Um astronauta da tripulação da Expedição 75 fotografou o maciço de Saririaky, no sul de Madagascar, a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS). A imagem da formação rochosa, que tem pelo menos 600 milhões de anos e composição semelhante às terras altas da Lua, foi divulgada pelo Observatório da Terra da NASA (NASA Earth Observatory), divisão de divulgação científica da agência espacial norte-americana.
O registro destaca uma mancha clara na paisagem seca do território malgaxe, formada por uma rocha ígnea intrusiva chamada anortosito. “Da perspectiva de um astronauta olhando de volta para a Terra, uma mancha de rocha brilhante no sul árido de Madagascar pode parecer fora do lugar. Mas não pareceria na Lua“, afirmou Lindsey Doermann, redatora científica do Observatório da Terra da NASA, em tradução livre.
Composição do maciço de Saririaky e a conexão com a crosta da Lua
A rocha que domina o maciço de Saririaky é o anortosito, material que se forma quando o magma esfria lentamente abaixo da superfície. Esse resfriamento gradual diferencia as rochas intrusivas das formações vulcânicas de resfriamento rápido e permite o crescimento de grandes cristais minerais, compostos predominantemente por plagioclásio. Na superfície da Lua, o anortosito é abundante e compõe as áreas claras e altamente reflexivas conhecidas como terras altas lunares, que podem ser vistas da Terra a olho nu.
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A semelhança ocorre porque um oceano de magma cobria praticamente toda a superfície lunar há mais de 4 bilhões de anos, período em que certos minerais começaram a se cristalizar e a flutuar para as camadas mais externas do satélite natural, formando sua crosta primitiva. Como as amostras lunares trazidas à Terra pelos astronautas das missões Apollo — programa espacial da NASA que levou humanos à Lua — são limitadas em quantidade, os cientistas utilizam rochas terrestres análogas para investigar o passado geológico lunar. Além do maciço em Madagascar, depósitos de anortosito nas Montanhas Beartooth, no estado de Montana, nos Estados Unidos, apresentam composição particularmente semelhante à versão lunar e ajudam a ampliar essas pesquisas sem a necessidade de novas coletas espaciais imediatas.
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Formação do supercontinente Gondwana e deformações em Madagascar
Cientistas estimam que o maciço de Saririaky se formou no final do período Pré-Cambriano, há no mínimo 600 milhões de anos, sendo o maior de quatro blocos de anortosito localizados no sudoeste da ilha. Depósitos semelhantes dessa rocha também são encontrados no leste do Canadá, na Escandinávia e no sul da Índia. O embasamento geológico citado pela agência espacial norte-americana sobre a região tem como referência o estudo publicado em 1998 pelo pesquisador L. D. Ashwal e colaboradores, que analisou a geologia, a petrologia e a geoquímica de isótopos de anortositos do tipo maciço no sudoeste malgaxe.
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Os estudos geológicos determinaram que a formação de Saririaky está situada dentro de uma zona de cisalhamento dúctil, um ambiente geológico onde altas pressões e temperaturas elevadas dobram, esticam e remodelam a rocha sem que ela chegue a derreter ou simplesmente se romper. Esse processo de metamorfismo (conjunto de mudanças físicas e químicas na rocha sólida) criou padrões lineares orientados de norte a sul, que registram o período em que as massas continentais que formam a África, a Índia, Madagascar, a Austrália e a Antártida colidiram para originar o antigo supercontinente Gondwana.
Durante essa reorganização tectônica dos continentes, as forças de pressão e temperatura podem ter fragmentado a estrutura original. Alguns cientistas propõem que um outro maciço de anortosito situado na mesma zona de cisalhamento, mas a uma distância mais ao norte, integrava um único bloco rochoso com Saririaky no passado. O estiramento tectônico teria rompido a rocha de maior resistência em pedaços alongados à medida que o material ao redor se deformava, criando em larga escala um fenômeno geológico classificado como estrutura de boudinagem.
Dados técnicos do registro de Saririaky e medidas da formação
A fotografia espacial passou por processos de recorte, ajuste de contraste e remoção de artefatos de lente antes de sua publicação oficial como Imagem do Dia pela agência espacial. O nome específico do astronauta da Expedição 75 que operou a câmera e tirou a fotografia não foi divulgado pela NASA.
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- Catálogo oficial da imagem: ISS075-E-85249.
- Data da captura na Estação Espacial Internacional: 28 de agosto de 2026.
- Data de divulgação pelo Observatório da Terra da NASA: 5 de outubro de 2026.
- Equipamento utilizado: câmera digital Nikon Z9 com lente de distância focal de 400 milímetros.
- Órgãos responsáveis pelo fornecimento e tratamento: Instalação de Observações da Terra da Tripulação da ISS e Unidade de Ciências da Terra e Sensoriamento Remoto do Centro Espacial Johnson (Johnson Space Center) da NASA.
- Área aproximada do afloramento atual de Saririaky: cerca de 100 quilômetros quadrados (40 milhas quadradas).
- Distância do segundo bloco de anortosito ao norte: cerca de 60 quilômetros (40 milhas).
