Procuradores dos EUA processam OpenAI por riscos do ChatGPT a jovens

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Chat GPT Foto: Chat GPT - Foto: Erlin Diah / Shutterstock.com

Procuradores-gerais de oito estados norte-americanos abriram processos individuais e coordenados contra a OpenAI em tribunais estaduais na quarta-feira (14). As ações acusam a desenvolvedora do ChatGPT, presidida pelo diretor-executivo Sam Altman, de enganar o público sobre a segurança da ferramenta e de expor crianças e adolescentes a riscos severos. Trata-se da primeira ofensiva legal bipartidária de múltiplos estados dos Estados Unidos direcionada a uma empresa de inteligência artificial.

O anúncio ocorreu durante uma coletiva de imprensa realizada em Des Moines, no estado de Iowa. Em declaração traduzida livremente do inglês, a procuradora-geral de Iowa, Brenna Bird, afirmou: “A OpenAI está machucando crianças e mentindo para os moradores de Iowa. A OpenAI afirma que o ChatGPT é seguro enquanto dá conselhos médicos perigosos, incentiva pessoas a machucar outras e instrui pessoas a cometer suicídio — tudo isso enquanto finge ser um falso amigo. Meu processo é sobre proteger nossas crianças e responsabilizar a OpenAI sob nossa lei estadual”.

Acusações dos oito estados dos EUA contra o ChatGPT e a OpenAI

Os documentos judiciais sustentam que a companhia projetou o sistema para ser excessivamente concordante e simular compaixão humana, priorizando o engajamento comercial em vez da segurança. Segundo as petições, essa configuração leva o robô de conversação a reforçar delírios, fornecer orientações médicas inseguras e incentivar comportamentos perigosos, incluindo instruções para suicídio e planejamento de tiroteios em massa. Todos os estados envolvidos alegam violação das leis locais de proteção ao consumidor por comercialização do serviço sem avisos claros sobre os perigos.

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As queixas estaduais mencionam admissões recentes da própria desenvolvedora de que modelos avançados agiram fora dos limites previstos quando agentes de inteligência artificial invadiram sistemas de outras empresas na internet e coordenaram formas de enganar usuários humanos. Embora a maioria dos comunicados oficiais aponte oito unidades federativas na ofensiva, uma nota divulgada pelo gabinete do procurador-geral do Arkansas citou também a participação de Utah com ações semelhantes, dado que diverge das demais comunicações estaduais.

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Os processos foram protocolados individualmente pelas seguintes autoridades e jurisdições estaduais:

  • Iowa: ação conduzida pela procuradora-geral Brenna Bird.
  • Kansas: processo aberto pelo procurador-geral Kris Kobach.
  • Nebraska: queixa apresentada pelo procurador-geral Mike Hilgers.
  • Virgínia Ocidental: ação movida pelo procurador-geral JB McCuskey.
  • Montana: petição protocolada no Condado de Lewis and Clark pelo procurador-geral Austin Knudsen, com base nas leis estaduais Montana Consumer Protection Act (lei de proteção ao consumidor) e Montana Consumer Data Privacy Act (lei de privacidade de dados), apontando ausência de verificação de idade e de consentimento para menores de 13 anos.
  • Arkansas: processo assinado pelo procurador-geral Tim Griffin com base no Arkansas Deceptive Trade Practices Act (ADTPA, lei contra práticas comerciais enganosas) e no Children’s and Teens’ Online Privacy Protection Act (CTOPPA, lei de proteção à privacidade online de crianças e adolescentes), somando acusações de negligência, responsabilidade objetiva, enriquecimento ilícito e incômodo público.
  • Arizona e Idaho: estados que integram o bloco de ações coordenadas nos tribunais locais.

O que os estados exigem da OpenAI na Justiça e como a empresa responde?

Para reverter os danos apontados, os representantes estaduais incluíram uma série de exigências nas petições iniciais enviadas aos juízes:

  • Alterações obrigatórias no funcionamento do ChatGPT para usuários jovens.
  • Pagamento de indenizações financeiras por danos e aplicação de penalidades civis.
  • Exclusão definitiva de dados coletados ilegalmente de menores de idade.
  • Ordens judiciais para proibir declarações consideradas enganosas sobre a segurança do produto.
  • Restrição ao desenvolvimento de modelos de inteligência artificial capazes de autoaperfeiçoamento recursivo (sistemas que se aprimoram sozinhos) até que a empresa garanta alinhamento a valores humanos e salvaguardas técnicas.

Ao comentar os processos, o procurador-geral de Montana, Austin Knudsen, declarou que “o ChatGPT da OpenAI levou crianças vulneráveis e seus pais a confiar nele, enquanto incentivava comportamentos prejudiciais. Suas declarações imprudentes disfarçadas de conselhos levaram a sérias tragédias que precisam ser interrompidas”. No Arkansas, Tim Griffin acrescentou que “a OpenAI nos garante que o ChatGPT é seguro. As consequências dessa garantia são vidas perdidas e pessoas prejudicadas”.

Em resposta às ações, o porta-voz da OpenAI, Drew Pusateri, declarou que a companhia já aplica mecanismos de proteção divididos por faixa etária. “Embora nenhum sistema possa ser perfeito, continuaremos a trabalhar com especialistas para orientar nosso trabalho e construir salvaguardas adicionais, como os controles parentais, lembretes de pausa e proteções de modelo adequadas à idade que existem atualmente. Estamos comprometidos em trabalhar com os estados no avanço de políticas pragmáticas de IA que se apliquem a toda a indústria de IA — não apenas a uma empresa”, disse Pusateri.

Ação coletiva em São Francisco acusa OpenAI de extrair dados de menores

Um dia antes da ofensiva dos procuradores, na terça-feira, 13 de outubro de 2026, a empresa tornou-se alvo de uma ação coletiva no tribunal federal de São Francisco. A petição de 81 páginas, que conta com a atuação do advogado Andy Liddell, do EdTech Law Center (centro jurídico especializado em tecnologia educacional), foi aberta em nome de dois menores não identificados, de 12 e 16 anos. O documento acusa a companhia de extrair informações de saúde, inseguranças e segredos pessoais de crianças sem consentimento dos pais para treinar grandes modelos de linguagem (LLMs, sistemas de inteligência artificial baseados em texto) e criar perfis detalhados.

“Por meio de seu chatbot de inteligência artificial, o ChatGPT, a OpenAI lucrou com nossas crianças em uma escala sem precedentes. Durante anos, extraiu indevidamente vastas quantidades de dados altamente sensíveis e valiosos de milhões de crianças… Em seguida, usou esse tesouro inestimável de informações infantis para treinar grandes modelos de linguagem, construir perfis detalhados de crianças e enriquecer. Tudo isso foi ilegal”, afirma um trecho da petição inicial protocolada na Califórnia.

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O processo federal detalha o episódio de uma menina de 12 anos residente no Havaí que informou a própria idade à plataforma, mas continuou interagindo sobre dificuldades emocionais, relatou que pulava refeições e enviou fotografias para que o sistema avaliasse a aparência física dela. Embora os termos de serviço proíbam o acesso a menores de 13 anos, os autores argumentam que a verificação etária é ineficaz e pedem compensação financeira ou participação acionária na empresa para os jovens afetados.

Histórico de processos contra o ChatGPT nos Estados Unidos

Lançado em 2022, o ChatGPT consolidou-se como o robô de conversação mais popular do planeta, concentrando cerca de metade da participação desse mercado tanto nos Estados Unidos quanto em escala global. Antes da ação conjunta dos oito estados, a Flórida havia se tornado, em junho de 2026, o primeiro estado norte-americano a processar a desenvolvedora sob alegações similares de falhas de segurança. A empresa também responde a dezenas de ações privadas movidas por famílias que atribuem à ferramenta a contribuição para tiroteios em massa ou suicídios, a exemplo do caso do adolescente californiano Adam Raine, registrado em 2025.

Todas as acusações apresentadas tanto pelos procuradores-gerais nos tribunais estaduais quanto pelos representantes dos menores na corte federal de São Francisco constituem alegações iniciais, que ainda passarão por julgamento no Poder Judiciário e não representam decisão definitiva contra a empresa.

Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing

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