Mãe de todas as bombas: Bomba GBU-43/B entra nas opções militares dos EUA para possíveis ataques a instalações nucleares do Irã

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Mãe de todas as bombas - arma Massive Ordinance Air Blast (MOAB) - Força Aérea dos EUA Foto: Mãe de todas as bombas - arma Massive Ordinance Air Blast (MOAB) - Força Aérea dos EUA

As Forças Armadas dos Estados Unidos elaboraram opções para possíveis novos ataques contra o Irã que incluem o uso da bomba GBU-43/B Massive Ordnance Air Blast (MOAB), apelidada de “mãe de todas as bombas”. A inclusão do maior armamento não nuclear do arsenal norte-americano no planejamento militar ocorre enquanto Teerã afirma que continuará a combinar operações armadas e negociações diplomáticas para impor suas exigências a Washington.

Os planos desenhados pelos militares norte-americanos miram infraestruturas de energia e instalações associadas ao programa nuclear iraniano, incluindo o complexo subterrâneo de Pickaxe Mountain, local onde os governos dos Estados Unidos e de Israel suspeitam que o Irã armazene componentes nucleares. A existência dessas opções operacionais veio a público na quinta-feira, 15 de outubro de 2026, por meio de autoridades norte-americanas familiarizadas com o planejamento, mas não teve confirmação oficial do Departamento de Defesa dos Estados Unidos (Pentágono), sede militar localizada em Washington.

Integrantes do governo norte-americano manifestaram dúvidas sobre a eficácia real da GBU-43/B contra estruturas nucleares subterrâneas profundamente fortificadas e protegidas por camadas de granito, além de apontarem o risco de vítimas civis causado pelo raio de destruição do artefato. “A MOAB é uma arma massiva do tipo operação de informação que é ótima para limpar grandes áreas, mas não muito mais que isso. Ela definitivamente não foi projetada como uma ogiva de penetração profunda”, afirmou uma fonte familiarizada com os planos militares dos Estados Unidos, em tradução livre. Segundo o planejamento relatado, uma eventual ofensiva poderia ocorrer antes ou depois das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro de 2026, e antes de um possível recuo de tropas da área sob gestão do Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), órgão militar responsável pelas operações norte-americanas no Oriente Médio.

Especificações da bomba GBU-43/B e balanço da guerra no Irã

  • Armamento avaliado: bomba não nuclear GBU-43/B Massive Ordnance Air Blast (MOAB), projetada para detonar no ar e atingir alvos de superfície em ampla área.
  • Peso total do artefato: 21.600 libras (cerca de 9,7 toneladas).
  • Alvos previstos no planejamento: instalações de energia e complexos nucleares no Irã, como a base subterrânea de Pickaxe Mountain.
  • Baixas militares dos Estados Unidos: 21 mortos e 865 feridos na guerra contra o Irã, segundo balanço divulgado pelo Departamento de Guerra norte-americano.

Reações de Donald Trump e de Mohammad Bagher Ghalibaf sobre o conflito no Irã

Na quarta-feira (14), durante um discurso na cidade de Bullhead City, no estado norte-americano do Arizona, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou a divulgação de informações sobre possíveis planos de ataque ao Irã antes do pleito legislativo de novembro. “Nos velhos tempos, costumávamos fuzilar vazadores”, declarou Trump no comício, em tradução livre. Antes disso, na quinta-feira (8), o mandatário havia afirmado que não retomaria ataques militares contra o território iraniano antes da votação de meio de mandato, em um momento em que a Casa Branca enfrenta pressão interna devido ao encarecimento da energia para os consumidores do país.

Em Teerã, capital iraniana, o presidente do Parlamento do Irã (chefe do Poder Legislativo do país), Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou em pronunciamento televisionado na quarta-feira (14) que o país manterá a estratégia de lutar e negociar de forma simultânea, utilizando capacidade militar, diplomacia e influência regional para forçar Washington a ceder. “Quando dizemos que tanto lutamos quanto negociamos, não queremos dizer uma guerra sem fim ou conversas perpétuas; pelo contrário, lutamos para levar o inimigo ao desespero para que ele aceite nossas exigências ou aceite a derrota”, disse Ghalibaf, acusando o governo norte-americano de quebrar promessas. “A América deve ser penalizada e obrigada a alterar sua conduta, para que entenda que tem de aceitar as justas exigências da nação iraniana”, acrescentou o chefe do Legislativo iraniano. Enquanto os discursos ocorrem, o governo iraniano reforça as defesas ao redor de suas instalações nucleares e de energia contra uma eventual retomada dos bombardeios.

Impacto no Estreito de Ormuz, ataques na Arábia Saudita e preço do petróleo Brent

A continuidade do confronto afeta diretamente a segurança da navegação comercial no Estreito de Ormuz, a infraestrutura civil e petrolífera na Arábia Saudita e a cotação internacional da energia, que registrou barril de petróleo Brent ao preço aproximado de US$ 105 na quarta-feira (14), valor superior aos US$ 98 verificados no fim de setembro de 2026. No transporte marítimo, o navio porta-contêineres GFS Pride, de bandeira de Singapura e com capacidade para 2.824 TEUs (medida padrão de transporte marítimo equivalente a mais de 2.500 contêineres), afundou no Estreito de Ormuz na quarta-feira (14), um dia após ser atingido e pegar fogo; os 21 tripulantes da embarcação foram resgatados sem ferimentos, de acordo com a Autoridade Marítima e Portuária de Singapura. As causas do episódio têm versões conflitantes: a Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) declarou que o navio atingiu uma mina naval ao passar por uma rota não autorizada, versão que diverge dos relatos de autoridades marítimas internacionais.

No mesmo dia do naufrágio do GFS Pride, outra embarcação de Singapura, o GFS Giselle, sofreu avarias no casco na mesma região, mas conseguiu deslocar-se até um ancoradouro seguro com seus 22 tripulantes ilesos. Paralelamente, os rebeldes Houthis do Iêmen, grupo armado apoiado pelo Irã, intensificaram o lançamento de mísseis e drones contra o território da Arábia Saudita, atingindo a sede da estatal petrolífera Saudi Aramco, na cidade de Dhahran, e o Aeroporto Internacional Rei Khalid, na capital Riad. Para encerrar as hostilidades na região, o governo de Teerã exige o fim do bloqueio naval e das sanções econômicas aplicadas por Washington, além da retirada total das forças militares norte-americanas do Oriente Médio.

Uso da bomba GBU-43/B em 2017 e início da guerra contra o Irã em 2026

A bomba GBU-43/B nunca foi lançada em ataques anteriores contra o território iraniano. O único emprego em combate desse armamento pelas forças dos Estados Unidos ocorreu em abril de 2017, durante o primeiro mandato presidencial de Donald Trump, quando o artefato foi utilizado no Afeganistão contra um complexo de túneis e bunkers do grupo extremista Estado Islâmico (ISIS-K), operação que resultou na morte de mais de 90 militantes. Já a guerra atual envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã teve início em fevereiro de 2026, a partir de ataques norte-americanos e israelenses contra alvos iranianos, e as negociações diplomáticas para tentar encerrar o conflito permanecem estagnadas desde meados de 2026.

Cronologia dos ataques no Oriente Médio e datas políticas nos EUA em 2026

  • Fevereiro de 2026 — Início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã com ataques militares norte-americanos e israelenses contra o território iraniano.
  • 23 de setembro de 2026 — O navio graneleiro Cape Dao, de bandeira de Antígua e Barbuda, é atingido por um projétil e afunda nas proximidades do Estreito de Ormuz.
  • 8 de outubro de 2026 — O presidente Donald Trump declara que não retomará ataques militares contra o Irã antes das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.
  • 10 de outubro de 2026 — Ataque dos rebeldes Houthis contra o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, na Arábia Saudita, deixa 13 mortos.
  • 13 de outubro de 2026 — O porta-contêineres GFS Pride é atingido durante a travessia pelo Estreito de Ormuz e pega fogo.
  • 14 de outubro de 2026 — O navio GFS Pride afunda no Estreito de Ormuz, o navio GFS Giselle sofre danos no casco, o barril do petróleo Brent chega a cerca de US$ 105 e Mohammad Bagher Ghalibaf discursa na televisão iraniana.
  • 3 de novembro de 2026 — Data programada para a realização das eleições de meio de mandato (midterms) nos Estados Unidos.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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