Os registros fotográficos da ocultação de Júpiter pela Lua e da Nebulosa do Haltere foram escolhidos como as Imagens Astronômicas da Semana pelo presidente da Associação Paraibana de Astronomia (APA), Marcelo Zurita. As fotografias selecionadas, produzidas pelos astrofotógrafos Fabrizio Melandri e Gabriel Giannini de Cunto, ganharam apresentação detalhada nesta quinta-feira (15) após integrarem a exibição de sexta-feira (9).
As duas capturas retratam fenômenos e objetos celestes com escalas de distância bastante distintas, variando da vizinhança imediata do Sistema Solar até regiões de gás ionizado no espaço profundo. Enquanto o registro planetário documenta o alinhamento exato entre o satélite natural da Terra e o maior planeta da vizinhança solar em 6 de outubro de 2026, a segunda imagem revela a estrutura de uma estrela em fase terminal na direção da Constelação da Raposa.
Ocultação de Júpiter pela Lua mostra quatro satélites e luz cinérea
O astrofotógrafo Fabrizio Melandri capturou a primeira imagem selecionada a partir do estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos. A fotografia registra o momento exato em que o planeta Júpiter emerge por trás do disco lunar logo após a ocultação ocorrida em 6 de outubro de 2026, fenômeno em que um astro passa diante de outro e bloqueia temporariamente a sua visão para quem observa da Terra. Na composição, é possível identificar o lado escuro da Lua iluminado de forma tênue pela luz cinérea, nome técnico dado à luz solar que é refletida pelo planeta Terra em direção à superfície lunar. Ao redor do gigante gasoso, o equipamento fotográfico também registrou as 4 principais luas jupiterianas em alinhamento: Ganímedes aparece posicionada de um lado do planeta, enquanto Io, Calisto e Europa surgem agrupadas do lado oposto.
A faixa geográfica de visibilidade direta dessa ocultação lunar estendeu-se desde o leste da América do Norte até a porção oeste do continente africano. No território brasileiro, os observadores não puderam acompanhar o encobrimento do planeta pelo disco lunar em razão do efeito de paralaxe — a diferença na posição aparente de um objeto visto por observadores em locais distintos — somado à proximidade da Lua em relação à Terra. Por causa dessa geometria orbital, o evento astronômico foi observado no Brasil apenas como uma conjunção diurna, caracterizada pela aproximação visual entre a Lua e Júpiter no céu durante o dia.
Nebulosa do Haltere e a morte de estrelas na Constelação da Raposa
O segundo destaque da seleção astronômica é de autoria do astrofotógrafo Gabriel Giannini de Cunto e retrata a Nebulosa do Haltere, objeto celeste catalogado oficialmente na astronomia como M27 (Messier 27) e também como NGC 6853. Situada na direção da Constelação da Raposa, cujo nome científico em latim é Vulpecula, a estrutura espacial possui uma magnitude aparente de brilho de 7,5, escala numérica utilizada na astronomia em que valores menores indicam maior luminosidade, o que permite que o objeto seja visualizado no céu noturno com o auxílio de binóculos comuns.
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A formação dessa estrutura colorida está diretamente ligada ao ciclo de evolução estelar e ao esgotamento de combustível nuclear de astros semelhantes ao Sol. Sobre a classificação histórica e a natureza física do objeto retratado por Gabriel Giannini de Cunto, Marcelo Zurita, que também atua como membro da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros e coordenador regional do Asteroid Day Brasil, explicou a origem do termo utilizado pelos cientistas. “Uma nebulosa planetária tem esse nome porque, ao telescópio, elas podem ser confundidas com um planeta, tanto pela forma quanto pelo tamanho. Mas na verdade, são formadas pelo gás ionizado expulso por uma estrela em fase terminal de sua existência”, afirmou Zurita.
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Quanto à distância exata da Nebulosa do Haltere em relação à Terra, as medições astronômicas apresentam variações técnicas. Na apresentação das imagens, Marcelo Zurita informou que a estrutura está situada a cerca de 1.200 anos-luz de distância, enquanto outras referências e levantamentos astronômicos apontam estimativas que variam entre aproximadamente 1.000 e 1.360 anos-luz, o equivalente a 417 parsecs (unidade de medida espacial usada para grandes distâncias cósmicas).
Descoberta de Charles Messier em 1764 e o futuro do Sol
A observação documentada por Gabriel Giannini de Cunto remete a um marco do século XVIII na catalogação do espaço profundo. Em 12 de julho de 1764, o astrônomo francês Charles Messier identificou a M27 enquanto compilava um catálogo específico de objetos difusos no céu, trabalho criado com o objetivo de evitar que observadores confundissem essas manchas fixas de luz com cometas em movimento. “Localizada a cerca de mil e duzentos anos-luz de distância, na direção da Constelação da Raposa, a Nebulosa do Haltere foi a primeira nebulosa planetária a ser descoberta, feito esse realizado por Charles Messier no Século XVIII”, declarou Marcelo Zurita.
Além do valor histórico para a astronomia observacional, a Nebulosa do Haltere funciona como um modelo físico do estágio evolutivo pelo qual o Sol passará no futuro. Quando o processo de fusão nuclear se encerrar no núcleo solar, a estrela expelirá suas camadas gasosas externas para o espaço, formando uma nebulosa planetária semelhante à M27 e deixando em seu centro apenas uma estrela anã branca, caracterizada por ser extremamente densa e quente.
Calendário astronômico de outubro de 2026 tem chuvas de meteoros
A ocultação lunar de Júpiter registrada no início do mês faz parte de uma sequência de fenômenos previstos para o céu de outubro de 2026. O calendário de eventos astronômicos do período reúne oposições planetárias, picos de chuvas de meteoros e fases lunares específicas distribuídos ao longo das semanas:
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- 4 de outubro de 2026: oposição de Saturno, momento em que o planeta fica em lado diretamente oposto ao Sol visto da Terra.
- 6 de outubro de 2026: ocorrência da ocultação de Júpiter pela Lua, visível da América do Norte à África, e conjunção diurna no Brasil.
- 8 e 9 de outubro de 2026: pico de atividade da chuva de meteoros Dracônidas.
- 21 e 22 de outubro de 2026: pico de atividade da chuva de meteoros Oriônidas.
- 26 de outubro de 2026: ocorrência da Lua Cheia do Caçador.
Com o encerramento da passagem das Dracônidas e a divulgação dos registros de Júpiter e da M27, os próximos fenômenos de observação no céu noturno em outubro de 2026 serão o pico das Oriônidas, entre os dias 21 e 22, e a Lua Cheia do Caçador no dia 26.
