidade de falha técnica ou artefato instrumental. Os parâmetros técnicos e cronológicos aferidos pela equipe no estudo detalham as características da fonte:

  • Primeira janela de observação: 1 de agosto de 2023.
  • Segunda janela de observação: 1 de novembro de 2023 (intervalo exato de 88 dias após o primeiro registro).
  • Comprimento de onda da linha de emissão: 1,60 micrômetro (μm), na faixa do infravermelho próximo.
  • Fluxo medido da linha de emissão: [2,5 ± 0,3] × 10⁻¹⁸ erg s⁻¹ cm⁻².
  • Largura à meia altura (FWHM) da linha: 13,2 ± 2,0 angstroms (Å).
  • Limite inferior da largura equivalente (EW) no referencial observado: 7.620 Å, imposto pela ausência de detecção em imagem direta.

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Hipóteses de supernova ou buraco negro avaliadas pela Universidade de Minnesota

Na tentativa de decifrar a origem do sinal, o grupo liderado por Mason S. Huberty testou diferentes cenários astrofísicos, incluindo uma galáxia do Universo primitivo, uma galáxia mais próxima, um núcleo galáctico ativo, uma explosão de supernova ou um evento de ruptura de maré — fenômeno em que a força gravitacional de um buraco negro despedaça uma estrela. Nenhuma dessas hipóteses, porém, ajustou-se perfeitamente à totalidade dos dados coletados pelo espectrógrafo.

De acordo com os cálculos apresentados no periódico, a ausência de linhas secundárias no espectro somada ao limite de largura equivalente observada de 7.620 angstroms inviabiliza explicações baseadas nas emissões químicas mais habituais do espaço. Os dados não se encaixam de maneira simples nos padrões conhecidos de emissão de oxigênio ([O II] em desvio para o vermelho z = 3,29 ou [O III] em z = 2,20), de hidrogênio H-alfa (z = 1,44) ou da linha Lyman-alfa (z = 12,16).

Histórico do Campo Ultraprofundo do Hubble e ausência no levantamento de 2022

O ponto do céu onde a anomalia foi identificada faz parte de uma das áreas mais intensamente monitoradas da história da astronomia moderna, abrigando cerca de 10 mil galáxias registradas ao longo de décadas de trabalho contínuo pelos telescópios Hubble e James Webb. Apesar dessa vigilância constante sobre a constelação de Fornax, nenhuma fonte luminosa havia sido vista naquela coordenada específica antes das sessões de agosto e novembro de 2023. Os astrofísicos verificaram que o sinal medido em 2023 tinha brilho suficiente para ter aparecido em mapeamentos anteriores caso já estivesse ativo, mas nada foi detectado no local durante o levantamento JADES, conduzido pelo próprio Telescópio Espacial James Webb em outubro de 2022.

A natureza física exata e a distância real do objeto permanecem desconhecidas. Para resolver o impasse e tentar captar linhas de emissão secundárias mais fracas, a equipe da Universidade de Minnesota propôs a realização de novas observações espectroscópicas mais profundas e sensíveis na região, com o uso da unidade de campo integral do instrumento NIRSpec do James Webb.

Janderson Luiz é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024. Formação: Atleta Profissional de Futebol

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