O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) deflagrou a Operação Insídia na manhã desta quinta-feira (15) para apurar a compra irregular de créditos judiciais pertencentes a idosos. A ofensiva cumpriu 11 mandados de busca e apreensão em cidades de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.
Por decisão da Vara Estadual de Organizações Criminosas (VEOC), dois investigados tiveram o exercício da advocacia suspenso. A Justiça também determinou o bloqueio patrimonial de bens de pessoas físicas e jurídicas vinculadas ao caso em um valor total superior a R$ 442 mil.
Mandados da Operação Insídia em quatro municípios do Sul
As ordens judiciais foram cumpridas nos municípios catarinenses de Xaxim, Chapecó e Romelândia, além da cidade gaúcha de Nonoai. Os trabalhos em território sul-rio-grandense tiveram o apoio operacional do GAECO do Rio Grande do Sul.
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As medidas foram autorizadas pelo Poder Judiciário a partir de provas reunidas pelo Ministério Público ao longo da apuração. O objetivo das buscas realizadas em 15 de outubro de 2026 é recolher novos elementos que detalhem a participação de cada envolvido e a relação entre os profissionais e a empresa usada nas transações.
Esquema investigado na Operação Insídia mirava créditos de idosos
Advogados sob investigação utilizavam dados obtidos no atendimento direto aos clientes para identificar oportunidades de compra de créditos judiciais — valores que uma pessoa tem direito a receber por decisão da Justiça. As negociações eram conduzidas por meio de uma empresa ligada ao próprio grupo investigado, que abordava os titulares das ações, em sua maioria idosos, e os convencia a assinar contratos de cessão de direitos por quantias inferiores ao montante real que receberiam no processo.
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A investigação apura todas as etapas do negócio, desde a captação dos clientes e a definição dos preços propostos até a redação dos contratos de cessão de crédito e o acompanhamento dos pagamentos pela pessoa jurídica compradora. O nome Operação Insídia faz alusão à suspeita de atuação dissimulada dos envolvidos, que mantinham uma separação formal entre o escritório de advocacia e a empresa adquirente dos direitos para executar as compras.
Origem na Operação Entre Lobos e prisões em 2025 e 2026
Os indícios que resultaram na ação atual surgiram da análise de materiais apreendidos na Operação Entre Lobos, conduzida com o auxílio do GAECO catarinense em apoio à Promotoria de Justiça da Comarca de Modelo. A primeira fase daquela investigação ocorreu em 22 de julho de 2025, com mandados cumpridos em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Bahia, Ceará e Alagoas contra uma organização acusada de propor ações revisionais bancárias a idosos e induzi-los a ceder seus créditos por valores reduzidos.
Como desdobramento da primeira etapa da Operação Entre Lobos, o MPSC denunciou 14 pessoas em agosto de 2025 por 215 crimes de estelionato e organização criminosa, incluindo quatro advogados acusados também de patrocínio infiel, crime que ocorre quando o defensor prejudica intencionalmente o interesse do cliente. Já em 23 de setembro de 2026, o GAECO deflagrou a Operação Entre Lobos III, que prendeu preventivamente em Chapecó o apontado líder do esquema e levou à denúncia de quatro pessoas por lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, associação criminosa e obstrução de Justiça, após a transferência de processos e créditos para outra sociedade de advocacia a fim de ocultar patrimônio.
Os nomes dos dois advogados afastados das funções e a razão social da empresa investigada na Operação Insídia não foram informados pelo Ministério Público porque o processo tramita sob sigilo judicial.
Com o cumprimento dos 11 mandados de busca, o GAECO fará a perícia nos documentos e materiais recolhidos, e novos dados sobre o inquérito só serão divulgados quando o Poder Judiciário retirar o sigilo dos autos.
