União Europeia e China fecham cota para veículos híbridos

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carro híbrido Foto: carro híbrido - Foto: pictafolio/iStock.com

A China e a União Europeia fecharam um entendimento comercial que limita a importação de veículos híbridos convencionais e híbridos plug-in fabricados em território chinês a uma cota inicial de 350 mil unidades por ano no bloco europeu. O acordo preliminar foi alcançado em Pequim na sexta-feira (9), durante visita do comissário europeu do Comércio, Maroš Šefčovič, e teve os números detalhados em Bruxelas na segunda-feira, 12 de outubro de 2026.

A restrição valerá pelo período de quatro anos e prevê um reajuste positivo fixo de 6% ao ano a partir do segundo ano de aplicação. Segundo um alto funcionário da União Europeia, em tradução livre, “isso cortará em mais da metade as exportações atuais para a União Europeia, que estimamos que devam atingir até 800 mil unidades em 2026”.

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Números e prazos do acordo entre União Europeia e China

A regulamentação abrange tanto os modelos híbridos convencionais quanto os híbridos plug-in, que possuem bateria com recarga em tomada externa, estabelecendo parâmetros financeiros e operacionais para os dois lados da negociação.

Carros, mercado automóvel
Foto: Carros, mercado automóvel – Billion Photos/shutterstock.com
  • Teto inicial de importação: 350 mil veículos híbridos e híbridos plug-in chineses por ano.
  • Duração da medida: 4 anos de vigência, com taxa de crescimento anual permitida de 6% a partir do segundo ano.
  • Impacto sobre a projeção de 2026: corte aproximado de 56% frente à estimativa europeia de entrada de 800 mil unidades no ano sem a barreira.
  • Participação de mercado no bloco: expectativa europeia de queda da fatia dos híbridos chineses de 6% para 3%.
  • Contrapartida tarifária chinesa: eliminação de tarifas sobre algumas autopeças e corte pela metade nas alíquotas de importação de calçados, sorvetes e azeite de oliva da União Europeia, somando cerca de 4 bilhões de euros em bens europeus beneficiados.

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Regras da OMC e isenção para fábricas instaladas na União Europeia

Para entrar em vigor dentro das normas internacionais, a limitação será executada por meio do mecanismo de salvaguarda da Organização Mundial do Comércio (OMC), instrumento que autoriza restrições temporárias para proteger um setor produtivo local diante de um aumento repentino nas importações. Pelo princípio de não discriminação da entidade, a União Europeia aplicará formalmente tetos a todas as importações de híbridos, assegurando à China uma cota não inferior à de qualquer outro país fornecedor. O Ministério do Comércio da China informou que o entendimento funciona como um arranjo ascendente calculado sobre a base de 2025, preservando espaço de exportação e crescimento estável para as empresas do país.

A contabilização do limite anual levará em conta o local de montagem do automóvel, e não a origem do capital da marca. Automóveis de fabricantes chinesas montados dentro de países da União Europeia, como nas instalações localizadas na Hungria ou na Espanha, ficarão isentos da cota de 350 mil unidades. Por outro lado, veículos híbridos produzidos em fábricas na China que pertençam a montadoras tradicionais europeias entrarão na contagem do teto de importação. O diretor-executivo (CEO) da Volkswagen, Oliver Blume, declarou, em tradução livre, que “aqueles que vendem aqui devem competir sob condições comparáveis e criar empregos e valor aqui na Europa também”.

Avanço dos híbridos da BYD, SAIC e Chery após taxas sobre elétricos

A busca por um freio na entrada de veículos híbridos ocorreu após uma mudança na estratégia de exportação das montadoras asiáticas em resposta às barreiras alfandegárias anteriores. Desde outubro de 2024, os carros exclusivamente elétricos a bateria (chamados pela sigla em inglês BEVs) produzidos na China sofrem tarifas adicionais antissubsídios de até 35,3% para entrar na União Europeia, o que levou fabricantes chinesas a direcionarem o foco comercial para modelos que combinam motor a combustão e propulsão elétrica, até então livres dessa cobrança extra. Em fevereiro de 2026, a Comissão Europeia, órgão executivo do bloco presidido por Ursula von der Leyen, chegou a aceitar o primeiro compromisso de preço mínimo para substituir as tarifas sobre elétricos puros, regra aplicada ao modelo Cupra Tavascan, produzido na China pelo grupo Volkswagen.

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Os dados de comércio exterior do bloco mostram a aceleração das remessas chinesas nesse segmento específico ao longo dos últimos dois anos. A União Europeia importou 107 mil carros híbridos da China em 2024, volume que subiu para 302 mil unidades em 2025, segundo registros do escritório de estatísticas europeu Eurostat citados pelo governo chinês. Apenas no primeiro semestre de 2026, o valor das exportações de híbridos chineses para o mercado europeu atingiu 6,7 bilhões de euros, o triplo dos 2,2 bilhões de euros registrados no mesmo intervalo de 2025. As fabricantes chinesas SAIC, BYD e Chery concentraram mais de 90% das vendas de carros híbridos da China no bloco europeu.

Pendências na regulamentação da Comissão Europeia e reuniões de 2027

O texto legal definitivo com o detalhamento técnico da operacionalização e a divisão exata da cota entre as montadoras ou países do bloco ainda não havia sido publicado oficialmente pela Comissão Europeia. Também permanecem em aberto detalhes sobre o início exato de aplicação do teto e sobre o tratamento alfandegário para os carros que ultrapassarem o limite anual.

Sobre a continuidade das negociações bilaterais, uma autoridade da União Europeia afirmou, em tradução livre, que “continuaremos o diálogo sobre alguns produtos” e acrescentou que “este não é, de forma alguma, o fim da história”. Os representantes de Bruxelas e de Pequim acertaram a realização de uma videoconferência ministerial em janeiro de 2027, seguida pela terceira reunião do mecanismo de consulta comercial entre as duas partes em março de 2027.

Janderson Luiz é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024. Formação: Atleta Profissional de Futebol

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