Petrobras alcança recorde de R$ 800,39 bilhões com ações em alta de até 110%

Petrobras alcança R$ 800 bilhões em valor de mercado e renova máxima histórica na Bolsa

Petrobras alcança R$ 800 bilhões em valor de mercado e renova máxima histórica na Bolsa

O valor de mercado da Petrobras alcançou a marca inédita de R$ 800,39 bilhões no encerramento do pregão da B3, a bolsa de valores brasileira sediada em São Paulo, na quarta-feira (14). Com o resultado, a estatal estabeleceu um novo recorde histórico e consolidou a liderança no ranking das empresas mais valiosas da América Latina.

No fechamento das negociações em 14 de outubro de 2026, as ações preferenciais da companhia (PETR4), que dão prioridade na distribuição de dividendos, subiram 2,22% e encerraram cotadas a R$ 58,11, enquanto os papéis ordinários (PETR3), com direito a voto nas assembleias, tiveram alta de 1,94%, a R$ 65,02. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, avaliou o desempenho financeiro da estatal após o pregão. “Ao longo dos últimos meses, afirmei diversas vezes que quem apostasse contra a Petrobras iria perder dinheiro. E temos demonstrado isso, com responsabilidade e transparência, por meio de entregas consistentes e recordes sucessivos. A companhia está forte, eficiente e cada vez mais capaz de gerar valor”, declarou a executiva.

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Petróleo a US$ 106,06 e capital externo impulsionam ações da Petrobras

O movimento de valorização na bolsa brasileira refletiu tanto o fluxo de capital estrangeiro quanto a escalada da commodity no mercado externo. Em meio a tensões geopolíticas no Oriente Médio, o barril de petróleo do tipo Brent, referência internacional de preços negociada em Londres, encerrou a quarta-feira (14) cotado a US$ 106,06.

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Para os investidores, o patamar elevado do barril amplia a geração de caixa das produtoras e sustenta a busca pelos papéis da empresa. No acumulado de preços de 2026 até 14 de outubro, as ações preferenciais da estatal registram valorização de 94,4% (cerca de 100% considerando proventos), e as ordinárias acumulam ganho de 105,3% (aproximadamente 110% no total do período).

O head de mesa de renda variável da AW Capital, Lucas Xavier, explicou a relação entre o cenário externo e os ativos locais. “Com cada vez mais fatores de risco aparecendo, fica menos provável vermo o petróleo a uma cotação mais baixa no curto prazo, o que acaba favorecendo as petroleiras nacionais mais eficientes”, afirmou o analista.

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Acordo da Petrobras na Bacia de Santos rende US$ 859 milhões até novembro

Além da cotação internacional do óleo, o desempenho das ações respondeu à assinatura dos Acordos de Equalização de Gastos e Volumes (AEGVs) referentes às jazidas compartilhadas de Berbigão e Sururu, localizadas na Bacia de Santos. O documento foi firmado pela estatal com as empresas parceiras Shell, TotalEnergies e Petrogal no âmbito do Consórcio BM-S-11A, após a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovar a individualização da produção na área. Esse mecanismo regulatório define a fatia exata de cada empresa quando uma reserva de petróleo se estende por mais de um bloco concedido, acertando as contas de tudo o que foi gasto e extraído pelos sócios.

Com a definição das novas participações societárias, a companhia brasileira passou a deter 62,913% na jazida de Berbigão e 45,394% na jazida de Sururu, mantendo ainda 100% de participação na área de Cessão Onerosa e 42,5% no contrato de concessão BM-S-11A. Como compensação financeira pelos investimentos e volumes produzidos no passado, o acordo garante que a Petrobras receberá o montante líquido de cerca de US$ 859 milhões das parceiras, valor que será pago até novembro de 2026.

Cronologia dos acordos e recordes da Petrobras até outubro de 2026

O acerto financeiro nas áreas do pré-sal e a rápida evolução do valor de mercado da petroleira reúnem marcos contratuais iniciados há mais de duas décadas e eventos concentrados na primeira quinzena de outubro:

  • 15 de setembro de 2000 — Assinatura do Contrato de Concessão BM-S-11, marco inicial considerado para o cálculo histórico de receitas, investimentos, custos operacionais e royalties das jazidas de Berbigão e Sururu.
  • 30 de abril de 2026 — Data de corte que encerra o período de apuração contábil utilizado pelas empresas para calcular a equalização financeira das duas jazidas compartilhadas na Bacia de Santos.
  • 2 de outubro de 2026 — A Petrobras supera pela primeira vez o patamar de R$ 700 bilhões na B3, fechando avaliada em R$ 700,08 bilhões, no mesmo dia em que anuncia a segunda descoberta de petróleo em águas ultraprofundas no poço exploratório Morpho (bloco FZA-M-59), na Bacia da Foz do Amazonas, a cerca de 175 km da costa do Amapá, na Margem Equatorial brasileira.
  • 13 de outubro de 2026 — A estatal assina e divulga fato relevante ao mercado sobre os acordos de equalização de Berbigão e Sururu com Shell, TotalEnergies e Petrogal.
  • 14 de outubro de 2026 — Companhia encerra o pregão da bolsa avaliada em R$ 800,39 bilhões, estabelecendo a nova máxima histórica.

Lucro de R$ 85,1 bilhões no semestre e avanço na produção da Petrobras

Os recordes registrados nas cotações de outubro ocorrem sobre uma base de expansão operacional e financeira acumulada pela empresa ao longo de 2026. No primeiro semestre do ano, a Petrobras reportou lucro líquido acumulado de R$ 85,1 bilhões, resultado composto por R$ 32,7 bilhões no primeiro trimestre e R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre, o que representa um crescimento de 37,6% na comparação com a primeira metade de 2025. Na área operacional, a produção própria de óleo no Brasil atingiu a média de 2,7 milhões de barris por dia no segundo trimestre de 2026, avanço de 15% frente a igual intervalo do ano anterior, enquanto dados preliminares da ANP apontam que a extração de petróleo da companhia chegou ao recorde mensal de 2,96 milhões de barris por dia em setembro de 2026.

No segmento de refino, a fabricação de combustíveis subiu mais de 10% no segundo trimestre de 2026 ante o mesmo período de 2025, levando o Fator de Utilização Total (FUT), índice que mede a carga processada em relação à capacidade das refinarias, a superar 100%.

Ao mesmo tempo, a empresa ampliou a venda de itens com menor emissão de carbono, como o Diesel R5, combustível coprocessado com 5% de conteúdo renovável, e o Bunker B24, óleo marítimo misturado com 24% de biodiesel. No setor de fertilizantes nitrogenados, voltado à oferta doméstica de ureia e amônia, a companhia retomou a operação de fábricas no Nordeste (FAFENs) e da Araucária Nitrogenados (ANSA), no Paraná, além de reiniciar as obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III).

Luís Henrique Costa: Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.